Crush em Hi-Fi

Música, trilha sonora, CDs, discos, DVDs, mp3, wmas, flac, clipes, ruídos, barulho, sonzera ou como quer que você queira chamar.

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Jittery Jack, de Boston, conta sobre sua trajetória e luta para manter o rockabilly vivo e no volume máximo

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Vindo de Boston, Jittery Jack é um cara que continua lutando pelo Rock ‘n’ Roll e Rockabilly puros com um quê de selvageria sessentista. Começando tocando em diversas bandas de country e música de raiz nos anos 80 e passando pela banda Raging Teens nos 90’s, Jack resolveu se aventurar pela carreira solo e logo ficou conhecido no circuito rockabilly mundial, tocando em grandes festivais como o Viva Las Vegas e The Rockabilly Rave, no Reino Unido.

Com dois discos e um EP na bagagem, Jack não pensa em acrescentar elementos atuais em seu som. “Nunca gostei do que tocava no rádio, e isso não deve ter mudado hoje em dia”, diz. “Nada faz eu me mover da forma que o rock faz”.

Bati um papo com Jittery Jack sobre sua carreira, o rockabilly, o pop dos dias de hoje e as dificuldades do circuito independente:

– Como começou sua carreira?
Eu estive em bandas de country e música de raiz desde o final dos anos 80. Nos anos 90, comecei uma banda com a Miss Amy chamada Raging Teens. Fizemos turê pelos Estados Unidos, Europa e fizemos alguns grandes festivais. A banda meio que parou no meio dos 2000, então eu arranjei meu som próprio como Jittery Jack. Tenho a sorte de poder tocar sempre com a Miss Amy até hoje.

– Como é tocar rockabilly nos dias de hoje? Porque escolheu esse estilo?
Primeiro, porque adoro a música. Nada faz eu me mover da forma que o rock faz. Eu também sou muito grato por poder viajar o mundo compartilhando minha música. Espero visitar o Brasil um dia!

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– Quais são suas maiores influências musicais?
Benny Joy, Warren Smith, Gene Maltais. Quanto aos artistas contemporêneos: Wildfire Willie, The Racketeers, Dave & Deke Combo, High Noon.

– Conte um pouco sobre sua discografia.
Lancei um EP que eu mesmo produzi em 2010 e depois lancei um CD completo pela Wild Records chamado “Gone Plum Crazy”. Em 2014, lancei “Gonna Have a Time with Jittery Jack” pela Rhythm Bomb Records e também um 7″ 45rpm “Something Wicked This Way Comes/Gonna Have a Time on Rhythm Bomb”.

– Como é seu processo criativo?
Normalmente eu fico inspirado por alguma coisa. Talvez uma história, talvez uma garota. Às vezes é por outra música, tenho a ideia do groove e sigo em frente. Eu normalmente tenho muitas ideias passeando e tento juntá-las com ideias de história que tenho na cabeça.

– Quais são as maiores dificuldades de um artista independente?
Dinheiro! Sem nenhuma grande gravadora para sustentar tudo, fica a nosso cargo fazer tudo dar certo. Eu não tenho uma banda fixa, então ter a certeza de que todos os músicos vão ser pagos às vezes me deixa sem nada! Porém, é muito importante pagar os músicos, não consigo fazer de outro jeito!

– Qual a sua opinião sobre as músicas que estão nas paradas hoje em dia?
Eu não ouço muito rádio, na verdade, então não posso fazer esse julgamento. Dito isso, eu na verdade não gosto das músicas que são tocadas no rádio até onde consigo me lembrar, então tenho certeza que não mudou muita coisa.

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– Onde você gostaria de ver sua carreira em 10 anos?
Filmes, programas de TV, ter minhas músicas tocadas em todo o mundo. Espero chegar ao Japão, voltar para a Austrália e Europa… Contanto que exista um público, estarei feliz apenas por poder tocar para as pessoas.

– Recomende artistas que chamaram sua atenção recentemente.
Jake Calypso da França, me deixou maluco no Viva Las Vegas. Kay Marie, de São Francisco, é incrível. The Rip Em’ Up’s, de Los Angeles, sempre um ótimo show. Miss Lily Moe Rhythm Bomb, do mesmo selo que eu, também é muito bacana! Ouça todos eles!

Londrinas do Colour Me Wednesday contam mais sobre seu indie rock DIY feminista e “livre de homens”

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O Colour Me Wednesday se define em sua página do Facebook como “FEMINIST LEFT-WING ETC. DIY PUNK AND INDIE AND POP FROM WEST LONDON”. O DIY é ao pé da letra: para distribuir seu primeiro EP, as membras da banda criaram as capas dos CDs com pedaços de caixas de cereal matinal e pararam de produzir assim que a demanda passou dos limites do estoque de Sucrilhos que elas tinham em casa.

O grupo é formado pelas irmãs Harriet (guitarra, voz) e Jennifer Doveton (guitarra), junto com Carmela Pietrangelo (baixo). Depois de passarem por algumas formações em que o baterista era homem, o trio está procurando a baterista perfeita para uma formação só com garotas (segundo as redes sociais da banda, hoje em dia quem assume as baquetas é uma garota chamada Lizzie). As garotas, fãs de gatinhos, dançar sóbrias e “Buffy, a Caça-Vampiros”, conversaram comigo sobre a atitude Do It Yourself da banda, o indie rock dos dias de hoje e músicas saindo de vaginas:

– Como a banda começou?

Harriet: Eu gosto bastante de Juliana Hatfield e queria aprender a tocar guitarra como ela quando eu tinha 17 anos. Acabei fazendo música com algumas amigas minhas, mas não tínhamos uma vocalista e eu tinha muito medo de cantar. Na época ia acontecer uma “batalha de bandas” na região e nós queríamos muito entrar. Por sorte, Jen tinha acabado de começar a cantar na frente de pessoas, então juntamos forças e começamos o Colour Me Wednesday. Isso foi anos antes de a Carmela entrar na banda.

– Como surgiu o nome Colour Me Wednesday?

Harriet: Basicamente pegamos palavras de um chapéu e inventamos o significado depois! (Risos)

– Quais são suas influências musicais?

Jen: Juliana Hatfield, Billie Piper, Destiny’s Child.

Harriet: Quando começamos a banda, estávamos ouvindo bastante bandas como Lemuria e Sky Larkin também. Guitarras realmente inspiradoras.

Carmela: Provavelmente PJ Harvey, Pogues, Suzanne Vega.

– Me contem um pouco sobre o que vocês já lançaram.

Jen: Tivemos um EP de amostra em que fizemos a capa de cada um à mão com caixas de cereais. Em pouco tempo a demanda online cresceu e não conseguimos continuar, então começamos a trabalhar em um álbum, que acabamos lançando em 2013 com o nome “I Thought It Was Morning“.

Harriet: Lançado pela Discount Horse Records.

Jen: No ano passado a banda Spoonboy, de Washington, nos chamou para fazer um split pois estávamos em tour com eles. Tínhamos 5 faixas e trabalhamos nelas, gravando tudo em casa (como todas nossas músicas) e esse disco saiu no verão passado! Tentamos sempre co-lançar tudo em nosso próprio selo, “Dovetown”, também.

Carmela: Estamos escrevendo músicas novas e trabalhando em nosso segundo disco. O primeiro tinha várias músicas antigas, então o segundo provavelmente terá um estilo um pouco diferente, mais próximos do que temos no split com o Spoonboy.

1970909_10151937528013053_239069328_n– Como você acha que o Youtube e a internet em geral ajudam a promover novas bandas e fazer com que fiquem conhecidas por todo o mundo?

Jen: Bom, as gravadores já estão no marca-passo. É cada vez mais difícil conseguir um contrato com um selo, especialmente se sua banda é de garotas, o que é visto como um nicho. Eu gosto da ideia de que online, se você trabalhar duro, produzir um monte de coisas e tornar tudo isso disponível você pode se beneficiar. Enquanto isso, as rádios e a indústria musical continuam sendo sobre quem você conhece e quem você paga ao invés de quão duro você trabalha ou quanto talento você tem.

Carmela: Tem gente que paga para ter mais visualizações e curtidas, mas ainda tem maneiras de se fazer disponível na internet sem pagar. Porque você se direciona às pessoas que querem te ouvir.

– Como é seu processo criativo?

Harriet: Livre de homens. Músicas saindo de vaginas.

Jennifer: Não sei… Cada música é diferente e tem um processo diferente. Quando uma de nós tem uma música nova, trazemos para a mesa e todos trabalhamos nela, talvez gravamos uma demo…

– Se vocês pudessem fazer uma cover de QUALQUER música, qual seria?

Harriet: Toda a trilha de “Nashville”.

Jen: Nós PODEMOS fazer cover de qualquer música. Quem disse que não podemos? (Risos)

Harriet: Recentemente fizemos uma cover de “I Fall To Pieces” da Patsy Cline.

Jen: Bom, acho que teriam algumas músicas que acharíamos muito difíceis…

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– Como vocês definem o som da banda?

Carmela: Umm, rock político dos 90’s. Tem bastante guitarras dos 90’s no meio.

Harriet: Indie pop punk de aquecer o coração com harmonias importantes.

Jen: Otimista, mas triste.

– O que vocês acham das músicas que são lançadas hoje em dia?

Harriet: Eu estava mesmo falando do indie mainstream um dia desses, na verdade, porque estávamos ouvindo a banda de um amigo nosso chamada Mammoth Penguins e isso me fez pensar. Uma das músicas deles, “When I Was Your Age”, é um hino indie épico e é melhor que metade das coisas que você ouve na XFM ou rádios rock por aí. Porém, não será tão popular quanto aquelas boy bands horríveis. Apesar disso, eu gosto de um monte de músicas pop que são lançadas.

Jen: Sim, eu não acredito em ser preciosista sobre música. Eu ouçoestações de rádios pop e qualquer outra coisa. É óbvio um monte de coisa é criada para ganhar dinheiro rápido, mas um monte de gente acha essas músicas realmente cativantes e amam dançar com elas, então não podem ser tão ruim assim!

Carmela: Bem, eu acho que estou ouvindo qualquer coisa que eu quiser. Eu gosto de um monte de pop mainstream, mas, apesar disso, um monte de que eu ouço além disso é de pessoas que conheço pessoalmente. O que é uma coisa bacana agora – é acessível. Tem um monte de indie rock que eu não me incomodo em escutar agora, em vez disso prefiro um monte de bandas com quem já tocamos.

– Onde vocês gostariam de ver sua carreira em 10 anos?

Harriet: Disco de platina. (Risos) Nah, apenas apreciadas e com pessoas colecionando nossos discos e entusiasmados com nossas letras e o que queremos dizer. Isso está acontecendo em parte agora, queremos mais disso.

Jen: Poder fazer tours pelo mundo e nos bancarmos. Conhecer mais e mais músicos que possamos ajudar e trazer para nossa comunidade.

Harriet: Assim você faz a gente parecer um culto.

Carmela: Sim, ter tempo para escrever mais e criar coisas de que realmente nos faz orgulhosas. E continuar nos desafiando musicalmente. E poder fazer mais turnês, visitar novos lugares e tocar com um monte de gente diferente! Em 10 anos, espero que nosso som cresça ainda mais e seja um pouco diferente, para que saibamos que não ficamos no mesmo lugar.

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– Quais são os próximos passos do Colour Me Wednesday?

Carmela: Álbum 2. Formação só com garotas.

Jen: Queremos organizar mais shows. Levar a Dovetown mais fundo.

Carmela: Fazer mais gravações com a Dovetown e lançar nosso disco por ela. Levar pra frente.

Harriet: Colour Me Wednesday e The Tuts vão tomar conta.

– Pra finalizar, me digam quais bandas chamaram sua atenção recentemente.

Harriet: Bully, é ótimo.

Jen: Allison Crutchfield.

Harriet: Ouvi uma música no Rookie Mag outro dia de uma banda chamada Shunkan e achei ótima. Girl Pool também. E Go Violets são legais. Não tenho certeza quão novas essas bandas são, na verdade.

Carmela: Okinawa Picture Show – São uma banda completa agora. Muito boa.

Ouça o disco “I Thought It Was Morning” completo aqui:

Moriaty, o duo de Devon que se inspira em Sherlock Holmes, serial killers e teoria de cordas para criar seu “filthy indie blues”

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“Eu vou quebrar você, Holmes. Eu vou trazer para bem debaixo do seu nariz o mais incrível crime do século, e você nunca vai suspeitar até que seja tarde demais. Esse será o fim de você, Sr. Sherlock Holmes. E quando eu o tiver derrotado e arruinado, poderei me aposentar em paz. Eu gostaria de me aposentar, o crime já não me diverte. Eu gostaria de dedicar meus anos restantes para a ciência abstrata”. O lado sombrio e nonsense de Professor Moriarty, um dos grandes inimigos de Sherlock Holmes, é a inspiração para o nome do duo Moriaty. “Percebemos que nossa música era pesada e sombria liricamente… essa combinação de escuridão e intelecto gritava Moriarty – além disso, soa muito bem!” diz Jordan West, vocalista e guitarrista da dupla, que também conta com Matthew Partridge na bateria, vocais e “ruivice”, segundo a página deles no Facebook.

A energia bruta da dupla tem atraído a atenção de grandes festivais, organizadores de shows e, claro, muitos fãs. “Se eu fosse de uma banda, que fosse o Moriaty”, disse James Santer, da BBC. Já o resenha da Revista 247 para o disco “The Devil’s Child”, de 2014, diz que a dupla “não está aqui para agradar estereótipos. A dupla está claramente se divertindo, desprovida de agenda e pura de propósito. Bravo!”

O Moriaty acabou de lançar seu novo single, “Bones” e já planeja outros singles, um EP, disco ao vivo e documentário ainda em 2015. Conversei com Jordan sobre a carreira da dupla, suas inspirações e como o Professor Moriarty entra no som do Moriaty:

– Como a banda começou?

Fomos juntos a um festival na Escócia alguns anos atrás. Nos conhecíamos de algumas bandas em que tocamos e apenas decidimos fazer barulho… antes que pudéssemos perceber, as coisas já estavam começando a decolar.

– O nome da banda veio do Professor Moriarty, um personagem das histórias de Sherlock Holmes. Como o personagem e o universo de Holmes influenciou vocês?

Eu amo Sherlock, acho que Moriarty é o perfeito inimigo dele. Quando começamos a escrever música, percebemos que era pesada e sombria liricamente. Eu gosto de escrever sobre coisas que acho interessantes, como serial killers, teoria das cordas, literatura… então essa combinação de escuridão e intelecto gritava Moriarty – além disso, soa muito bem!

– Quais são suas maiores influências musicais?

Blues, todos de Son House a Chuck Berry. Rage Against the Machine. Muse. Black Sabbath. Supergrass. Oasis. Led Zeppelin. Hendrix. Johnny Cash. Dylan… Esse tipo de coisa…

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– Vocês fazem um som alto e sujo. Acham que esse tipo de música está em falta hoje em dia?

Acho que está voltando. A energia que toda a indústria musical está colocando no Royal Blood atualmente prova isso.

– O que você acha das músicas que estão sendo lançadas hoje em dia?

A música de hoje é ótima. Há uma infinidade de músicos criando coisas incríveis por todo o mundo. A internet fez do mundo inteiro uma loja de discos e tem muita coisa por aí. As paradas pop não são um indicativo do que está rolando, e pessoas estão ganhando dinheiro com música sem terem um “contrato”. É uma nova era.

– Vocês são um power duo. Porque o baixista é tão “desnecessário” no mundo do rock hoje em dia?

O baixo sempre tem seu espaço. O motivo de tantas duplas de rock estarem começando é que é mais fácil. Todo mundo está sempre ocupado… Bandas com duas pessoas precisam de menos equipamento, menos organização, têm mais liberdade e ganham mais dinheiro – faz sentido!

– Chris Wolstenholme, do Muse, é seu baixista “não-oficial”. Ele dá apenas uma ajuda ou você pretendem incorporá-lo de vez no Moriaty?

Na verdade ele apenas gostou das faixas que pariticipou. Ele se ofereceu pra ajudar e nós agradecemos muito por isso. Sempre vai haver um lugar no Moriaty se ele quiser, mas ele nos ajudou porque é um cara bacana, um amigo e um fã da banda. Ele na verdade não é nosso baixista “não oficial” ou algo assim, ele é do Muse!

– Você disse que já trabalharam com vários rappers, cantores, poetas, baixistas… Pode me contar um pouco dessas colaborações?

Fizemos algumas coisas com a banda The Scribes. Eles são um grupo incrível de hip hop do sudoeste da Inglaterra. Estamos planejando gravar um EP com eles este ano, o que vai ser bem legal. Nosso disco tem participações de Kelly Naish e Mark Tam cantando e em algumas falas. Esperamos fazer muito mais no futuro.

– Você pode me contar um pouco mais sobre sua discografia? Adorei o que ouvi no EP “Esperanza” e em “The Devil’s Child”.

Nós também lançamos alguns outros EP’s, “The Lord Blackwood EP” foi o nosso primeiro e “Never Too Heavy” o segundo, além de dois singles, “Mindsweeper” e, claro, “Bones”. Também temos o “Jealous MF” 7”, uma música que saiu apenas em vinil que gravamos com Chris Wolstenholme.

– A cultura do álbum está morta? As pessoas preferem ouvir apenas os singles atualmente?

Os discos não estão mortos nem nunca morrerão. Mas têm diminuído e continuam diminuindo. Spotify, iTunes, Youtube e afins estão tirando a necessidade de se ouvir a obra inteira para ter o que se quer. Então as crianças idiotas de hoje que escutam música idiota e repetitiva sobre sexo sem pratos podem baixar ou ouvir por streaming músicas soltas. Agora, as crianças que que realmente gostam de música vão comprar o disco de suas bandas preferidas e ouví-lo repetidamente. Sempre o farão… são apenas menos pessoas, agora!

– O site da banda diz que vocês “se inspiram na história, não em babacas com óculos falsos”. Esse cutucão é pra quem?

Sim, para as pessoas de Londres aproximadamente 5 anos atrás… hoje em dia eles têm skates, barbas e tatuagens também!

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– Vocês acabaram de lançar o single “Bones”. Quais são os próximos passos do Moriaty?

O próximo single está quase sendo finalizado e depois teremos mais alguns singles, um EP com The Scribes, algo ao vivo e outro documentário.

– Que bandas chamaram a sua atenção atualmente?

Patrons!

– Podemos esperar a visita do Moriaty no Brasil em breve?

Nós adoraríamos, nunca se sabe o que vai acontecer a seguir…

Ouça o EP “Esperanza” completo aqui:

The Smoggers, de Sevilha, mostram que a cena de garage punk da Espanha está viva e fazendo barulho

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Formada em 2008 e com sede em Sevilha, na Espanha, The Smoggers é uma das novas bandas mais bacanas na cena garage espanhola. O quarteto chamou a atenção dos fãs do rock underground com um som que puxa para o garage punk cheio de fuzz dos anos 60, com influências notáveis de Sonics13th Floor Elevators em seu som.

A banda conta com Fernando Smogger nos vocais, guitarras e gaita, Gusti Smogger no baixo e Ana Smogger na bateria e vocais de apoio. O guitarrista Jesús Smogger, que participou de todas as gravações até o momento, saiu da banda há alguns meses e o trio procura por um novo membro para completar sua formação. Alguém aí conhece um bom guitarrista espanhol com o pé enfiado no fuzz?

Conversei com Fernando sobre a carreira da banda, a cena de garage da Espanha e o mundo pop:

– Como a banda começou?

A banda foi formada em uma pequena vila ao sul da Espanha quando Ana, Jesús e eu conversávamos sempre sobre garage punk e a cena do rock and roll underground. Entao, decidimos formar uma banda de garagem porque pensamos que era o momento certo para este projeto, já que em Andalusia não existem garage bands. Gusti entrou como nosso baixista depois!

– Você pode me falar um pouco da cena espanhola de garage?

Sim, lógico. Entre as décadas de 80 e 90, a cena garageira espanhola era apenas formada apenas por algumas poucas bandas legais. Mais ou menos 15 anos atrás, esta cena começou a fazer barulho na Europa e nos Estados Unidos com muitas bandas incríveis como Wau y los Arrrghs, Moonstones, Hollywood Sinners, Aspiradoras, Phantom Keys e muitas outras…

– Quais são as principais influências da banda?

Amamos os garage punk original dos 60’s como The Sonics, Wailers, Swamp Rats, Electras e também grandes compilações como Back From The Grave, mas na verdade acho que a influência mais importante para o som do The Smoggers são bandas dos anos 80 e 90 de garage como The Fuzztones, Gruesomes, Gravedigger V, Miracle Workers, Cynics, Chesterfield Kings, Primates, Lust-O-Rama, Mummies, Makers ou Billy Childish. Na verdade, também amamos The Branded, The Satelliters e Staggers, por exemplo!

– Me conte um pouco sobre a discografia do The Smoggers.

No momento, nossa discografia consiste em dois 10 inches de 2010 (“Smoggin’your Mind” e “Chinese Food”, ambos pela Clifford Records, que assinou com a banda), alguns EP’s (“A day with you” pela Grit Records, “Shame on You” e “Breaking your Boots with The Smoggers” pela KOTJ Records e Ghost Highway Recordings e um 7″ Split Smoggers/Fadeaways pela gravadora de Nova York Chickpea Records) e, finalmente, temos nosso primeiro álbum 12″ chamado “Join The Riot” lançado pela Clifford Records que foi relançado no último verão! Alguns desses discos estão esgotados, algo muito importante para uma banda pequena como o Smoggers! Além disso, temos alguns novos projetos que lançaremos em breve. Nosso segundo guitarrista não participará, já que saiu da banda alguns meses atrás… mas não se preocupem, freaks: The Smoggers continuará com um novo músico!

A capa de "Join The Riot", primeiro disco da banda.

A capa de “Join The Riot”, primeiro disco da banda.

– Como é o processo criativo de vocês?

Nossos dois guitarristas e vocalista criam a melodia básica e as letras e depois fechamos as músicas quando ensaiamos as novas melodias todos juntos! Lógico que toda a banda dá o seu pitaco para finalizar as músicas e elas ficarem bacanas. Agora, sem Jesus na banda, tentarei colocar todo meu esforço no processo. Eu adoro escrever e sempre tenho a ajuda de Ana Smogger e Gusti para criar novas músicas!

– O mundo está ficando mais pop e menos rock? 

Sobre isso, quero dizer… The Smoggers não toca pop, nós odiamos a porra do pop, amamos o Rock and Roll e o Garage Punk dos anos 60!

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Sem dúvidas, a coisa mais importante é ter uma identidade real como banda e então estar pronto para gravar e tocar sempre, de novo e de novo. É impossível para bandas do underground terem um destino bacana sem fazer desta forma!

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– Onde você gostaria de ver os Smoggers em 10 anos?

Gostaríamos de estar tocando em alguns festivais em que não tocamos ainda! Temos muita gente apoiando e muitos fãs, mas ainda não temos os contatos necessários para isso! De qualquer forma, estamos orgulhosos da forma que as coisas estão acontecendo e seria incrível que em 10 anos alguém compre um de nossos discos em alguma cidade do mundo e ele ou ela diga “Cara! Yeah! Esses The Smoggers são ótimos, um som bem garage punk dos 60’s!”

– Se você pudesse chamar qualquer músico para participar em uma música dos Smoggers, quem seria?

(Risos) Essa pergunta é sensacional! Ligaríamos para Leighton Koizumi, Craig do Chesterfield Kings, Rudi Protrudi, talvez Wild Evel também e, é claro, seria incrível tocar com Billy Childish!

– Alguma banda chamou a atenção de vocês recentemente?

Ultimamente eu prestei atenção em bandas como The Routes (do Japão), Scumbugs (da Noruega), além do The Fourteens, The Mongrelettes (da Grécia) e muitas outras!

Ouça o disco “Join The Riot” aqui:

Conheça o pop de arena bombástico dos suecos do Hurricane Love (que estão loucos para visitar o Brasil!)

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Os suecos do Hurricane Love já se apresentaram no Brasil. Pela internet, é verdade, mas já. Assim, eles conquistaram muitos fãs no país, fazendo um show pela plataforma ClapMe em 2014, sendo a primeira banda a fazer uma apresentação internacional utilizando este formato.

No começo deste ano, eles lançaram seu primeiro EP, auto-intitulado, com cinco músicas (“Free Ticket”, “Blind Deaf & Dumb”, “Paradise”, “You Are The Sun” e “Only Human”). O grupo de Malmö, formado por NinaRasmusJohanna, TobiasMagnus e Robin, atualmente está fazendo shows e compondo músicas para seu próximo lançamento, ainda sem data para acontecer. Pra quem gosta do som do Mumford & Sons, recomendo muito a audição dos singles “Nowhere To Go” e “Free Ticket”, como eles mesmo definem em sua página do Facebook, um “pop de arena” muito bem construído e com múltiplos vocais diferentes, dando mais vida ao som.

Conversei com Rasmus sobre a carreira da banda, as agruras de ser uma banda independente e o amor que eles recebem dos fãs brasileiros:

– Como a banda começou?

A maioria dos membros da Hurricane Love já toca junto faz alguns anos, mas 3 anos atrás, quando eu entrei na banda, sentimos que realmente tínhamos algo interessante! Desde então estamos trabalhando duro em desenvolver nosso som, fazendo shows e ficando melhores juntos.

– Me conte um pouco sobre o EP que vocês acabaram de lançar.

Nós esperamos um tempão para lançar essas músicas e estamos muito felizes que elas finalmente estão disponíveis! O EP contém 5 músicas – “Free Ticket”, “Blind Deaf & Dumb”, “Paradise”, “You Are The Sun” e “Only Human”.

– Quais são suas principais influências musicais?

A vida! Bom, musicalmente, somos influenciados por bandas como Sigur Rós e Coldplay!

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– Vocês são outra banda ótima vinda da Suécia. O que acontece por aí que ajuda tanta bandas incríveis a nascerem?

Essa é difícil de responder, na verdade… A Suécia é um país com invernos muito escuros e verões ensolarados. Quando o inverno chega todos ficamos deprimidos e quando vem o verão nos sentimos incríveis, a música é o alimento que ajuda a expressar estes sentimentos e emoções!

– Me falem um pouco sobre o que vocês já lançaram.

Nossa discografia é muito recente. Lançamos nosso single de estreia, “Nowhere To Go”, no outono de 2014. Este ano lançamos o single “Free Ticket”, que está no nosso EP “Hurricane Love EP”. A maioria das músicas que lançamos foram escritas muitos anos atrás, então estávamos esperando a chance de gravá-las e lançar. E finalmente conseguimos!

– Como é o processo criativo de vocês?

Normalmente começamos com uma melodia e alguns acordes básicos e então construímos a música durante os ensaios. É um processo que pode durar um dia ou semanas (ou até meses). Algumas músicas apenas acontecem e outras precisam ser trabalhadas e batalhadas. Algumas apenas não funcionam e são jogadas fora.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

É difícil atingir novos fãs quando você não tem uma quantia enorme de dinheiro pra colocar em assessoria. Também é muito difícil se manter otimista e com a energia alta quando você não tem dinheiro para pagar as contas vindo da música. Você precisa de outro emprego para pagar as contas e também tem a música, que leva bastante tempo e esforço. Você pode esquecer ter finais de semana de folga ou tirar um para viajar ou descansar.

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– Onde você gostaria de ver a carreira do Hurricane Love em 10 anos?

10 anos é bastante tempo. Muitas bandas nem ficam juntas por tanto tempo, mas espero que nós fiquemos. Queremos muito sucesso viajando e tocando por todo o mundo em grandes palcos. Fazendo shows em Wembley e Copacabana. ;)

– Me diga algumas músicas e bandas novas que chamaram sua atenção recentemente.

Hozier, “Take Me To Church” é algo novo pra mim. Também gosto de artistas suecos como Laleh e The Tallest Man On Earth.

– Podemos esperar uma visita de vocês ao Brasil algum dia?

Adoraríamos. Temos muitos fãs aí no Brasil e seria sensacional fazer um show para eles e retribuir todo o amor que eles nos mandam!

Qual será “O Futuro dos Autoramas”? Perguntamos a Gabriel Thomaz e ele falou tudo sobre o novo disco

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O Autoramas mudou. Com a saída de Flávia Couri do baixo e Bacalhau da bateria, a banda de Gabriel Thomaz sofreu uma reformulação que, segundo ele, é responsável pela produção do melhor disco da banda até o momento. Agora um quarteto formado por sua esposa Érika Martins na guitarra, teclado e vocais, Melvin no baixo e Fred Castro na bateria, o grupo prepara “O Futuro dos Autoramas”, disco que finalizou suas gravações na semana passada e deve sair ainda este ano, contando com a produção de Lê Almeida e do próprio Gabriel e financiado por um bem sucedido sistema de crowdfunding.

“Acho que o Autoramas nunca esteve tão legal. A formação da banda é a melhor que a gente já teve!” disse Gabriel. Conversei com ele sobre as mudanças na formação, a participação no Rock In Rio 2015 e sobre o novo disco, “O Futuro dos Autoramas”. Rrrrrrrrock:

– Sobre a nova formação, como foi a aceitação do público?

Cara, deu tudo certíssimo, acho que o Autoramas nunca esteve tão legal. A formação da banda é a melhor que a gente já teve! Os shows estão sendo superlegais, fizemos shows recentemente nos Estados Unidos e México e todos os comentários foram que o nosso show foi o melhor do festival… A gente tá muito feliz, todo mundo que está atualmente na banda, a Érika, o Melvin e o Fred, já conhecem o Autoramas a fundo. A Érika foi a primeira pessoa que escutou muitas das músicas que a gente gravou, porque eu fiz e mostrei pra ela primeiro pra ver o que ela achava, então ela está totalmente inserida no negócio. Não tem erro! É engraçado: o Autoramas mudou a formação várias vezes e isso vai me dando sempre uma confiança de que as coisas sempre podem melhorar. Hoje em dia como somos um quarteto a gente tem muito mais possibilidades. Quando a Flavinha e o Bacalhau estavam na banda, a gente já conversava sobre ter uma pessoa a mais na banda, pra poder adicionar os teclados. Por exemplo, a gente gravava uma música como “Abstrai” e tinha que adaptar o teclado para a guitarra ou para alguma outra coisa, ou seja, acabávamos fazendo ao vivo algo que não era a ideia inicial da música, então o que a gente tocava era uma adaptação da música. Hoje em dia não é mais assim e temos muito mais possibilidades. É muito legal bandas que são trio e conseguem funcionar assim. O Autoramas já não estava conseguindo fazer tudo o que queria sendo apenas um trio.

– Isso significa que o disco também terá novas direções para os sons dos Autoramas, com essas novas possibilidades como um quarteto?

Acho que o estilo vai ser o mesmo, mas as músicas estão melhores! Mais bem tocadas, ideias novas… cara, tem um monte de coisa novas, mas sempre com o estilo dos Autoramas. A gente gosta muito de explorar timbres e tal, agora com mais gente vai ficar muito mais rico, com certeza.

11133855_1074390972586014_6688842363058772731_n– Essa nova formação é quase um supergrupo dos anos 90, com membros do Acabou La Tequila, Penélope e Raimundos. O que você acha que os membros novos trazem de bom de suas antigas bandas que podem acrescentar ao som dos Autoramas?

Bom, a gente tem o Fred que é um puta baterista, foi escolhido várias vezes o melhor baterista do Brasil e meu amigo há muitos anos, candango igual eu, conterrâneo, tocou comigo em muitas coisas, nos discos dos Raimundos, nos do Little Quail, ele chegou até a fazer parte do Little Quail… A Érika, que sabe tudo da banda, foi a pessoa que ouviu muitas das músicas pela primeira vez, sabe, os rascunhos das músicas, os esqueletos, muitas músicas foram feitas falando dela, inclusive… E o Melvin, que além de ser um super baixista é uma pessoa que nos dá a possibilidade de ter mais um vocal na banda, que é uma coisa que eu sempre senti muita falta, porque nos discos dos Autoramas sempre tivemos muitas vozes e no palco a gente tinha só duas, então agora a gente tem mais essa possibilidade. O Melvin foi chamado porque também toca comigo no Lafayette e os Tremendões e fez um ótimo trabalho no disco que ainda vai sair, além de ter um astral muito bom e ser uma figura de minha confiança. Pelas nossas experiências recentes descobri que confiança é uma coisa muito importante numa banda. O que eles estão acrescentando eu sou até suspeito pra falar, então não vou ficar fazendo propaganda, está vindo o disco aí pra mostrar. Quais são as diferenças, quais são os acréscimos… o negócio tá muito bom. Eu acho melhor todo mundo escutar. Já me perguntaram “agora vai mudar o estilo do Autoramas?” Eu acho que agora nessa formação da banda, todo mundo entende que o Autoramas é o resultado de um trabalho, não é um negócio de ego, questionar métodos e tal. O que a gente está fazendo é colocar o Autoramas no devido lugar da banda que é um trabalho inteiro, porque muitas vezes o pessoal acha que a banda é um somatório de egos, e a banda na verdade é o resultado de um trabalho em grupo, é isso.

– Sem querer ser TV Fama, mas queria falar da saída da Flávia e do Bacalhau. Tem boatos falando em brigas, falta de entrosamento no final, disputa de egos… Você pode esclarecer o que aconteceu?

Bom, eu não tô sabendo desses boatos, não sei o que as pessoas comentam, e tal… A verdade é que sim, rolou briga, a gente se desentendeu por diversos motivos. Principalmente esse no final, que a Flavinha se casou com o baterista do Columbian Neckties, uma banda que eu organizei a turnê deles por aqui, eu trouxe e fiz o negócio todo, distribuí disco, eu inclusive apresentei os dois… E toda vez que a gente ia pra Europa, ela ficava mais dias depois da turnê com o cara. Até que ela começou a ir mesmo sem a gente estar indo pra Europa. Aí às vezes a gente tinha 10 dias sem show e ela já ia pra lá, saca? Cara, sei lá, o negócio foi ficando sério. Na turnê que a gente fez que durou três meses, teve uma semana que a gente deu uma parada, pra descansar e até mesmo da cara um do outro, uma coisa saudável de se fazer. Aí a gente tava na Finlândia, no dia da final da Copa do Mundo de 2014. Acabou o show, a gente já sabia que ela tava indo encontrar o namorado dela na Dinamarca e ela falou “Gabriel, eu vou me casar, sabia?” e eu falei “Não, não sabia! Quando você vai se casar?” e ela “Vou me casar depois de amanhã!” Eu fiquei meio “Como assim?”, mas nem falei nada. Mesmo nosso empresário, o Lúcio, ficou sabendo do casamento pelas fotos do Facebook, saca? Foi uma coisa no mínimo estranha pra mim, sabe, mas eu não falei nada. O Bacalhau sabia de tudo, e eu não sabia de nada! Difícil, né, cara? Depois, em janeiro, a gente ia fazer um show aqui no Rio e pintou um RJTV na Globo pra gente fazer. A gente não sabia ao certo quando ela ia chegar, ela começou a chegar um dia antes do show, ou seja: se rolasse qualquer coisa com o aeroporto, ela não chegaria, e foi isso que aconteceu. Ela marcou de chegar no dia anterior e pintou um negócio que tivemos que fazer com uma menina que ajudou a gente e gravou o programa da Globo de máscara de lucha libre mexicana. Foi bem desagradável, não foi legal. E cara, rolaram muitas coisas, eu fui descobrir depois coisas que nem vou falar aqui, coisas que já haviam sido faladas e feitas, que eu não tinha conhecimento e que o Bacalhau sabia. Então foi brabo, sabe? Na hora que tudo foi descoberto, sim, rolou uma briga. E aí a Flavinha saiu e no dia seguinte o Bacalhau falou que também estava saindo. Muita gente me perguntou porque eu não faço um lance solo. Será, cara? Pô, as minhas ideias e o projeto da minha vida é o Autoramas. Eu não tô economizando música pra pôr em outro projeto, eu nunca fiz isso, meu lance não é esse. Quando eu ponho a cabeça no travesseiro e penso em alguma coisa pra minha vida, eu penso no sucesso do Autoramas. Essa que é a verdade, sabe? Eu não sei se a galera que saiu tinha isso também. É complicado pra caramba pensar nessa parada! Se me perguntarem “Gabriel, o que você quer pra sua vida?” eu vou falar “Quero que o Autoramas esteja tocando no mundo inteiro, no Japão, na Indonésia, no México, na Costa Rica, fazendo festivais grandes, tocando pra um monte de gente, gravando”… Eu quero fazer músicas cada vez melhores para o Autoramas! Cara, o Bacalhau, quando chamei pra tocar no Autoramas, ele tinha acabado de sair do Planet Hemp expulso da banda. Cara, ele tava numa pior! Bicho, não sei se você lembra dessa época, mas o Bacalhau foi esculachado e a pessoa que foi lá estender a mão pra ele fui eu. Quando a Flavinha tocava nas Doidivinas, chegou a fazer show com zero pagantes! Eu mesmo que sou um cara conhecedor do rock não conhecia a banda, que era muito legal e nunca tinha ido tocar nem em São Paulo ainda, cara, sabe? Cara, fazer turnê internacional, conhecer o mundo, sair tocando com visto de trabalho… nunca ninguém me agradeceu disso. Pô, botei todo mundo aí na roda fazendo as paradas, cara. O Autoramas já tinha feito turnê internacional sem a Flavinha, já tinha ido pro Japão com a Simone e turnê pela Europa com a Selma. Já tinha feito um monte de coisa. O Autoramas já existiu sem o Bacalhau e já existiu sem a Flavinha. Agora, é isso que rolou, e nada disso foi falado quando neguinho saiu da banda, nada disso foi agradecido… Pra mim pelo menos não. Pra mim ninguém falou nada. Aí o negócio é esse. A gente tinha um negócio que rolava dentro da banda que era o seguinte: meus métodos eram sempre muito questionados só que ninguém dava uma proposta diferente. Não existiu uma proposta diferente, “vamos fazer de uma outra maneira”. Eram só as minhas coisas que eram questionadas, só que era o meu jeito de fazer que já existia antes da Flavinha e já existia antes do Bacalhau e que vai continuar existindo sem eles. O trabalho com o Autoramas de entrosamento tava muito bom, legal pra caramba, eu tava super satisfeito com como o trio tava tocando ao vivo, mas ninguém pensou nisso na hora de sair. Cara, tá aí, é isso, cara. Espero ter colocado mais detalhes nesses boatos que as pessoas falam. E eu tô aqui, tocando a banda. A banda poderia ter acabado, quem fez a banda não acabar fui eu, como quem fez a banda começar fui eu. Pra mim o Autoramas é acima disso tudo, cara. É isso.

– “O Futuro dos Autoramas” foi gravado onde e quem está produzindo?

A gente gravou metade do disco n’A Toca do Bandido, com minha produção, e metade no escritório, produzido por Lê Almeida.

11150850_1089279441097167_2452832792256812407_n– As músicas já estavam sendo preparadas na estrada ou começaram a acontecer depois da mudança da formação, no estúdio?

A gente nunca faz nada no estúdio, gosto de usar o estúdio só pra registrar, sabe? Uma música foi finalizada na pré-produção, o resto já estava em cadernos, na memória, juntando ideias de diferentes situações que a gente vai compondo e vai fazendo. Neste disco vai ter uma parceria minha com o Alvin L.,  que mandou um material maravilhoso, ele fez a letra e eu fiz a música, tem parceria minha com o Renato Martins do Canastra, que toca comigo no Lafayette e os Tremendões, tem músicas da Érika… Tem de tudo, tem um monte de coisa! Vai entrar aquele cover de “Be My Baby” que a gente fez. Tem bastante material diversificado. As músicas estão muito legais, as letras estão muito legais… não tenho o mínimo medo de dizer que este é o melhor disco que o Autoramas já fez.

– No último disco vocês tiveram a participação inusitada de Jô Soares tocando bongô. Podemos esperar um personagem tão inusitado no novo álbum?

O grande personagem surpresa deste disco é um cara chamado Jim Diamond, que me mandou uma mensagem no Facebook dizendo que queria trabalhar com a gente… E eu pensei “Esse nome não me é estranho”. Ele falou que queria mixar as nossas músicas. Fui dar uma procurada e é simplesmente o cara que produziu o último disco dos Sonics, os primeiros dos White Stripes e mais um monte de coisa. Não sei como ele conheceu a gente, só sei que depois do SXSW o Autoramas teve muitos comentários bons nos Estados Unidos, mas eu não sabia até aonde. Então acho que esse cara é o personagem surpresa desse disco. A gente teve também participações muito legais, como o Luiz Lopes que é guitarrista do Erasmo Carlos que tocou violão e fez vocais numa música, a gente tem sempre participação do grande tecladista amigo nosso Humberto Barros, com texturas muito boas que combinam muito com os Autoramas e o próprio Lê Almeida, que tocou guitarras super sujas como só ele sabe fazer…

– O disco também vai sair em vinil? A indústria do vinil é uma amostra de que as pessoas se interessam mais pela cultura do álbum e não só de singles?

Cara, a gente sempre faz os vinis, e singles também! Eu gosto muito de comprar discos e na verdade o meu formato preferido é o do single! (risos) Mas vamos fazer, a gente gosta de fazer em todos os formatos, eu tô louco pra lançar em cassette também, esse disco, como todos os outros… acho um grande barato!

11203156_1088453371179774_3970281004743732192_n– O novo disco já tem previsão de lançamento?

É difícil de dar uma data certa, mas o mais breve possível vai rolar. Estamos indo pra Europa e dia 16 de junho a gente volta e eu espero que já estejamos nos finalmente para o lançamento ou a prensagem, pelo menos. Por mim, saía hoje, agora mesmo. Não tenho tempo a perder. Rrrrrock.

– Os fãs dos Autoramas estão curiosos para saber os títulos das músicas que vem por aí. Dá pra adiantar alguma coisa?

Bom, temos os grandes sucessos “Verão”, “Quando a Polícia Chegar”, “Problema Seu”, “Jet To The Jungle”, que é uma música que eu fiz pro Guitar Wolf, a maior banda da atualidade no mundo, todo mundo sabe disso… A gente fez uma turnê com eles e o Seiji me pediu uma música, aí eu fiz algo bem inspirado neles mesmo e mandei. Aí ele mandou um e-mail falando “Muito boa música, muito animada!” e uma semana depois mandou outro “Olha, essa música é muito difícil de tocar, não vamos gravar não” (risos). Aí a gente gravou e ficou muito boa. Temos também uma que chama “Demais”, uma instrumental chamada “Telecatch”, uma que o Lê produziu chamada “A Sua Vinda Até Aqui” e também “O Que É Que Você Quer”

– Vocês vão tocar pela terceira vez no Rock In Rio, em um palco só com bandas brasileiras. É a terceira vez e a terceira formação, inclusive, né?

É verdade! A coisa que temos em comum é que vai ser como da primeira vez que a gente tocou, em um palco só com bandas brasileiras. É uma grande satisfação, é sempre uma felicidade total, e não só tocar: o momento em que a gente recebe o e-mail e é confirmado, o momento de anunciar, tudo isso são grandes emoções. E é um barato, cara. No mundo inteiro o Rock In Rio é conhecido como um festival gigantesco. Pra gente, estar tocando no Rock In Rio é algo que no mundo inteiro o povo vê a importância disso.

11159503_1077081902316921_6610392576970605189_n– O disco novo foi financiado por crowdfunding, gostaria que você me falasse um pouco sobre esse sistema.

Cara, fazer o crowdfunding é muito legal. É uma maneira que os fãs participam ajudando a financiar o disco. Já é a quarta vez que a gente faz projeto assim e sempre dá muito certo. Tem muita gente que pergunta se os fãs influem no disco, na arte, nas músicas… Não é nada disso: o Autoramas é uma banda em que o público já confia bastante e a gente já sabe a ordem das músicas que vão entrar, as letras… Tem gente que não entendeu nada do que é crowdfunding, inclusive a gente vê coisas muito engraçadas por aí sobre isso, a gente recebe e-mail falando “legal, votei em vocês três vezes!” (risos) Mas é um barato, mas é uma coisa trabalhosa pra caramba: eu tô aqui e vou ter que mandar quase 200 CDs, endereçar um por um… É muito legal ter esse contato, as pessoas tem curiosidades sobre as músicas, dá pra bater um papo, agora, mermão, você endereçar 200 envelopes… Ai… (risos) Mas mesmo assim eu agradeço todo mundo e todo mundo recebe o disco em casa bonitinho, assinadinho, com seu nome no agradecimento. É um barato. Gostaria de agradecer todo mundo que participou, e daqui a uns anos vamos encontrar todas essas pessoas que tem seus nomes nos agradecimentos e conversaremos sobre isso. Estamos todos juntos… um abraço a todos!

– Qual a sua opinião sobre os serviços de streaming que estão em alta hoje em dia?

Acho ótimo! Inclusive a gente recebe por serviço de streaming também. É só fazer tudo organizadinho que tá tudo certo. A melhor coisa hoje em dia pro músico é estar bem informado de como as coisas funcionam. Quando neguinho começa a ligar uma coisa com a outra, as coisas começam a dar certo. A única que eu sei que não dá dinheiro é não fazer nada e ficar reclamando. Eu acho que reclamar é um esporte que muita gente pratica hoje em dia… E eu acho chato pra caramba.

– O que você acha do atual cenário do rock no Brasil? Você acredita que o estilo pode voltar às paradas de sucesso?

Cara, eu acho que o cenário está ótimo! O rock estar em alta ou não estar em alta, pra mim nunca importou. Às vezes acho até bom, porque aí os oportunistas não estão por aí. Quero mais que essa galera se foda, sabe. Tem mais é que continuar rolando, se estiver pessoas mais por causa da modinha, é melhor que nem tenha mesmo! Se tiver quem goste de rock “só porque está na moda”, é bom que se acuse! (risos)

– Vocês já viajaram o mundo inteiro tocando. Quais bandas chamaram sua atenção e você acha que todo mundo deveria conhecer?

Eu gosto muito da dupla chilena Perrosky, sensacional… tem muita coisa boa rolando. Uma coisa que eu gosto muito é da Galícia, uma região da Espanha  que fala galego, que é bem próximo do português, chamada Novedades Carminha, que tem uma música chamada “Tu Antes Molabas”, que significa algo como “Antes Você Era Muito Legal”. Eu tô curtindo muito coisas que são famosas lá fora, como o Thee Oh Sees, o Ty Segall… É tanta coisa que é difícil de selecionar! Em Portugal tem uma banda chamada Dirty Cool Train que é muito boa, na Argentina tem uma das coisas que eu mais gosto de escutar que é o Él Mató A Un Policia Motorizado e o The Tormentos, uma banda de surf music que eu adoro. No México tem uma banda chamada Descartes a Kant que é muito legal. Tem uma banda na Alemanha que só canta em Francês e chama Paris Paris que é legal pra caramba. No Uruguai temos uma banda chamada Max Capote, e tem uma dupla americana de meninas chamada Dog Party que é um som bem bubblegum que tocou com a gente, na França tem uma dupla chamada Magnetiques, que é demais, é uma das melhores bandas no mundo hoje em dia… acho que tá bom, né bicho? Tem tanta coisa rolando, muita coisa rolando mesmo!

Confira um show completo dos Autoramas com a nova formação no SXSW:

Flávia Couri, ex-Autoramas, agita a cena rocker da Dinamarca com o The Courettes

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Flávia Couri começou sua carreira tocando guitarra nas Doidivinas, passou a integrar os Autoramas em 2008 como baixista e depois de um disco (“Música Crocante”), um DVD e um Acústico com a banda (além de muitas turnês pelo mundo) largou tudo para se juntar ao marido, o dinamarquês Martin Couri, na banda The Courettes. Se mudou de mala e cuia para a Dinamarca e está preparando o disco de estréia do duo para 2015 e já lançou as prévias “Go Go Go” e  “I’ve Been Walking” no Youtube.

“O disco está agora na fábrica e deve ficar pronto em cinco semanas. Vai ser lançado em vinil no verão europeu pelo selo alemão Sounds of Subterrania, e, se tudo der certo, também no Brasil”, promete Flavinha. Conversei com ela sobre a nova banda, a mudança para a Dinamarca e sua saída dos Autoramas:

– Como a banda The Courettes começou?

The Courettes começou através do amor! Do amor entre o Martin e eu e do nosso amor mútuo por rock garage. Foi algo que aconteceu, sem a menor pretensão, nunca planejamos nada. O amor inspira, e as ideias para as canções foram pintando e eu só tive que ir trabalhando nelas. O Martin é um ótimo baterista, muito criativo e inspirado. Tivemos a enorme sorte de nos encontrarmos e de sermos tão compatíveis na vida e na música.

– Quais são suas principais influências musicais?

ROCK N’ ROLL! Principalmente garage rock e proto punk da primeira metade dos anos 60. Sou apaixonada também por musica pop, especialmente dos 60, girl groups, Motown, Beatles & Stones & Kinks. Soul, música negra em geral, rockabilly e surf music também estão sempre na minha vitrola.

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– Como é o processo de composição de vocês?

Eu componho as músicas e escrevo as letras, mas o Martin tem um papel crucial dizendo “isso é bom” ou “isso é ruim, esquece”. Ele é quem escolhe quais as canções vão ser levadas pro estúdio pra gente trabalhar junto nos arranjos e quais vão ficar só no meu gravadorzinho em casa.

– Agora você está tocando guitarra e a banda não possui baixo, um instrumento que você defendeu por tantos anos. Como é essa mudança pra você?

O baixo sempre foi e sempre será meu instrumento principal, o instrumento com o qual eu consigo me expressar melhor. Mas eu também gosto de tocar guitarra e já tive uma banda onde eu tocava guitarra, o trio Doidivinas. Então pra mim não é uma troca do tipo “abandonei o baixo e agora estou tocando guitarra”. Foi natural no The Courettes. Como eu compus as músicas na guitarra, levei a guitarra pro estúdio. Mas estamos com idéias de experimentar no futuro eu tocar baixo em algumas músicas, ou uma guitarra-barítono. Eu vou tocar baixo sempre. Agora em abril tive a honra e o prazer de fazer uma turnê de dez dias pela Bélgica e Holanda tocando baixo com umas das maiores, melhores e lendárias bandas de rock da Dinamarca, Powersolo. O baixista deles não pode ir e eu fui convidada. Então deu pra matar as saudades do baixo.

– Vocês já estão gravando alguma coisa? Vem disco por aí?

Já gravamos, o disco esta agora na fábrica e deve ficar pronto em cinco semanas. Vai ser lançado em vinil no verão europeu pelo selo alemão Sounds of Subterrania, e, se tudo der certo, também no Brasil. A produção ficou por conta do Kim Kix, líder do Powersolo, que viu um show nosso e ofereceu gravar, produzir e mixar nosso primeiro álbum. Finalmente consegui gravar do jeito que eu sempre quis, ao vivo no estúdio, sem clic, sem edição, sem auto-tune e com pouquíssimos overdubs. O resultado foi um disco de rock n’ roll cru e sincero, e estamos muito satisfeitos e orgulhosos.

– Você saiu dos Autoramas e foi com seu marido para o exterior. Como rolou tudo isso?

Meu marido é dinamarquês e sempre morou na Dinamarca. Por dois anos eu fiquei numa ponte aérea Rio-Copenhagen sem fim, tentando conciliar com a agenda do Autoramas, que era a única coisa que me prendia ao país. No início desse ano eu percebi que tinha que tomar uma decisão, que já não fazia mais sentido voltar pro Brasil, juntei toda minha coragem e agora estou aqui. E não poderia estar mais feliz.

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– Tem gente criticando a nova formação dos Autoramas, especialmente os que imaginam que você e o Bacalhau foram expulsos, o que não ocorreu. O que você diria a essas fãs dos Autoramas?

Eu gostaria de dizer pra todos os fãs do Autoramas um sincero muito obrigada pelo carinho nos sete anos que estive na banda. Foi um período incrível da minha vida. Eu tomei a decisão de sair porque infelizmente não havia mais nenhuma condição de continuar, por uma série de motivos. Foi bastante difícil e eu lamento muito se alguns fãs sentem minha falta. Mas gostaria de convidá-los pra conhecer meu novo trabalho e espero poder levar o The Courettes pra uma tour no Brasil em breve.

– Hoje em dia poucas bandas de rock novas estão cantando em português. Porque isso ocorre?

Sinceramente não percebi isso. Conheço um monte de bandas cantando em português. As bandas que eu tive antes de me mudar pra Dinamarca sempre cantaram em português. Pela primeira vez eu estou cantando em inglês, porque as ideias pras letras vieram em inglês. Até porque meu dinamarquês ainda é muito rudimentar!

– Como é a cena rocker da Dinamarca?

Melhor agora com The Courettes!

– Indique algumas bandas e artistas novos que você adora. Se possível, independentes! :)

Aqui na Dinamarca, Columbian Neckties, Powersolo, Beatophonics e The Youth. No Brasil, Boogarins, Dead Rocks e Beach Combers. E, pelo mundo, Dip Dry Man, Fredovitch & his one man band, Thee Outlets e Mars needs Women.

Paraenses do Molho Negro promete terceiro disco de seu garage rock “sedutor para os quadris” para 2016

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Direto das garagens de Belém do Pará, o Molho Negro faz garage rock em português com influências de Danko Jones, Black Rebel Motorcycle Club e The Vines. Isso mesmo: o tecnobrega não é o único estilo musical que domina o norte de nosso país. Segundo João Lemos (voz e guitarra), a cena rocker de Belém do Pará está viva e passa muito bem, obrigado. A banda, também composta por Raony Pinheiro (baixo) e Augusto Oliveira (bateria) já tem um EP e dois discos na manga e atualmente prepara o terceiro petardo com selo de qualidade da região amazônica.
Com músicas como “Ela Prefere o DJ” e “Aparelhagem de Apartamento”, do primeiro disco, o Molho Negro chega a tocar no assunto tecnobrega, mostrando de uma forma bem-humorada a ascenção de DJs e artistas do estilo em todo o país e como o público do sudeste “aceitou” o estilo quando ele caiu nas graças da grande mídia. Já em “Black Rebel Marambaia Club” e “Fã do Nirvana”, do disco “Lobo”, de 2014, o trio fala com seu humor característico sobre a cena roqueira de Belém do Pará.
“Nada de rock cabeça. O negócio aqui é o melhor do estilo, na linha dos pioneiros como Chuck Berry e Little Richards, o objetivo é ser sedutor para os quadris e fazerem todos sacudirem com o som poderoso”, explica o release da banda em sua página no Facebook. Os discos da banda estão disponiveis para download no https://www.molhonegro.com/
Conversei com João sobre a trajetória da banda, a cena de Belém e a tal “aparelhagem de apartamento”:
– Como a banda começou?
A banda é do inicio de 2012, começou comigo e com o Augusto quando decidimos sair das nossas antigas bandas e montar uma banda nova.
– De onde surgiu o nome Molho Negro?
A banda foi batizada pelo Eric Alvarenga (do Aeroplano), que chegou com essa ideia de molho negro, a gente curtiu e deixou o nome.
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– Quais são suas principais influências musicais?
Música barulhenta, sem dúvida, pra dançar ou não. Nirvana, Eagles of Death Metal, Fidlar, Ramones… uma lista infinita!
– Vocês são uma banda de garage rock vinda diretamente da Amazônia, algo que pode parecer inusitado para alguns. Existe uma cena rock forte por aí?
Existe sim, Belém é uma cidade que possui bandas clássicas com praticamente 30 anos de carreira como o Delinquentes. Sempre teve rock por aqui, e hoje conseguimos renovar a safra de uma forma bem legal, Blocked Bones é uma das boas bandas novas da cidade.
– Vocês podem falar um pouco mais sobre a discografia da banda?
A banda tem 2 discos de estúdio, o “Molho Negro” que foi gravado em Goiânia e em Natal no ano de 2012, e o “Lobo”, todo feito em Belém e co-produzido pela banda, de 2014.
– “Aparelhagem de Apartamento” (do disco “Molho Negro”, de 2012) mostra um pouco do que as pessoas pensam sobre o som que vem da Amazônia. Vocês podem me falar um pouco mais sobre essa música e clipe?
É tudo uma grande piada sobre como as pessoas mudam de opinião a partir do momento que algo é aceitado fora daqui, por exemplo. A classe média começou a comprar o tecnobrega e etc quando o mesmo já era cult nas capitais nacionais, é irônico.
– Como é o processo de composição?
Geralmente eu rascunho alguma coisa e mostro pro resto da banda, dai trabalhamos em cima até virar música de verdade.
– Se pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?
Nossa, difícil.. já fizemos alguns, “Negro Gato”, “Dive”.. “Coração de Pedra” dos Jovens seria uma boa.
– Hoje em dia poucas bandas de rock novas estão cantando em português. Porque isso ocorre?
A minha geração já cresceu ouvindo muita coisa em inglês, absorvendo muita informação em inglês, acho que pra gente já pode ser considerado algo mais natural, e a maioria das pessoas se sentem mais confortáveis pra compor rock em inglês… pra mim em português é mais legal.
– O rock pode voltar ao topo das paradas no Brasil?
Poder acho que até pode, talvez não deva ou não precise, mas poder, sempre pode.
– Quais são as maiores dificuldades de ser uma artista independente?
O preço da passagem de avião (risos). Acho que são as mesmas dificuldades de se ter uma pequena empresa em um mercado embrionário.
– O que podemos esperar de Molho Negro em 2015? :)
Esse ano terminamos de compor o terceiro disco, que deve sair em 2016, e enquanto isso ainda tem muitas datas pra correr o Brasil todo!
– Indiquem algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes! :)
Opa! Vamo lá: Blocked Bones, Camarones Orquestra Guitarristica, The Dead Pixels, Red Boots, Zefirina Bomba, Turbo.. e por aí vai!
Ouça “Lobo” (2014) e “Molho Negro” (2012) aqui:

Os canadenses do Pow Wows misturam pop art, garage e punk rock ensandecido em seu segundo disco, “Broken Curses”

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Os canadenses do Pow Wows lançaram em fevereiro seu segundo disco completo, “Broken Curses”, recheado de garage rock, punk e rockabilly sujo. O trio de Toronto entrou no estúdio com cinco músicas que já eram tocadas em seus shows e cinco novinhas em folha e criaram o álbum, “um disco pesado sobre estar duro, batalhando e tentando achar seu caminho em um mundo de insanidade, na real”, segundo Chris McCann, guitarrista.

O Pow Wows está na ativa desde 2010 e tem rodado o Canadá, Estados Unidos e Europa levando sua versão do garage rock sessentista. “Broken Curses” também foi lançado em vinil e eles acreditam que esta cultura nunca acabará. “Enquanto existirem pessoas na Terra com toca-discos de alta fidelidade e discos pra tocar, a cultura do álbum continuará a prosperar”, disse Ryan Rothwell, vocalista e guitarrista da banda.

Conversei com Ryan e Chris sobre a carreira da banda, a preferência do público por singles e o disco “Broken Curses”

– Como a banda começou?

Ryan: Foi no verão de 2010 que aconteceu a primeira formação do Pow Wows, que contava comigo, Jay Holy, Jay Sherritt e Matt Cosgrove. Nós passamos por mudanças significativas desde que lançamos nosso primeiro disco (“Nightmare Soda”) pela Get Hip Recordings em 2011.

Chris: Eu acabei substituindo o Jay Holy logo depois que o disco saiu e botamos o pé na estrada no Canadá e nos Estados Unidos com o The Cynics duas semanas depois. Eventualmente, acabamos trilhando caminhos diferentes e o segundo Jay saiu em 2012, quando começamos a escrever um material mais desafiador. Eu apenas aumentei o volume da minha guitarra e viramos um trio a partir daí. Eventualmente, Matt saiu depois que gravou a bateria para o segundo disco (“Broken Curses”) e meu irmão Jon, que tocava no Guided By Voices e um monte de outras bandas entrou em seu lugar. Nós tivemos uma porção de outros bateristas que amamos como irmãos que se juntam a nós ao vivo na casa do Jon e nosso velho amigo Jay Lemak é parte da formação com que gravamos e se junta a nós no palco sempre que pode.

– Como surgiu o nome The Pow Wows?

R: Nós tivemos a ideia de algo meio pop art, como uma onomatopeia de quadrinhos ilustrada. Nós também pensamos que o nome tem um som meio 60’s. Tentamos respeitar as conotações culturais do termo Pow Wows e o que ele significa para o povo aborígene não utilizando imagens, artefatos ou trabalhos de nenhum tipo de música, letras ou arte deles.

C: Sim, acho que a maioria das pessoas percebe que não estamos tentando nos apropriar culturalmente do termo assim que dão uma olhada em nossos discos, camisetas, shows e etc…

– Quais são suas maiores influências?

R: Bob Dylan, Velvet Underground, Clash, Buddy Holly, Elvis Presley, muita coisa do começo do rock’n’roll, punk, rocksteady, garage, big band, inúmeros discos dos mais variados estilos do mundo todo, do começo das músicas sendo gravadas até hoje.

C: The Cramps, Bo Diddley, Flamin’ Groovies, Davie Allan, MC5, The Gun Club, Link Wray, Mitch Ryder & The Detroit Wheels, Buddy Holly, Bob Dylan e por aí vai. Nós todos também ouvimos bastante soul e R&B do começo, além de rockabilly e country music de raiz, o que acaba influenciando nosso material.

– Me falem um pouco de seu mais recente álbum,”Broken Curses”.

C: Bom, um dia fomos até o estúdio e apenas pegamos as 10 músicas que eram as mais quentes para nós. Metade delas haviam sido treinadas no palco e metade era nova em folha. Nós realmente não consideramos se as músicas iam ficar boas em conjunto, como um disco, mas continuamos trabalhando em sua produção, então se tornou algo que trabalhamos como um todo e entregamos para a Get Hip e eles lançaram para que todos os garotos possam tocá-lo alto em seus toca-discos e telefones!

R: É um disco pesado sobre estar duro, batalhando e tentando achar seu caminho em um mundo de insanidade, na real. Fazer sentido ao crescer e virar adulto enquanto mantêm seus ideiais intactos. Tudo isso com um som selvagem. E com um cover do Equals pra aliviar o clima!

A capa do disco "Broken Curses"

A capa do disco “Broken Curses”

– A cultura do “álbum” está morta? As pessoas apenas querem os singles, hoje em dia?

R: Se formos pensar no mainstream, talvez, apesar de estarmos na 10ª rodada de relançamentos de discos que estão em cada porão sombrio para satisfazer o ressurgimento do vinil…  é apenas um constante fluxo e refluxo de como as pessoas ouvem sua música e como ela serviu para eles, seja em download digital, streaming ou produto físico. Muito disso é baseado em tendências e conveniência, como com qualquer outra mercadoria. Mas enquanto existirem pessoas na Terra com toca-discos de alta fidelidade e discos pra tocar, a cultura do álbum continuará a prosperar.

C: Acho que um monte de ouvintes ainda ficam ligados inicialmente em um único single quente e de lá querem experimentar a coisa toda e então comprá-la, ou, mais provavelmente, roubar ou transmiti-lo gratuitamente. As vendas de discos de vinil estão subindo a cada ano em um ritmo gigante, isso é um sinal de que as pessoas ainda querem sentar e fumar um baseado ou fazer yoga e ouvir 30 minutos de histeria garage punk.

– Se vocês pudessem gravar QUALQUER cover, qual seria?

C: Eu gostaria de fazer uma cover de ‘Hold On Baby’ de Ike & Tina Turner.

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R: ‘Night of the Vampire’, do The Moontrekkers.

– Como vocês definiriam o som do The Pow Wows?

C: O som de 3 caras e seus amplificadores e guitarras tentando serem levados aos céus, mas mais frequentemente sendo arrastados aos fogos e tentações malignas do submundo.

R: Yep.

– Vocês fazem um som alto, sujo e barulhento. Este tipo de som está em falta, hoje em dia?

C: Acho que sim, tem um monte de bandas bem sujas por aí ultimamente (risos). Acho que quanto mais, melhor, contanto que todos tenhamos músicas BOAS de verdade para oferecer ao mundo.

R: Eu concordo, vamos ser imundos quando o imundo é bom. Mas sim, boas canções são a resposta.

– Quais são os próximos passos do Pow Wows?

C: Estamos de volta ao estúdio agora. Temos um split 10″ saindo agora com o Twin Guns de Nova York pela Boppadodown Records e um single 7″ pela Hidden Volume Records, que são um selo incrível que só lança singles e só tem produtos insanamente ótimos.

R: Estamos planejamento uma tour pela costa leste do Canada em Julho e queremos ir pra Europa este ano também.

– Quais bandas vocês ouviram recentemente que chamaram sua atenção?

C: Eu não sei se são bandas novas, mas algumas contemporâneas que eu gosto são The Above, Reigning Sound, John Paul Keith, Baby Shakes, Gentleman Jesse e The Sadies.

R: Natural Child, Reigning Sound, Nox Boys, Kreeps, Mimico, Sadies, Cynics, Frowning Clouds, Los Tones, Twin Guns, Quitty and the Don’ts, e King Creep.

Ouça o disco “Broken Curses” completo aqui:

Carlos Maltz, ex-Engenheiros do Hawaii, lança livro “O Último Rei do Rock” e single “Lanterna na Proa”

CARLOS MALTZ

Carlos Maltz, baterista dos Engenheiros do Hawaii entre 1986 a 95, lançou este ano seu segundo livro, “O Último Rei do Rock” e um novo single solo, “Lanterna na Proa”. “Atualmente eu sou psicólogo e atendo em meu consultório em Brasília. Não tenho mais tempo para estar na estrada fazendo shows”, explica, deixando claro que os dias de membro de uma grande banda de rock já são parte de um passado nostálgico, preferindo explorar seu lado escritor.

“Como é viver à sombra de um mito? Ou, pior, de um legítimo rei do rock: John Lennon. Essa é a sina de Juan LMK, que pelos desígnios do acaso nasceu no mesmo  dia, hora e hospital onde morria o gênio dos Beatles. Estamos em 2020, e a banda de Juan, a Paralelepípedos do Óbvio, está decadente e vive das migalhas que caem das mesas dos últimos fãs, quando Juan recebe um convite absurdo e inesperado: tornar-se o garoto propaganda de um novo produto que vai mudar a história da humanidade, o primeiro implante nano-neural para a expansão da inteligência. Juan tem a oportunidade de se tornar o que sempre sonhou em segredo: mais famoso do que John Lennon”. Esta é a sinopse de “O Último Rei do Rock,” estreia de Maltz na ficção, lançando um olhar detetivesco e analítico sobre a indústria musical e a cultura pop.

Conversei com Maltz sobre o novo livro, o single e sua carreira:

– Você está lançando uma música nova, em conjunto com o livro “O Último Rei do Rock”. Pode me falar um pouco deste novo projeto?

Bom, na verdade, eu estou lançando mesmo é o livro “O Último rei do Rock”. A idéia de gravar a música veio na sequência. Eu já tinha essa música há muito tempo. O pessoal da Editora me pediu uma idéia de promoção pro livro. Eles queriam alguma foto antiga ou gravação rara dos Engenheiros, pros fãs, esse tipo de coisa. Eu disse a eles que não tenho praticamente mais nada de material antigo, que eu já passei tudo pra frente, já passei tudo o que eu tinha pros fãs. Então resolvemos partir pra uma gravação nova. Pra mostrar o que eu estou fazendo agora. Que tem muito mais a ver com o livro, inclusive.

– Seu primeiro livro, “Abilolado Mundo Novo”, foi acompanhado de shows. “O Último Rei do Rock” seguirá essa linha?

Não sei. Provavelmente não. Atualmente eu sou psicólogo e atendo em meu consultório em Brasília. Não tenho mais tempo para estar na estrada fazendo shows. Isso exige um bocado de trabalho e atenção.

– Quais são suas principais influências musicais?

Pink Floyd, Led Zeppelin, Rush, Zé Ramalho. E as bandas dos anos oitenta.

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– O projeto Irmandade ainda está na ativa?

Não. A galera mora toda no Rio e eu me mudei pra Brasília em 2000. Nós tocamos juntos até essa época, mais ou menos.

– Seu último disco solo saiu em 2001. Está preparando um novo ou está focado em seus outros projetos, como a literatura?

Bom, eu tenho material pra gravar um disco novo, mas, no momento, não tenho tempo pra me dedicar a isso. Entre escrever livros, atender o povo e os meus estudos na Psicologia e na Astrologia, não sobra muito tempo.

– Você ainda tem contato com os membros do Engenheiros do Hawaii, banda da qual é fundador?

Basicamente com o Humberto. A gente se comunica on-line, e se encontra de vez em quando pra tocar em algum show, quando ele toca aqui em Brasília.

– Você continuou tendo uma relação com o Humberto Gessinger mesmo depois de sua saída da banda. Acredita que pode haver uma reunião, como rolou com o Ira?

Poder, pode. Mas não sei se a gente quer. Não sei se ele quer. Eu mesmo, nesse momento, não quero. Estou olhando mais pra frente do que pra trás. Engenheiros teve o seu tempo. Estou vivendo outras coisas nesse momento. Não pretendo me tornar uma estátua num museu de cera de mim mesmo. Nem estou dizendo que os caras do Ira ou seja quem for estejam fazendo isso. Mas os Engenheiros aconteceram de uma forma natural, em um determinado momento. As coisas estavam acontecendo, a banda foi uma consequência. Reunir agora seria uma coisa totalmente diferente, artificial. Entendo as pessoas, os fãs que querem que isso aconteça. Mas eu sou uma pessoa além de ser um personagem na história que rola na cabeça deles. Sou uma pessoa e tenho a minha vida além dos out-doors da celebridade. Uma vez perguntaram ao John quando os Beatles voltariam, ele disse: quando nós voltarmos ao high school. Isso faz muito sentido pra mim.

– Quais as suas canções preferidas de tocar do Engenheiros do Hawaii?

Meu disco preferido é o “Revolta dos Dândis”, de 1987.

– Você também participou do projeto Pouca Vogal do Gessinger. Como foi esse reencontro?

Sempre é legal. A gente tem alguma química quando toca junto. A gente aprendeu a tocar juntos. A errar juntos. Eu aprendi a tocar bateria pra acompanhar o Gessinger. Então… É meio natural, entende? Mesmo que a gente fique muito tempo sem tocar junto.

– Diga algumas bandas que não são conhecidas do grande público e você acredita que todo mundo deveria conhecer.

Não sei. tô por fora disso. Não sou o cara mais indicado pra fazer essas indicações. Tenho escutado o Muse. Acho que eles estão caminhando pra ser a banda numero 1. Têm uma fundação muito sólida no rock antigo, e uma compreensão bem ampla do que é fazer Rock’n’Roll hoje.

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