Crush em Hi-Fi

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Londrinas do Colour Me Wednesday contam mais sobre seu indie rock DIY feminista e “livre de homens”

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O Colour Me Wednesday se define em sua página do Facebook como “FEMINIST LEFT-WING ETC. DIY PUNK AND INDIE AND POP FROM WEST LONDON”. O DIY é ao pé da letra: para distribuir seu primeiro EP, as membras da banda criaram as capas dos CDs com pedaços de caixas de cereal matinal e pararam de produzir assim que a demanda passou dos limites do estoque de Sucrilhos que elas tinham em casa.

O grupo é formado pelas irmãs Harriet (guitarra, voz) e Jennifer Doveton (guitarra), junto com Carmela Pietrangelo (baixo). Depois de passarem por algumas formações em que o baterista era homem, o trio está procurando a baterista perfeita para uma formação só com garotas (segundo as redes sociais da banda, hoje em dia quem assume as baquetas é uma garota chamada Lizzie). As garotas, fãs de gatinhos, dançar sóbrias e “Buffy, a Caça-Vampiros”, conversaram comigo sobre a atitude Do It Yourself da banda, o indie rock dos dias de hoje e músicas saindo de vaginas:

– Como a banda começou?

Harriet: Eu gosto bastante de Juliana Hatfield e queria aprender a tocar guitarra como ela quando eu tinha 17 anos. Acabei fazendo música com algumas amigas minhas, mas não tínhamos uma vocalista e eu tinha muito medo de cantar. Na época ia acontecer uma “batalha de bandas” na região e nós queríamos muito entrar. Por sorte, Jen tinha acabado de começar a cantar na frente de pessoas, então juntamos forças e começamos o Colour Me Wednesday. Isso foi anos antes de a Carmela entrar na banda.

– Como surgiu o nome Colour Me Wednesday?

Harriet: Basicamente pegamos palavras de um chapéu e inventamos o significado depois! (Risos)

– Quais são suas influências musicais?

Jen: Juliana Hatfield, Billie Piper, Destiny’s Child.

Harriet: Quando começamos a banda, estávamos ouvindo bastante bandas como Lemuria e Sky Larkin também. Guitarras realmente inspiradoras.

Carmela: Provavelmente PJ Harvey, Pogues, Suzanne Vega.

– Me contem um pouco sobre o que vocês já lançaram.

Jen: Tivemos um EP de amostra em que fizemos a capa de cada um à mão com caixas de cereais. Em pouco tempo a demanda online cresceu e não conseguimos continuar, então começamos a trabalhar em um álbum, que acabamos lançando em 2013 com o nome “I Thought It Was Morning“.

Harriet: Lançado pela Discount Horse Records.

Jen: No ano passado a banda Spoonboy, de Washington, nos chamou para fazer um split pois estávamos em tour com eles. Tínhamos 5 faixas e trabalhamos nelas, gravando tudo em casa (como todas nossas músicas) e esse disco saiu no verão passado! Tentamos sempre co-lançar tudo em nosso próprio selo, “Dovetown”, também.

Carmela: Estamos escrevendo músicas novas e trabalhando em nosso segundo disco. O primeiro tinha várias músicas antigas, então o segundo provavelmente terá um estilo um pouco diferente, mais próximos do que temos no split com o Spoonboy.

1970909_10151937528013053_239069328_n– Como você acha que o Youtube e a internet em geral ajudam a promover novas bandas e fazer com que fiquem conhecidas por todo o mundo?

Jen: Bom, as gravadores já estão no marca-passo. É cada vez mais difícil conseguir um contrato com um selo, especialmente se sua banda é de garotas, o que é visto como um nicho. Eu gosto da ideia de que online, se você trabalhar duro, produzir um monte de coisas e tornar tudo isso disponível você pode se beneficiar. Enquanto isso, as rádios e a indústria musical continuam sendo sobre quem você conhece e quem você paga ao invés de quão duro você trabalha ou quanto talento você tem.

Carmela: Tem gente que paga para ter mais visualizações e curtidas, mas ainda tem maneiras de se fazer disponível na internet sem pagar. Porque você se direciona às pessoas que querem te ouvir.

– Como é seu processo criativo?

Harriet: Livre de homens. Músicas saindo de vaginas.

Jennifer: Não sei… Cada música é diferente e tem um processo diferente. Quando uma de nós tem uma música nova, trazemos para a mesa e todos trabalhamos nela, talvez gravamos uma demo…

– Se vocês pudessem fazer uma cover de QUALQUER música, qual seria?

Harriet: Toda a trilha de “Nashville”.

Jen: Nós PODEMOS fazer cover de qualquer música. Quem disse que não podemos? (Risos)

Harriet: Recentemente fizemos uma cover de “I Fall To Pieces” da Patsy Cline.

Jen: Bom, acho que teriam algumas músicas que acharíamos muito difíceis…

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– Como vocês definem o som da banda?

Carmela: Umm, rock político dos 90’s. Tem bastante guitarras dos 90’s no meio.

Harriet: Indie pop punk de aquecer o coração com harmonias importantes.

Jen: Otimista, mas triste.

– O que vocês acham das músicas que são lançadas hoje em dia?

Harriet: Eu estava mesmo falando do indie mainstream um dia desses, na verdade, porque estávamos ouvindo a banda de um amigo nosso chamada Mammoth Penguins e isso me fez pensar. Uma das músicas deles, “When I Was Your Age”, é um hino indie épico e é melhor que metade das coisas que você ouve na XFM ou rádios rock por aí. Porém, não será tão popular quanto aquelas boy bands horríveis. Apesar disso, eu gosto de um monte de músicas pop que são lançadas.

Jen: Sim, eu não acredito em ser preciosista sobre música. Eu ouçoestações de rádios pop e qualquer outra coisa. É óbvio um monte de coisa é criada para ganhar dinheiro rápido, mas um monte de gente acha essas músicas realmente cativantes e amam dançar com elas, então não podem ser tão ruim assim!

Carmela: Bem, eu acho que estou ouvindo qualquer coisa que eu quiser. Eu gosto de um monte de pop mainstream, mas, apesar disso, um monte de que eu ouço além disso é de pessoas que conheço pessoalmente. O que é uma coisa bacana agora – é acessível. Tem um monte de indie rock que eu não me incomodo em escutar agora, em vez disso prefiro um monte de bandas com quem já tocamos.

– Onde vocês gostariam de ver sua carreira em 10 anos?

Harriet: Disco de platina. (Risos) Nah, apenas apreciadas e com pessoas colecionando nossos discos e entusiasmados com nossas letras e o que queremos dizer. Isso está acontecendo em parte agora, queremos mais disso.

Jen: Poder fazer tours pelo mundo e nos bancarmos. Conhecer mais e mais músicos que possamos ajudar e trazer para nossa comunidade.

Harriet: Assim você faz a gente parecer um culto.

Carmela: Sim, ter tempo para escrever mais e criar coisas de que realmente nos faz orgulhosas. E continuar nos desafiando musicalmente. E poder fazer mais turnês, visitar novos lugares e tocar com um monte de gente diferente! Em 10 anos, espero que nosso som cresça ainda mais e seja um pouco diferente, para que saibamos que não ficamos no mesmo lugar.

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– Quais são os próximos passos do Colour Me Wednesday?

Carmela: Álbum 2. Formação só com garotas.

Jen: Queremos organizar mais shows. Levar a Dovetown mais fundo.

Carmela: Fazer mais gravações com a Dovetown e lançar nosso disco por ela. Levar pra frente.

Harriet: Colour Me Wednesday e The Tuts vão tomar conta.

– Pra finalizar, me digam quais bandas chamaram sua atenção recentemente.

Harriet: Bully, é ótimo.

Jen: Allison Crutchfield.

Harriet: Ouvi uma música no Rookie Mag outro dia de uma banda chamada Shunkan e achei ótima. Girl Pool também. E Go Violets são legais. Não tenho certeza quão novas essas bandas são, na verdade.

Carmela: Okinawa Picture Show – São uma banda completa agora. Muito boa.

Ouça o disco “I Thought It Was Morning” completo aqui:

“Rivalidade, só no futebol”, diz power trio argentino Petit Mort, que lança disco “Bite The Hook” amanhã

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Passeando por todo o país levando seu rock rasgado e barulhento, o power trio argentino Petit Mort completou em 2015 a marca de 70 shows no Brasil. Amanhã a banda lança seu quarto disco, “Bite The Hook”, gravado em Buenos Aires e mixado na cidade de Geldern, na Alemanha.

O trio passeou tanto pelo nosso país (São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além dos conhecidos Festival Do Sol (Natal, RN), Vaca Amarela (Goiânia, GO) e Grito Rock e muitos outros locais) que resolveu ficar um pouco mais por aqui: fixaram residência em Florianópolis, em Santa Catarina. Formado por Michelle Mendez na guitarra e vocal, Juan Recio no baixo e Jacques Blasetti, o Petit Mort foi formado em 2007, sob a influência de bandas da década de 90 como Nirvana, Pearl Jam, Incubus, Melvins, PJ Harvey, Faith No More, Rage Against the Machine, entre outros.

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Além de conhecer muito bem o nosso país, a banda também completou a marca de 100 shows na Europa. Em 2012 fizeram turnê pelo terceiro ano consecutivo no velho continente (Inglaterra, Holanda, Alemanha, França, Bélgica, República Checa, Suíça). Dois dos discos da Petit Mort, “Du Bist” e “Spit In“, foram produzidos, gravados e distribuídos na Alemanha pelo produtor alemão Olaf Zwar no estúdio Benthus, onde “Bite The Hook” foi mixado.

Conversamos um pouco com Michelle Mendez sobre a banda, rock latino e a famosa rivalidade entre Brasil e Argentina.

– Como o trio se formou?
A banda começou no 2007 em Buenos Aires, com mais um guitarrista. Em 2008 o guitarrista saiu, e na hora a gente saiu em turnê pelo sul da Argentina e Chile. Foi massa, é bem divertido tocar em trio, a gente ficou se sentindo super comfortável com a formação. Cada um tem que dar o melhor com o seu instrumento.

– De onde surgiu o nome Petit Mort?
Na França eles chamam de Petit Mort o orgasmo feminino. Os franceses ficaram felizes da gente ter botado esse nome, imagina…

– Vocês gravaram dois discos na Alemanha e dois em sua terra natal, a Argentina. Qual é a diferença entre os dois em matéria de gravação? Pretendem gravar em mais lugares?
Na primeira turne que a gente fez na Europa, em 2010, fomos convidados por um produtor alemão pra gravar o disco “Spit In” no estudo Benthus, na Alemanha. Foi uma surpresa pra gente. Ele ouviu a banda pelo Myspace, viajou da Alemanha ate Holanda pra asisstir um show e levou a gente pro estudo pedindo para gravar as mesmas musicas que ele viu no show. Experiência massa. No ano seguinte, a gente voltou a gravar no meio da turnê europeia, numa correria gigante, gravando as vocais às 2 da manhã porque no dia siguiente tínhamos que viajar pra outra cidade pra fazer mais um show. Então esse disco novo ficou irado! A gente sempre gravou no meio das turnês, no meio duma correria.

Pra gravar “Bite the Hook” a gente parou de viajar por um ano, ficamos em Buenos Aires compondo, gravando e mixando junto com o alemão Sebastian Benthin. Ficou bem fuderoso. A gente tá planejando apresentar o disco novo no Brasil o ano todo e gravar um split com uma banda amiga lá pelo meio de ano. A gente já fez 100 shows na Europa e queremos voltar por mais 100 esse ano! Tocar, tocar e tocar é a única coisa que a gente tem na agenda!

capa do disco "Bite The Hook", que sai amanhã

capa do disco “Bite The Hook”, que sai amanhã

– Como foi a estadia no Brasil? O que vocês acham da rivalidade Argentina x Brasil que tanto se fala?
A gente fez 5 turnês pelo Brasil, tocamos em 10 estados e posso te falar que essa rivalidade existe só no futebol. Muito amor.

– O que vocês acham da resistência dos brasileiros em ouvirem músicas latinas que não sejam feitas no Brasil?
Nunca vimos essa resistência, nem ouvimos falar. O Brasil foi sempre muito receptivo com a gente, especialmente no interior . Muitas pessoas com vontade de trocar uma ideia, fomos sempre muito bem vindos. Tanto que fizemos 70 shows em um ano e queremos lançar o disco novo pelo Brasil todo.

– Eu na verdade quis me referir à resistência do brasileiro em escutar rock latino cantado em espanhol…
Não sabia disso! Talvez porque a gente tocou muito no sul do Brasil, onde gostam de muitas bandas em espanhol, conhecem bastante da cena da Argentina, tem vários produtores puxando o intercâmbio, o que acredito que faz as pessoas se acostumarem com o espanhol. Mas geralmente aqui no Brasil a gente tem tocado com muitas bandas que cantam em inglês mesmo. A maioria das nossas musicas é em inglês, também…

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– Que bandas brasileiras vocês conhecem e acham que todo mundo deveria conhecer?
A gente ADORA Macaco Bong e Medulla, e ouvimos muitas bandas com que dividimos palco. O Brasil tem uma cena autoral muito massa, a gente ouve muita música brasileira em casa. Todo mundo deveria estar ouvindo a banda Skrotes de Florianópolis, Topsyturvy de Mogi das Cruzes, Far from Alaska, Hellbenders, Black Drawing Chalks, Dry, Shotgun Wives, Red Boots, Evening, Rinoceronte, Litera, Soma, Dones Primata, Katss, Hang Overs, Inky, Mad Grinder… são muitas, poderia te falar mais várias. A gente conheceu tanta banda boa que na última turnê pelo Brasil que voltamos pra Buenos Aires com uma caixa cheia de discos de bandas que tínhamos conhecido dividindo palco.

– Indiquem algumas bandas argentinas que os brasileiros deveriam ouvir!
As bandas que fizeram historia no rock argentino que a gente gosta de ouvir são Sumo e Divididos. No under tem um selo puxando a cena stoner, Venado Records, que lança várias propostas legais.

Ouça o som do Petit Mort (*atualizado com o disco Bite The Hook):

 

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BANDCAMP: http://petitmort.bandcamp.com

FACEBOOK: www.facebook.com/petitmortargentina

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