Crush em Hi-Fi

Música, trilha sonora, CDs, discos, DVDs, mp3, wmas, flac, clipes, ruídos, barulho, sonzera ou como quer que você queira chamar.

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Londrinas do Colour Me Wednesday contam mais sobre seu indie rock DIY feminista e “livre de homens”

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O Colour Me Wednesday se define em sua página do Facebook como “FEMINIST LEFT-WING ETC. DIY PUNK AND INDIE AND POP FROM WEST LONDON”. O DIY é ao pé da letra: para distribuir seu primeiro EP, as membras da banda criaram as capas dos CDs com pedaços de caixas de cereal matinal e pararam de produzir assim que a demanda passou dos limites do estoque de Sucrilhos que elas tinham em casa.

O grupo é formado pelas irmãs Harriet (guitarra, voz) e Jennifer Doveton (guitarra), junto com Carmela Pietrangelo (baixo). Depois de passarem por algumas formações em que o baterista era homem, o trio está procurando a baterista perfeita para uma formação só com garotas (segundo as redes sociais da banda, hoje em dia quem assume as baquetas é uma garota chamada Lizzie). As garotas, fãs de gatinhos, dançar sóbrias e “Buffy, a Caça-Vampiros”, conversaram comigo sobre a atitude Do It Yourself da banda, o indie rock dos dias de hoje e músicas saindo de vaginas:

– Como a banda começou?

Harriet: Eu gosto bastante de Juliana Hatfield e queria aprender a tocar guitarra como ela quando eu tinha 17 anos. Acabei fazendo música com algumas amigas minhas, mas não tínhamos uma vocalista e eu tinha muito medo de cantar. Na época ia acontecer uma “batalha de bandas” na região e nós queríamos muito entrar. Por sorte, Jen tinha acabado de começar a cantar na frente de pessoas, então juntamos forças e começamos o Colour Me Wednesday. Isso foi anos antes de a Carmela entrar na banda.

– Como surgiu o nome Colour Me Wednesday?

Harriet: Basicamente pegamos palavras de um chapéu e inventamos o significado depois! (Risos)

– Quais são suas influências musicais?

Jen: Juliana Hatfield, Billie Piper, Destiny’s Child.

Harriet: Quando começamos a banda, estávamos ouvindo bastante bandas como Lemuria e Sky Larkin também. Guitarras realmente inspiradoras.

Carmela: Provavelmente PJ Harvey, Pogues, Suzanne Vega.

– Me contem um pouco sobre o que vocês já lançaram.

Jen: Tivemos um EP de amostra em que fizemos a capa de cada um à mão com caixas de cereais. Em pouco tempo a demanda online cresceu e não conseguimos continuar, então começamos a trabalhar em um álbum, que acabamos lançando em 2013 com o nome “I Thought It Was Morning“.

Harriet: Lançado pela Discount Horse Records.

Jen: No ano passado a banda Spoonboy, de Washington, nos chamou para fazer um split pois estávamos em tour com eles. Tínhamos 5 faixas e trabalhamos nelas, gravando tudo em casa (como todas nossas músicas) e esse disco saiu no verão passado! Tentamos sempre co-lançar tudo em nosso próprio selo, “Dovetown”, também.

Carmela: Estamos escrevendo músicas novas e trabalhando em nosso segundo disco. O primeiro tinha várias músicas antigas, então o segundo provavelmente terá um estilo um pouco diferente, mais próximos do que temos no split com o Spoonboy.

1970909_10151937528013053_239069328_n– Como você acha que o Youtube e a internet em geral ajudam a promover novas bandas e fazer com que fiquem conhecidas por todo o mundo?

Jen: Bom, as gravadores já estão no marca-passo. É cada vez mais difícil conseguir um contrato com um selo, especialmente se sua banda é de garotas, o que é visto como um nicho. Eu gosto da ideia de que online, se você trabalhar duro, produzir um monte de coisas e tornar tudo isso disponível você pode se beneficiar. Enquanto isso, as rádios e a indústria musical continuam sendo sobre quem você conhece e quem você paga ao invés de quão duro você trabalha ou quanto talento você tem.

Carmela: Tem gente que paga para ter mais visualizações e curtidas, mas ainda tem maneiras de se fazer disponível na internet sem pagar. Porque você se direciona às pessoas que querem te ouvir.

– Como é seu processo criativo?

Harriet: Livre de homens. Músicas saindo de vaginas.

Jennifer: Não sei… Cada música é diferente e tem um processo diferente. Quando uma de nós tem uma música nova, trazemos para a mesa e todos trabalhamos nela, talvez gravamos uma demo…

– Se vocês pudessem fazer uma cover de QUALQUER música, qual seria?

Harriet: Toda a trilha de “Nashville”.

Jen: Nós PODEMOS fazer cover de qualquer música. Quem disse que não podemos? (Risos)

Harriet: Recentemente fizemos uma cover de “I Fall To Pieces” da Patsy Cline.

Jen: Bom, acho que teriam algumas músicas que acharíamos muito difíceis…

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– Como vocês definem o som da banda?

Carmela: Umm, rock político dos 90’s. Tem bastante guitarras dos 90’s no meio.

Harriet: Indie pop punk de aquecer o coração com harmonias importantes.

Jen: Otimista, mas triste.

– O que vocês acham das músicas que são lançadas hoje em dia?

Harriet: Eu estava mesmo falando do indie mainstream um dia desses, na verdade, porque estávamos ouvindo a banda de um amigo nosso chamada Mammoth Penguins e isso me fez pensar. Uma das músicas deles, “When I Was Your Age”, é um hino indie épico e é melhor que metade das coisas que você ouve na XFM ou rádios rock por aí. Porém, não será tão popular quanto aquelas boy bands horríveis. Apesar disso, eu gosto de um monte de músicas pop que são lançadas.

Jen: Sim, eu não acredito em ser preciosista sobre música. Eu ouçoestações de rádios pop e qualquer outra coisa. É óbvio um monte de coisa é criada para ganhar dinheiro rápido, mas um monte de gente acha essas músicas realmente cativantes e amam dançar com elas, então não podem ser tão ruim assim!

Carmela: Bem, eu acho que estou ouvindo qualquer coisa que eu quiser. Eu gosto de um monte de pop mainstream, mas, apesar disso, um monte de que eu ouço além disso é de pessoas que conheço pessoalmente. O que é uma coisa bacana agora – é acessível. Tem um monte de indie rock que eu não me incomodo em escutar agora, em vez disso prefiro um monte de bandas com quem já tocamos.

– Onde vocês gostariam de ver sua carreira em 10 anos?

Harriet: Disco de platina. (Risos) Nah, apenas apreciadas e com pessoas colecionando nossos discos e entusiasmados com nossas letras e o que queremos dizer. Isso está acontecendo em parte agora, queremos mais disso.

Jen: Poder fazer tours pelo mundo e nos bancarmos. Conhecer mais e mais músicos que possamos ajudar e trazer para nossa comunidade.

Harriet: Assim você faz a gente parecer um culto.

Carmela: Sim, ter tempo para escrever mais e criar coisas de que realmente nos faz orgulhosas. E continuar nos desafiando musicalmente. E poder fazer mais turnês, visitar novos lugares e tocar com um monte de gente diferente! Em 10 anos, espero que nosso som cresça ainda mais e seja um pouco diferente, para que saibamos que não ficamos no mesmo lugar.

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– Quais são os próximos passos do Colour Me Wednesday?

Carmela: Álbum 2. Formação só com garotas.

Jen: Queremos organizar mais shows. Levar a Dovetown mais fundo.

Carmela: Fazer mais gravações com a Dovetown e lançar nosso disco por ela. Levar pra frente.

Harriet: Colour Me Wednesday e The Tuts vão tomar conta.

– Pra finalizar, me digam quais bandas chamaram sua atenção recentemente.

Harriet: Bully, é ótimo.

Jen: Allison Crutchfield.

Harriet: Ouvi uma música no Rookie Mag outro dia de uma banda chamada Shunkan e achei ótima. Girl Pool também. E Go Violets são legais. Não tenho certeza quão novas essas bandas são, na verdade.

Carmela: Okinawa Picture Show – São uma banda completa agora. Muito boa.

Ouça o disco “I Thought It Was Morning” completo aqui:

Diretamente de Austin, The Dirty Knees investe em blues sujo com influências de punk, rockabilly e country

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Vinda diretamente de Austin, Texas, a Dirty Knees é um trio que toca blues misturado com electro-pop, punk e rockabilly. Capitaneada por Lisa Dahl e contando com Gabe Rhodes e Christopher Durst tocando diversos instrumentos, a banda está preparando as músicas de seu primeiro disco a ser lançado ainda em 2015.

Conversei com Lisa sobre as influências do Dirty Knees e o que vem por aí:

Como a banda começou?

Eu já estava tentando começar uma banda nova a algum tempo, que juntasse tanto blues quanto punk. Mas a ideia não se concretizaria até uma bela noite chuvosa, num quarto de hotel (Não é em lugares assim que começam todas as boas histórias?). Eu vinha acompanhando o Christopher Durst em uma de suas coberturas fotográficas quando o show que ele havia sido contratato para cobrir naquela noite foi cancelado. Por sorte, eu havia trazido minha guitarra comigo, e não muito tempo depois já começamos a rascunhar a base de algumas músicas novas. Depois de alguns meses trabalhando como dupla, percebemos que um terceiro membro com certeza traria uma nova cara ao nosso som. E temos agredecido ao universo todos os dias desde que encontramos essa terceira parte da banda, Gabriel Rhodes.

Você pode nos apresentar os membros da banda?

Gabriel Rhodes é um multi-instrumentista, que já vem se apresentando, gravando e produzindo desde a adolescência. Ele já produziu e gravou para artistas como Willie Nelson, Billy Joe Shaver, Kimmie Rhodes, Waylon Jannings, Ray Price, Emmylou Harris, James Burton, Jimmy LaFave e Calvin Russell, entre outros. Ele já participou também de outros álbuns distribuídos em mais de 17 países nos últimos 10 anos. Também participou da produção de “Beautiful Dreamer:The Songs of Stephen Foster”, que ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Folk Tradicional em 2005. Christopher Durst tambem é um multi-instrumentista que comecou sua carreira musical muito cedo. Sua carreira começou como proprietário de uma companhia de empresariado musical, estúdio de gravação e produção musical em Los Angeles, Califórnia. Na época gravou dois álbuns grunge, mas com o tempo acabou mudando o rumo e se tornou um fotógrafo musical mundialmente renomado. Eu, Lisa Dahl, a “front woman”, comecei escrevendo músicas e me apresentando aos cinco anos, cantando, tocando violino, guitarra e piano. Antes de assumir a frente do The Dirty Knees, fiz parte de outras bandas, fui dona de uma companhia musical, co-produtora de clipes e trabalhei na indústria de filmes independentes.

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Quais são suas maiores influências musicais?

Pessoalmente, eu me inspiro bastante em artistas como Joan Jett, Blondie, Allison Mosshart e Marc Bolin. Algumas de nossas maiores influências são The Cramps, The Stooges, Son House, Elmore James, R.L. Burnside, Etta James, Ritchie Valens, Social Distortion, Jack White, Seasick Steve, ZZ Ward, The Sex Pistols, Ramones, David Bowie, Beck, e Willie Nelson. Algumas pessoas podem se surpreender ao descobrir que também sou apaixonada por música clássica, como Beethoven e Tchaikovsky, e a antiga música gospel americana. Gabriel também cita entre suas influências Django Reinhardt,John Lennon, Mozart, Lightning Hopkins, Astor Piazola e Keith Richards.

A cultura do “álbum” está morta? Hoje em dia as pessoas só escutam os singles?

Jack White fez um trabalho brilhante com gravações e manobras de marketing para popularizar novamente o vinil, o que ajudou essa cultura a voltar à vida. Eu acredito que os singles desafiaram as bandas a produzirem discos em que todas as músicas tenham destaque, sem músicas somente para “preencher espaço”. Também acredito que hoje em dia vivemos em um dos melhores momentos como consumidores de música, por conta dos singles. Temos a incrível oportunidade de sermos expostos a todo tipo de música como nunca fomos antes, graças ao alcance da internet e a rapidez de acesso à música online que os singles permitem. É como ir a um buffet e poder experimentar todos os sabores e depois voltar para quantas repetições quisermos.

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Como é o método de trabalho de vocês? Como encontram inspirações para compor?

Gabe, Christopher e eu achamos algo mágico quando trabalhamos juntos quase instantaneamente. Gabe foi criado na indústria musical, o que torna o trabalho colaborativo com outros músicos algo extremamente natural pra ele. Já eu venho de uma família de escritores, e na epoca da faculdade me formei em composição criativa, sendo assim, o ato de escrever é algo muito presente no meu dia a dia. O Christopher é otimos em nos manter focados em nosso objetivo musical, enquanto também nos desafia a ser cada vez mais criativos e nos arriscar fora de nossa zona de conforto musical, vocal e liricamente nas composições.

Vocês estão novos singles. Poderiam nos contar um pouco mais sobre eles?

Cada um de nós possui um backgroud musical distinto, o que pode ser notado em nossas músicas. Em essência, todos são influencias dos blues, rock, eletrônico e punk. “Forgiveness” é uma música mais suave, e possui um quê de chamado de sereia, com slides de guitarra, batidas ritimadas e vocais em coro. “Back of a Magazine” já é um rock mais explosivo. A música começa com um vocal doce que se alonga sobre uma entrada de guitarra que lembra “Like a Bad Girl Should” do The Cramps e se constrói dentre de seu próprio caos de batidas de bateria cardíacas, guitarras sujas e alucinantes e gritos primais.

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O que podemos esperar do projeto The Dirty Knees?

Esperem que iremos sempre surpreendê-los com nossa loucura.

Vocês já planejam um disco?

Sim. Estamos planejando um álbum completo ainda para 2015.

Você trabalhou com diversas bandas antes do Dirty Knees. Como essas bandas ajudaram você a se desenvolver musicalmente?

A banda em que estive antes foi uma experiência maravilhosa. Eu tenho estado no palco como música de tempos em tempos minha vida toda, e minha última banda me proporcionou a experiência de tocar no país todo, o que me levou a crescer ainda mais como artista. Também foi durante esse tempo que aprendi a maior parte do que sei sobre a indústria da música.

Como você se sente em relação à indústria musical de hoje em dia?

A indústria musical mudou muito ao longo do tempo… o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Músicos têm oportunidades melhores de se auto-promover hoje em dia. Por outro lado, toda essa capacidade de auto-suficiência no mercado o deixa hipersaturado de bandas, o que torna cada vez mais difícil para as bandas serem vistas no meio dessa multidão.

Vocês já estão pensando em clipes?

Sim, com certeza! Na verdade estamos sempre discutindo ideias para clipes para cada música depois que escrevemos ou gravamos. Mas algumas de nossas ideias poderiam acabar nos banindo da televisão e do YouTube…

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Quais são os próximos passos da Dirty Knees?

Acabamos de assinar contrato com uma grande companhia para compor músicas para TV, filmes e outros artistas, então fiquem de ouvidos atentos ao som de Dirty Knees por aí.

Que bandas e artistas novos chamaram a atenção de vocês recentemente?

Andy Macintyre! Ele é um músico local de Austin, no Texas. Ele é sem sombra de dúvidas um dos artistas solo mais talentosos que ouço em muito tempo.

Ouça “Forgiveness” aqui. “Back Of A Magazine” será lançada no dia 14/04, fique de olho no soundcloud dos caras!

Lloyd Kaufman, cabeça da produtora trash Troma Entertainment, fala sobre música, musicais de terror e rasga seda para o Paramore

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40 anos fugindo do padrão da mídia. Isso é Troma Entertainment, considerada a mais antiga produtora independente em operação do mundo. Tudo saiu da cabeça abilolada de Lloyd Kaufman, que junto com Michael Herz fundou a Troma em 1974, e desde então já distribuiu mais de mil filmes para todo o mundo. A Troma começou fazendo “comédias eróticas” (algo próximo de nossas populares pornochanchadas) e depois enveredou por algo que os fez crescer e dominar o mundo: os filmes de terror trash.

A fórmula de sucesso da Troma que os levou para o topo das referências em cinema independente não poderia ser mais Do It Yourself: Kaufman reunia atores baratos, efeitos “especiais” de segunda categoria, maquiadores inexperientes e criava seus filmes, todos divertidíssimos em seus defeitos, algo que a trupe do Hermes e Renato soube emular muito bem aqui no Brasil. O primeiro grande sucesso da produtora foi “Toxic Avenger” (aqui no Brasil, lançado como “O Vingador Tòxico”), de 1985, personagem que acabou virando símbolo da empresa.

A Troma virou ícone do cinema underground, já tendo em seus filmes nomes como Kevin Costner, Marisa Tomei, Samuel L. Jackson e o consagrado animador Hayao Miyazaki (“Princesa Mononoke”, “A Viagem de Chihiro”) e Matt Stone e Trey Parker (as mentes perturbadas que criaram South Park), que produziram o inacreditável “Cannibal, The Musical”.

A Troma sempre teve muita música em seu mundo. Desde os inacreditáveis temas dos filmes (a canção “Toxic Avenger é antológica) até participações de músicos como Lemmy Kilmister, do Motörhead, em diversos filmes (sendo inclusive o narrador da versão Troma de Romeu e Julieta, “Tromeo & Juliet”), a Troma sempre teve em sua trajetória uma trilha sonora à altura. Quem mais teria coragem de criar musicais como o já citado “Cannibal, The Musical”, “Rockabilly Vampire: Burnin’ Love”, “Frostbiter: Legend of the Wendigo” (estrelando Ron Asheton, dos Stooges!) e “Poultrygeist: Night of the Chicken Dead”?

(Com alguns toques do Raphael Fernandes, editor da Revista Mad) conversei com Lloyd Kaufman sobre suas músicas preferidas, as trilhas sonoras da Troma, bandas independentes e a ideologia punk que a produtora tem desde seu nascimento (e ele até tirou uma com a minha cara):

– Quais são suas bandas preferidas?

The Tiger Lillies, Rape Door, Bella Morte, Entombed, Municipal Waste, The Killers, Motörhead, Benny Goodman, Muse, Green Day… Apenas para citar algumas. Sia, apesar de não ser uma banda, também é uma grande artista. Recentemente apareci em um clipe do New Found Glory com a Hayley Williams do Paramore. Essas são minhas favoritas hoje em dia. Amanhã, nunca se sabe. Eu posso de repente revolver virar um amante de um tocador de xilofone qualquer do metrô de Nova York. Meus gostos são muito ecléticos!

– A Troma começou antes do movimento do punk e já era uma produtora de filmes “punk” desde seu nascimento. Qual a relação entre a ideologia punk e a Troma?

“Quebra de regras” e “Inovação” são o nome do meio da Troma. É por isso que a Troma Entertainment tem sido descrita como “punk” por muitos anos. Mantemos uma ética de trabalho DIY enquanto resistimos às mentalidades dominantes. Também celebramos o lixo e a sujeira!

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– Que bandas possuem o “estilo Troma”, em sua opinião?

Motörhead, Paramore, New Found Glory, Covered In Bees… e todas que eu listei acima. Todos eles fazem o que está em seus corações e respeitam e adoram seus fãs. O estilo Troma realmente se aplica a qualquer banda que apareceu nas nossas trilhas sonoras. Todos eles possuem este especial aroma de Troma.

– Como vocês escolhem quais bandas farão parte de uma trilha sonora de um filme da Troma?

Aqui na sede da Troma, recebemos todos os tipos de músicas de todo o mundo. Às vezes as usamos! Outras vezes, pedimos a artistas que escrevam músicas específicas para os nossos filmes. Nossos fãs sempre foram muito úteis ao recomendar bandas via Twitter, (@lloydkaufman) e minha página oficial do Facebook (https://www.facebook.com/lloyd.kaufman). Rape Door, Mystery e The Tiger Lillies foram todas bandas recomendadas por fãs!

– As Lunachicks fizeram uma “versão Troma” do clipe de “Say What You Mean”. Você já dirigiu algum clipe?

Eu dirigi vários clipes para bandas que eu amo, normalmente de graça. Você pode encontrá-los no Youtube! https://www.youtube.com/Tromamovies

– “Class Of Nuke’Em High” me lembrou em alguns aspectos de “Rock and Roll High School”, o filme dos Ramones. Tô viajando?

Sim, Putin deve ter invadido seu cérebro. Aliás, o Dee Dee Ramone está em um de nossos programas para a TV, o Tromamercial feito para o Comedy Central.

– Você pode me falar um pouco mais sobre o filme cheio de Motörhead “Mr. Bricks: A Heavy Metal Murder Musical”?

“Mr, Bricks: A Heavy Metal Murder Musical” foi escrito e dirigido por Travis Campbell. Ele também escreveu todas as músicas não-Motörhead do filme! Na minha opinião, Mr. Bricks é o melhor musical desde “Poultrygeist: Night of the Chicken Dead” e “Cannibal, The Musical”.

– Você acompanhou a produção de “Tromeo & Juliet”? Lemmy Kilmister se comportou enquanto gravava a narração da história?

Lemmy é o melhor. Ele trabalhou em muitos filmes da Troma de graça. Eu amo tanto o Lemmy que criei um tributo especial pra ele:

Em 1996, ano em que “Tromeo & Juliet” foi lançado, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deveria ter inventado uma nova categoria chamada “Melhor Narração em Filme Longa Metragem”. Lemmy merecia esse Oscar. E teria feito um puta agradecimento!

– Qual a melhor trilha sonora original da história do cinema?

Eu amo a trilha de Vincente Minnelli para “The Band Wagon”. Outra que eu amo é a trilha de Sergio Leone para “The Good, the Bad and the Ugly”, por Ennio Morricone. Críticos às vezes chamam os filmes da Troma de Marricone and cheese.

– Qual é a melhor trilha sonora de filme da Troma, em sua opinião?

“Poultrygeist”, “The Toxic Avenger”, “Class of Nuke ‘Em High”, “Tromeo & Juliet”… Existem tantas.

– Se você pudesse fazer a cinebiografia de algum artista no estilo Troma, qual seria?

Miles Davis: On Ice!” O gelo é branco, saca, por isso serviria como uma puta metáfora fria para a luta do Sr. Davis contra seus opressores brancos. Além disso, eu acho que o público ia simplesmente adorar assistir um ator andando de patins no gelo enquanto toca jazz no trompete.

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– Como diabos alguém pensou em fazer um musical do Toxic Avenger? É a melhor coisa que aconteceu desde que Wagner colocou uma moça loira gorda para cantar ópera.

Eu concord! O musical do Toxic Avenger tem música e letras de David Bryan (tecladista e membro fundador do Bon Jovi), roteiro e letras de Joe DiPietro (“I Love You, You’re Perfect, Now Change”) e foi dirigido pelo ganhador do Tony Award John Rando (“Urinetown”). Abriu off-Broadway, em Nova York, com críticas positivas, e então foi apresentado por todos os Estados Unidos, Coreia do Sul, Canadá, etc.

– Escolha um disco que você levaria para uma ilha deserta após um ataque nuclear que transformou a todo o mundo em zumbis nudistas comedores de Nutella.

Um disco chamado “I Wanna Live in Tromaville”, do Killer Barbies. E “Pal Joey” de Richard Rodgers e Lorenz Hart (mas precise ser a versão original da Broadway, não a versão de merda do filme).

– Quais são os próximos passos musicais da Troma Entertainment?

Ship to Shore Phonograph Company acabou de lançar uma linda versão em vinil da trilha sonora do primeiro “Class of Nuke ‘Em High”. Teremos bastante música em “Return to Nuke ‘Em High Vol. 2”, filme que será lançado ainda este ano! Além disso, estamos desenvolvendo um talk show para nosso canal Troma Movies no YouTube. Se chama “Kabukiman’s Cocktail Corner” e terá performances ao vivo de artistas underground como twelve am flowers, Unicorn Smack, Dave Hill, Doug Gillard e muitos outros!

P.S. – Você pode assistir muitos filmes da Troma online no canal TromaMovies do Youtube. Vai lá e assiste! O primeiro que eu vi na vida foi “Space Zombie Bingo”, que passou no incrível programa da Mtv “Contos de Thunder”. Recomendo! (Aliás, a música-tema é incrível)

Banda punk com síndrome de Down, Pertti Kurikan Nimipäivät promete sacudir o Eurovision, na Áustria

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Uma banda punk promete ser o grande destaque da edição 2015 do Eurovision, competição anual musical realizada pela União Europeia desde 1956.

A finlandesa Pertti Kurikan Nimipaivat (ou PKN) é uma banda punk cujos membros têm Síndrome de Down ou são autistas. O quarterto toca há seis anos e foi formado durante uma oficina de caridade para adultos com deficiência intelectual.

Tendo estrelado um documentário de 2009 chamad “The Punk Syndrome”, o PKN agora quer aumentar a conscientização sobre a Síndrome de Down, esmagando o Eurovision, na Áustria, com seu som apunkalhado e cheio de energia.

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Formada por Pertti Kurikka na guitarra, Kari Aalto nos vocais, Sami Helle no baixo e Toni Välitalo na bateria, a banda tem uma energia e som próximos à do punk de 77, com letras simples e direto ao ponto e guitarras que rasgam os ouvidos.

Com alguma sorte, a banda de Helsinki será uma pausa bem-vinda aos atos bonitinhos e cheios de glitter que costumam ganhar o Eurovision – algo que vai ajudar a tradicional competição musical a repercutir por todo o mundo.

A música que o PKN tocará será “Aina Mun Pitaa”, ou, em inglês, “I Always Have To”, que você pode ouvir abaixo:

Ouça mais do Pertti Kurikan Nimipaivat:

Assista ao documentário “The Punk Syndrome” completo e legendado:

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