Crush em Hi-Fi

Música, trilha sonora, CDs, discos, DVDs, mp3, wmas, flac, clipes, ruídos, barulho, sonzera ou como quer que você queira chamar.

Arquivo para a categoria “hip hop”

A ligação improvável entre o hip hop do Doctor MC’s e o rock setentista do Azymuth gerou o hit “Tik Tak”

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Em 1998 o grupo de rap “bate-cabeça” (era assim que eles chamavam) Doctor MC’s, formado por $mokey Dee, MC.A e Dog Jay, lançou o menosprezado disco “Agora A Casa Cai”, um grande álbum que emula o lado mais festeiro do hip hop, sem deixar de lado as sempre presentes críticas sociais que permeiam o rap paulistano.

Neste disco está o maior hit do grupo, “Tik Tak”, cujo refrão você já deve ter ouvido mesmo que não seja ouvite assíduo do Espaço Rap da 105 FM:

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O sample vem diretamente de outro grande hit de um trio, desta vez do também subestimado rock setentista brasileiro. “Linha do Horizonte” está presente no disco “Azimüth”, lançado em 1975 pela Som Livre pela banda Azymuth. Formada em 1973 na cidade do Rio de Janeiro, a banda contava com José Roberto Bertrami, Alex Malheiros e Ivan Conti, o Azymuth teve grande sucesso com a música, que foi incluída na trilha sonora da novela “Cuca Legal”, da Rede Globo, o que alavancou as vendas do disco do trio.

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Quando os Beastie Boys juntaram “Sweet Leaf” do Sabbath com “When The Levee Breaks” do Zeppelin

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O primeiro disco dos Beastie Boys, “Licensed To Ill’, colocou o trio em um pedestal. Os três rappers foram alçados à condição de estrelas e fizeram o maior sucesso com clássicos como “No Sleep ‘Til Brooklyn” e a paródia dos headbangers “Fight For Your Right To Party”, além da festeira “Brass Monkey”. O disco vendeu que nem água e a música que abre o álbum com os dois pés na porta amassando latinha de cerveja na testa é “Rhymin and Stealin'”.

Se você reparar bem, conseguirá desvendar os dois samples que, unidos, fizeram desta música uma das melhores aberturas de discos de rap de todos os tempos.

A primeira é a bateria destruidora de John Bonham em “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin. Uma das grandes forças do Zep sempre foi a bateria firme e pesada de Bonham, que deixava qualquer música mais completa. É o caso dessa, do disco “Led Zeppelin IV”, em que a introdução feita pelo baterista é reconhecível na hora. Ah, inclusive essa bateria foi sampleada por mais de 100 artistas, entre eles Eminem, Björk, Dr. Dre, Alphex Twin

Pra deixar a música ainda mais incrível, que tal misturá-la com outros deuses do rock? A segunda música que criou “Rhymin’ and Stealin'” é um clássico do disco “Master Of Reality”, do Black Sabbath. A ode do quarteto inglês à maconha contém os sempre criativos e grudentos riffs sombrios de Tony Iommi, que casaram incrivelmente com a bateria de Bonham. Ou seja: o som dos Beastie Boys é quase um precursor do mashup!

Uma enorme lista de clipes com participações de atores, atrizes e celebridades (e algumas subcelebridades também)

Eis que chegou um momento na história da música em que os videoclipes não seriam mais apenas a ilustração da banda tocando (ou fazendo o velho e bom playback). Não: agora os clipes eram pequenas obras de arte, verdadeiros curtas-metragens que serviriam para complementar a música, interpretá-la ou mesmo transformá-la em uma história.

A explosão dos videoclipes nos anos 80 e 90 levou muitos atores e atrizes a participarem das obras visuais de muitas bandas e artistas e também revelaram novas celebridades, como Alicia Silverstone, que apareceu para o mundo nos clipes do Aerosmith, e mais recentemente Emily Ratajkowski, uma das moças do polêmico “Blurred Lines” de Robin Thicke.

Como tenho mania de fazer listinhas, criei uma imensa playlist juntando todos atores, atrizes e celebridades que já apareceram em video clipes nacionais e internacionais:

(Se você acha que ficou faltando algum, me avise nos comentários!)

Raimundos – “Andar na Pedra”
Ator: Matheus Nachtergaele (Hilda Furacão, O Auto da Compadecida, Cidade de Deus, Amarelo Manga)

Skank – “Garota Nacional”
Atrizes – Carla Marins (Bebê A Bordo, O Mapa da Mina, Tropicaliente, A Indomada, Kubanacan)
Ingra Liberato (A História de Ana Raio e Zé Trovão, O Clone, Quatro por Quatro)
Paula Burlamarqui (O Dono do Mundo, Pedra Sobre Pedra, Explode Coração, América)
Paloma Duarte (Renascer, Tropicaliente, Terra Nostra, Porto do Milagres, Deus É Brasileiro, 2 Filhos de Francisco)

Korn – “Thoughless”
Ator – Aaron Paul (Breaking Bad, Need For Speed, Uma Longa Queda)

The Offspring – “She’s Got Issues”
Atriz – Zooey Deschanel (Quase Famosos, O Guia do Mochileiro das Galáxias, 500 Dias Com Ela, Sim Senhor)

Fiona Apple – “Not About Love”
Ator – Zack Galifianakis (Se Beber Não Case, Um Parto de Viagem, Os Candidatos, Birdman)

Charlie Brown Jr. – “Rubão”
Atores – Fausto Fanti, Felipe Torres, Adriano Silva, Marco Antonio Alves e Bruno Sutter (Hermes e Renato)

Elton John – “I Want Love”
Ator – Robert Downey Jr. (Mulher Nota 1000, Trovão Tropical, Chaplin, Homem de Ferro, Sherlock Holmes, Os Vingadores, Assassinos por Natureza, Zodíaco)

Aerosmith – “Jaded”
Atriz – Mila Kunis (That 70’s Show, Family Guy, Ressaca de Amor, Cisne Negro, Ted, Amizade Colorida)

Aerosmith – “Crazy”
Atrizes – Alicia Silverstone (As Patricinhas de Beverly Hills, Batman & Robin, Excesso de Bagagem)
Liv Tyler (Empire Records, The Wonders – O Sonho Não Acabou, Armageddon, Beleza Roubada, O Senhor dos Anéis, Reine Sobre Mim, O Incrível Hulk)

Fatboy Slim – “Weapon Of Choice”
Ator – Christopher Walken (The Deer Hunter, Batman – O Retorno, Quanto Mais Idiota Melhor 2, Pulp Fiction, Basquiat, Joe Sujo, Prenda-me Se For Capaz, Click)

Stone Temple Pilots – “Sour Girl”
Atriz – Sarah Michelle Gellar (Buffy, A Caça-Vampiros, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Ela é Demais, Segundas Intenções, Scooby-Doo, O Grito, Veronika Decide Morrer)

One Night Only – “Say You Don’t Want It”
Atriz – Emma Watson (Harry Potter, As Vantagens de Ser Invisível, Bling Ring: A Gangue de Hollywood, É o Fim, Noé)

The Rolling Stones – “Anybody Seen My Baby”
Atriz – Angelina Jolie (Malévola, O Procurado, A Lenda de Beowulf, Sr. e Sra. Smith, Alexandre, Lara Croft: Tomb Raider, 60 Segundos, Garota, Interrompida, Gia)

Bruce Springsteen – “Dancing In The Dark”
Atriz – Courteney Cox (Friends, Cougar Town, Cocoon – O Regresso, Pânico, Ace Ventura – Um Detetive Diferente)

Michael Jackson – “Liberian Girl”
Atores/Atrizes: Brigitte Nielsen (Red Sonja, Rocky IV, Cobra, Um Tira da Pesada II)
Whoopi Goldberg (A Cor Púrpura, Ghost – do Outro Lado da Vida, Mudança de Hábito, Corina, uma Babá Perfeita, Será Que Ele É?, Garota, Interrompida)
Billy Dee Williams (Star Wars, Batman)
Olivia Newton-John (Grease, Xanadu)
John Travolta (Os Embalos de Sábado à Noite, Grease, Olha Quem Está Falando, Pulp Fiction, A Outra Face, O Nome do Jogo, Be Cool, Hairspray)
Corey Feldman (Sexta-Feira 13 – Capítulo Final, Gremlins, Goonies, Conta Comigo)
Steven Spielberg (Tubarão, Contatos Imediatos do 3º Grau, E.T., Poltergeist, Gremlins, De Volta Para o Futuro, Goonies, Querida, Encolhi as Crianças, Homens de Preto, Jurassic Park)
Lou Ferrigno (Hulk, Hércules)
Mayim Bialik (Blossom, The Big Bang Theory)
Danny Glover (Rebobine, Por Favor, Ensaio sobre a Cegueira, Jogos Mortais, Máquina Mortífera, A Cor Púrpura)
Dan Aykroyd (Os Irmãos Cara-de-Pau, Os Caça-Fantasmas, Conduzindo Miss Daisy, Meu Primeiro Amor, Coneheads)
Steve Guttenberg (Loucademia de Polícia, Três Solteirões e Um Bebê, Cocoon 2- O Regresso)

Smash Mouth – “Can’t Get Enough Of You Baby”
Atriz – Jennifer Love Hewitt (Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Mal Posso Esperar, O Terno de Dois Bilhões de Dólares, Party of Five, Ghost Whisperer, The Client List)

Marilyn Manson – “Tainted Love”
Atrizes – Jaime Pressly (Mal Posso Esperar, Não é Mais um Besteirol Americano, Eu Te Amo, Cara, My Name is Earl)
Chyler Leigh (Não é Mais um Besteirol Americano, The Practice, Grey’s Anatomy)

Madonna – “Music”
Ator – Sacha Baron Cohen (Ali G Indahouse, Borat, Bruno, Hugo, O Ditator, Os Miseráveis)

Mumford & Sons – “Hopeless Wanderer”
Atores: Jason Bateman (Arrested Development, Tudo pra Ficar com Ele, Ressaca de Amor, Amor sem Escalas, Quero Matar meu Chefe)
Jason Sudeikis (Quero Matar Meu Chefe, Passe Livre, Família do Bagulho)
Will Forte (Saturday Night Live, MacGruber – Licença para Estragar, Este é meu Garoto, Gente Grande 2, Nebraska)
Ed Helms (Se Beber Não Case, Uma Noite no Museu 2, Família do Bagulho)

The Shoes – “Time to Dance”
Ator – Jake Gyllenhall (Donnie Darko, Jimmy Bolha, O Dia Depois de Amanhã, O Segredo de Brokeback Mountain, Zodíaco, Príncipe da Pérsia, Amor & Outras Drogas)

Jon Spencer Blues Explosion – “Talk About The Blues”
Atriz – Winona Rider (Os Fantasmas Se Divertem, Minha Mãe É Uma Sereia, Edward Mãos de Tesoura, Drácula de Bram Stoker, Alien – A Ressurreição, Garota, Interrompida, A Herança de Mr. Deeds)

Gorillaz – “Stylo”
Ator – Bruce Willis (A Gata e o Rato, Duro de Matar, Olha Quem Está Falando, O Falcão Está à Solta, A Morte Lhe Cai Bem, Pulp Fiction, Os Doze Macacos, O Quinto Elemento, Armageddon, Meu Vizinho Mafioso, Corpo Fechado, Sin City)

Beastie Boys – “Make Some Noise”
Atores/Atrizes – Seth Rogen (Freaks and Geeks, O Virgem de 40 Anos, Superbad, Ligeiramente Grávidos, Tá Rindo do Quê?, Segurando as Pontas, Pagando Bem, Que Mal Tem?, 50%, É o Fim, Vizinhos, A Entrevista)
Elijah Wood (O Anjo Malvado, Prova Final, O Senhor dos Anéis, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Sin City, Hooligans, Wilfred)
Danny McBride (Antes Só do que Mal Casado, Trovão Tropical, Segurando as Pontas)
Susan Sarandon (The Rocky Horror Picture Show, As Bruxas de Eastwick, Thelma & Louise, O Óleo de Lorenzo, Os Últimos Passos de Um Homem, A Excêntrica Família de Igby)
Stanley Tucci (O Dossiê Pelicano, Desconstruindo Harry, Os Queridinhos da América, O Diabo Veste Prada, E.R.)
Will Arnett (Arrested Development, Escorregando para a Glória, Quando em Roma, The Millers)
Rainn Wilson (The Office, A Casa dos 1000 Corpos, Juno, Super)
Ted Danson (Cheers, Três Solteirões e um Bebê, Acertando as Contas com Papai, O Resgate do Soldado Ryan, CSI)
Steve Buscemi (Barton Fink, Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Os Cabeças-de-Vento, Billy Madison, Fargo, O Grande Lebowski)
Amy Poehler (Parks and Recreation, Meninas Malvadas, Uma Mãe Para o Meu Bebê)
Chloë Sevigny (Kids, Meninos Não Choram, Party Monster, Psicopata Americano, Brown Bunny, Zodíaco, Lovelace)
Kirsten Dunst (Entrevista Com o Vampiro, Jumanji, As Virgens Suicidas, Homem-Aranha, Maria Antonieta)
Maya Rudolph (Idiocracy, Gente Grande, Missão Madrinha de Casamento)
David Cross (Homens de Preto, Arrested Development, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Alvin e os Esquilos)
Orlando Bloom (O Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, Tudo Acontece em Elizabethtown, Tróia, Os Três Mosqueteiros, O Hobbit)
Will Ferrell (Os Estragos de Sábado a Noite, O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy, Ricky Bobby – A Toda Velocidade, Mais Estranho que a Ficção, Quase Irmãos, Casa de mi Padre)
John C. Reilly (Magnolia, Boogie Nights, Nunca Fui Beijada, Gangues de Nova York, Chicago, Precisamos Falar Sobre o Kevin)
Jack Black (Alta Fidelidade, O Amor É Cego, Escola de Rock, King Kong, Tenacious D – Uma Dupla Infernal, Nacho Libre, Rebobine, Por Favor, Trovão Tropical)

Sonic Youth – “Sunday”
Ator – Macaulay Culkin (Esqueceram de Mim, Meu Primeiro Amor, O Anjo Malvado, Riquinho, Party Monster)

Melissa Etheridge – “I Want To Come Over”
Atriz – Gwyneth Paltrow (Seven – Os Sete Crimes Capitais, Shakespeare Apaixonado, O Talentoso Ripley, Duets – Vem Cantar Comigo, Os Excêntricos Tenenbaums, O Amor É Cego, Homem de Ferro)

Aimee Mann – “Wise Up”
Atores/Atrizes – Tom Cruise (Magnolia, Top Gun, Rain Man, Cocktail, Dias de Trovão, Missão Impossível, Minority Report)
Julianne Moore (Magnolia, A Mão Que Balança o Berço, Corpo em Evidência, Boogie Nights, O Grande Lebowski, Hannibal, Para Sempre Alice)
Philip Seymour Hoffman (Magnolia, Perfume de Mulher, Boogie Nights, O Grande Lebowski, O Talentoso Ripley, Embriagado de Amor, Quase Famosos, Dragão Vermelho, Capote)
William H. Macy (Magnolia, Em Algum Lugar do Passado, Fargo, Mera Coincidência, Boogie Nights, Obrigado por Fumar)
Melora Walters (Magnolia, Ed Wood, Boogie Nights, Cold Mountain, Efeito Borboleta)

Tom Petty And The Heartbreakers – “Into The Great Wide Open”
Ator – Johnny Depp (A Hora do Pesadelo, Anjos da Lei, Edward Mãos de Tesoura, Cry Baby, Ed Wood, Don Juan DeMarco, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Piratas do Caribe, A Fantástica Fábrica de Chocolate)

Paula Abdul – “Rush, Rush”
Ator – Keanu Reeves (Bill & Ted – Uma Aventura Fantástica, Drácula de Bram Stoker, Velocidade Máxima, Advogado do Diabo, Matrix, Doce Novembro, Constantine)

Jack Johnson – “Taylor”
Ator – Ben Stiller (Quem Vai Ficar Com Mary?, Entrando Numa Fria, Zoolander, Os Excêntricos Tenenbaums, Quero Ficar com Polly, Uma Noite no Museu, Trovão Tropical, A Vida Secreta de Walter Mitty)

Islands – “No You Don’t”
Ator – Michael Cera (Arrested Development, Superbad, Juno, Nick & Norah’s Infinite Playlist, Ano Um, Scott Pilgrim Contra o Mundo)

Guns N’ Roses – “Since I Don’t Have You”
Ator – Gary Oldman (Sid e Nancy – O Amor Mata, Drácula de Bram Stoker, O Profissional, O Quinto Elemento, Hannibal, Harry Potter, Batman, Robocop)

Bobby McFerrin – “Don’t Worry Be Happy”
Ator – Robin Williams (Bom Dia, Vietnã, Sociedade dos Poetas Mortos, Tempo de Despertar, Uma Babá Quase Perfeita, Jumanji, Gênio Indomável, O Homem Bicentenário, Insônia)

Jon Bon Jovi – “Miracle”
Ator – Matt LeBlanc (Friends, Episodes, Perdidos No Espaço)

Ke$ha – “Blow”
Ator – James Van Der Beek (Dawson’s Creek, Jay and Silent Bob Strikes Back, How I Met Your Mother)

Ed Sheeran – “Lego House”
Ator – Rupert Grint (Harry Potter, CBGB’s)

Hanson – “Get The Girl Back”
Atriz – Kat Dennings (2 Broke Girls, Thor, A Casa das Coelhinhas, Nick & Norah’s Infinite Playlist)

Los Hermanos – “Anna Júlia”
Atriz – Mariana Ximenes (A Casa das Sete Mulheres, Chocolate com Pimenta, A Favorita, O Invasor, O Homem do Ano, Os Penetras)

Os Paralamas do Sucesso – “Ela Disse Adeus”
Atriz – Fernanda Torres (Os Normais, Tapas & Beijos, O Que É Isso, Companheiro?, Redentor, Saneamento Básico)

Bid e Elza Soares – “Mandingueira”
Ator/Atriz – Seu Jorge (Cidade de Deus, Tarantino’s Mind, The Life Aquatic with Steve Zissou, Tropa de Elite 2, Reis e Ratos)
Fernanda Lima (Bang Bang, Pé na Jaca, Colado em Você, Didi Quer Ser Criança)

CPM 22 – “Abominável”
Ator – Paulo Tiefenthaler (Larica Total, O Lobo Atrás da Porta)

Capital Inicial – “Olhos Vermelhos”
Atriz – Maria Fernanda Cândido (Terra Nostra, Capitu, Sessão de Terapia, Dom)

Charlie Brown Jr. – “Hoje Eu Acordei Feliz”
Ator – Antônio Abujamra (Provocações, Que Rei Sou Eu?, Carlota Joaquina, Quem matou Pixote?, Quanto vale ou é por quilo?)

Red Hot Chili Peppers – “Hump De Bump”
Ator – Chris Rock (Dogma, O Céu Pode Esperar, Golpe Baixo, Morte no Funeral, Gente Grande)

Forgotten Boys – “5 Mentiras”
Atriz – Debora Falabella (Avenida Brasil, Dois Perdidos Numa Noite Suja, Chiquititas, O Clone, Lisbela e o Prisioneiro)

Jenny Lewis – “Just One Of The Guys”
Atrizes – Anne Hathaway (O Diário da Princesa, O Diabo Veste Prada, Alice no País das Maravilhas, Idas e Vindas do Amor, Amor e Outras Drogas, Batman)
Kristen Stewart (O Quarto do Pânico, Na Natureza Selvagem, Crepúsculo, Pé na Estrada, Runaways)
Brie Larson (De Repente 30, Anjos da Lei)

Garotas Suecas – “Banho De Bucha”
Ator – Jacaré (Turma do Didi)

“The Roof Is On Fire”, de Rock Master Scott and the Dynamic Three, é a base de “Hey Boy, Hey Girl”, dos Chemical Brothers

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O single “Hey Boy Hey Girl” foi lançada pela dupla inglesa The Chemical Brothers em 1999 em seu disco “Surrender”. Passou boa parte do ano no topo das paradas, inclusive as da Mtv Brasil, com seu clipe cheio de esqueletos dançantes e transudos.

O sample do refrão “Hey girls, B-boys, superstar DJs, here we go!” veio de “The Roof Is on Fire”, de Rock Master Scott & the Dynamic Three. Lançada em 1984, a música chegou ao nº 5 da parada da Billboard Hot Dance Music/Maxi-Singles Sales.

“The Roof Is On Fire” é lembrada por seu característico refrão:

“The roof, the roof, the roof is on fire!
We don’t need no water
Let the motherfucker burn!
Burn, motherfucker, burn!”

Bom, esse refrão foi também usado pelo Bloodhound Gang em “Fire Water Burn”, segundo single do disco “One Fierce Beer Coaster”, de 1996. A música ficou em #18 na parada Modern Rock Tracks e em #28 na the Mainstream Rock Tracks da Billboard. Ah, e o clipe é em uma festinha animada em um asilo.

#StarWarsDay – Que a força esteja com estas 13 músicas baseadas no universo de Star Wars

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Hoje é 4 de maio, também conhecido como May the 4th, o popular Star Wars Day. Como fã da saga de George Lucas, eu não poderia deixar de fazer uma lista com músicas que citam ou homenageiam a epopéia da força e da família Skywalker. Afinal, nem Jar Jar Binks consegue estragar uma data tão especial quanto essa. Prepare seus midichlorians e segure seu sabre de luz para esta lista:

Blink-182 – “A New Hope”

Mark Hoppus, baixista e único membro do Blink-182 que permanece na banda até hoje, sempre se declarou fã de Star Wars. Aqui, ele demonstra todo seu amor incondicional por Leia Organa (e olha que ele nem mencionou o popular biquíni no palácio de Jabba, the Hut). Na letra, ele cita tomar umas biritas com Lando Calrissian e umas voltinhas pela cantina de Mos Eisley.

Supernova – “Chewbacca”

Da trilha do filme de um dos maiores fanboys de Star Wars, Kevin Smith: essa música do Supernova toca durante a clássica cena de “Clerks” ou (“O Balconista”) em que Dante e Randall discutem qual filme é melhor, “O Império Contra-Ataca” ou “O Retorno de Jedi” (e, pra variar, Dante tem razão). Uma homenagem ao wookie mais querido do mundo.

Mr. Catra e os Templários – “O Retorno é de Jedi”

Poucos esperavam que Catra lançasse uma banda de rock. Menos ainda esperavam que ele citasse “O Retorno de Jedi” no single chapa-branca e bom-moço de estreia.

The Liquid Tension Experiment – “Chewbacca”

Mais uma homenagem à Chewie, dessa vez pela banda paralela e cabeçuda de membros do Dream Theater. Como era de se esperar, a faixa é instrumental e tem mais de 10 minutos.

“Weird Al” Yankovic – “Yoda”

É lógico que eu não deixaria de fora o melhor parodiador do mundo. “Weird Al” Yankovic transformou “Lola”, do The Kinks, em uma ode ao Jedi verde de orelhas pontudas que vive em Dagobah, um lugar que borbulha como soda.

“Weird Al” Yankovic – “The Saga Begins”

Em 1999, Al lançou sua versão para “American Pie”, clássico de Don McLean, contando toda a história de Obi Wan Kenobi, Qui Gonn Jinn e Anakin Skywalker no ainda não lançado “Episódio I” de Star Wars. Detalhe: a Lucasfilm não permitiu que ele assistisse uma prévia do filme. Assim, Al criou a música inteira com boatos e spoilers que havia pesquisado, e voilá: acertou tudinho.

Coheed and Cambria – “Goodnight”

Em 1999, quando o Coheed and Cambria ainda atendia pelo nome Shabutie, a música “Goodnight” referenciava Luke Skywalker, Jabba the Hutt, Boba Fett, X-Wing FightersChewbacca. A música é cantada por Claudio Sanchez na pele de um garoto sonhando com a saga Star Wars, como se ele fosse Darth Vader na Estrela da Morte. Outra música que cita as Guerras Clônicas antes que o filme fosse lançado.

Meco – “Star Wars and Other Galactic Funk”

Star Wars foi lançado em 1977, ano em que o punk estourou e a disco music estava em seu auge. Adivinha qual dos dois estilos fez uma versão do clássico tema da série? Acertou: o Meco fez uma versão bem “Embalos de Sábado à Noite”, completa com barulhos de droids e sabres de luz. Ouça os 15 minutos da música: ela vai do tema principal à música da Cantina Band de Mos Eisley.

Green Olive Tree – “Dagobah”

A música do Green Olive Tree chama “Dagobah” e começa com a Marcha Imperial. Precisa de mais motivos?

Iam – “L’empire Du Coté Obscur”

Um rap em francês que fala sobre Star Wars e tem a famosa respiração de Darth Vader rolando ao fundo? Sim, aconteceu em 1997.

Queens Of The Stone Age – “These Aren’t The Droids You’re Looking For”

A instrumental com a famosa frase de Obi Wan Kenobi “These Aren’t The Droids You’re Looking For” saiu em um split de 1998 com a banda Beaver.

MC Chris – “Fett’s Vette”

Este rap foi escrito da perspectiva de Boba Fett e contém, lógico, muitas referências a Star Wars. “My backpack’s got jets, well, I’m Boba, the Fett, I bounty hunt for Jabba Hutt to finance my vette.”

Elesbão e Haroldinho – “Montagem do Star Wars”

Um funk apenas com referências ao “Istauá”. Cavalero Jedi 3 real, Princesa Rebelde, grátis, até meia noite, falô?
“Invade com os rebelde, o baile do mau
Leia popozuda é a princesa na moral
Dagobah, Naboo, Alderan e Tatooine
O Bonde dos Sinistros não há ninguém que ature”

10 dos piores exemplos de que o machismo correu solto (e ainda corre) nas letras de rap

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Tem um momento no stand-up de 2004 “Never Scared”, de Chris Rock, em que ele diz que adora rap, mas não dá pra defender o estilo. Motivo: suas letras. Ele cita “Get Low”, de Lil Jon (“To the window / To the wall / To the sweat drop down my balls”) e como “é difícil defender letras como ‘I got hoes in different area codes’” e que às vezes até garotas dançam raps com letras cheias de misoginia.

Será que ele está exagerando? Se você assiste e pensa “ah, não existem letras tão pesadas como o ‘blind the bitch’ que ele brinca ali no final, vai”, acho melhor repensar. Existe coisa até pior e mais violenta que isso. Duvida? Vou dar 10 exemplos de letras machistas e misóginas do rap, mas isso é só a ponta do iceberg. Existe muito mais rodando por aí, e não só no rap: no funk, no rock, no sertanejo e em todos os estilos musicais, infelizmente, a coisa ainda tá feia.

“Fique esperto com o mundo e atento com tudo e com nada / Mulheres só querem/preferem o que as favorecem / Dinheiro e posse, te esquecem se não os tiverem”Racionais MC’s

Em “Mulheres Vulgares”, os Racionais MC’s começam dizendo que vivemos em uma sociedade feminista que considera todo mundo machista. Sério? Temos outros exemplos, como “Em Qual Mentira Vou Acreditar”, do disco “Sobrevivendo no Inferno”, de 1997, com o verso “Que mina cabulosa, olha só que conversa: Que tinha bronca de neguinho de salão / Que a maioria é maloqueiro e ladrão / Aí não, mano! Foi por pouco / Eu já tava pensando em capotar no soco”

“Slut, you think I won’t choke no whore / Til the vocal cords don’t work in her throat no more?!”Eminem

http://www.youtube.com/watch?v=lkMs2YI8x68

Ah, Eminem. Dava pra fazer um post só com os vários versos violentos, homofóbicos e misóginos do loirinho, que normalmente diz que “é brincadeira”. Como no final de “Kill You”, que contém o verso acima. Ou na faixa “Kim”, que é basicamente um diálogo em que ele espanca e mata sua ex-mulher com uma batida de Led Zeppelin sampleada ao fundo, algo como um rap torture porn.

“Bitches ain’t shit but hoes and tricks / Lick on these nuts and suck the dick.”Snoop Dogg

O verso de Snoop em “Bitches Ain’t Shit” mostra o quanto a mulher era valorizada no rap americano na época do lançamento de “The Chronic” do Dr. Dre.

“My little sister’s birthday / She’ll remember me / For a gift I had ten of my boys take her virginity.”Bizarre

http://www.youtube.com/watch?v=9Tin7x8OPho

Este nojento verso de Bizarre está presente em “Amytiville”, música do (adivinhem?) Eminem. O cara se orgulha de levar dez caras para estuprar sua irmã virgem, um “presente” do irmão. Isso é música que se faça, cara?

“Put Molly all in her champagne, she ain’t even know it / I took her home and I enjoyed that, she ain’t even know it.”Rick Ross

A tática que Bill Cosby supostamente usou para estuprar diversas mulheres aparece aqui na música de Rick Ross “You Don’t Even Know It”. Nojentíssimo.

“Parece que parou comigo pra me atazanar/ Me dá vontade de pegar uma arma e…/ Cala a boca! Eu tô pensando em fazer igual o goleiro Bruno / Falar que tu viajou e te mandar pra outro mundo”Shawlin

Sério que o Shawlin do Quinto Andar se comparou ao goleiro Bruno em um rap que fala sobre como ele tem raiva de “mulher chata”? Sim, a música “A Raiva” é toda sobre isso, mas este verso é de assustar qualquer um.

“E tu vem, meu coração parte e grita assim / ‘arrasa biscate!’ / Merece era uma surra, de espada de São Jorge”Emicida

Emicida é declaradamente contra o machismo, mas entrou em uma polêmica com a música “Trepadeira”, que contém o verso acima. “O tema do machismo no rap é importantíssimo e deve ser debatido e combatido, assim como na sociedade como um todo. Gostaria de lembrar que já colocamos o dedo nessa ferida ao criar “Rua Augusta”, saindo do lugar-comum da mulher como “vadia/produto/objeto”, e humanizando a imagem de uma prostituta. Muito respeito a todas as feministas (principalmente as que me xingaram pouco)”, disse ele, em resposta à polêmica.

“I fuckin’ hate you; I’ll take your drawers down and rape you / While Dr. Dre videotapes you…”D12

O D12, que conta com Eminem e Bizarre, já citados acima, novamente mostra que para eles estupro é algo comum e sem importância. Ou não é isso que esse trecho de “Fight Music” demonstra?

“Rape a pregnant bitch and tell my friends I had a threesome.”Tyler, the Creator

Tyler, The Creator é conhecido por seus “raps ofensivos”. O verso acima é uma “piada” com estupro de grávidas que aparece na música “Tron Cat”.

“And if you got a daughter older than 15, I’mma rape her/Take her on the living room floor, right there in front of you/Then ask you seriously, what you wanna do?”DMX

DMX pega pesadíssimo na letra de “X Is Coming”, ameaçando estuprar a filha de alguém na frente dos pais, caso ela tenha mais de 15 anos. Estupro, pedofilia e violência em apenas uma frase. Dá pra acreditar?

“Big Pimpin”, de Jay-Z, veio de “Khusara Khusara”, do percussionista egípcio Hossam Ramzy

Novamente, o mundo dos samples nos traz conexões intercontinentais. Afinal, não é sempre que um rapper arranja um sample vindo diretamente do Cairo, no Egito. Lembram de “Big Pimpin'”, sucesso de Jay-Z de 1999? Produzido por Timbaland, o single veio do quarto álbum do rapper, “Vol. 3… Life and Times of S. Carter”. Atingiu a posição #18 na Billboard Hot 100 e #1 na parada Rhythmic Top 40. Jay-Z já não se orgulha muito da letra da música, hoje em dia. “Algumas letras se tornam muito profundas quando você as vê escritas. ‘Big Pimpin’ não. Esta é a exceção. É tipo, eu não acredito que eu disse aquilo. E continuei falando aquilo. Que tipo de animal diria esse tipo de coisa? Lendo aquilo é bem difícil.”

O sample que você ouve e não desgruda da cabeça é de “Khusara Khusara”, tocava na versão de Hossam Ramzy.

O percussionista e compositor egípcio Hossam Ramzy já trabalhou com pessoas como Jimmy Page e Robert Plant, Ricky Martin, Shakira, Rachid Taha e Khaled, entre outros. Além disso, trabalhou com Peter Gabriel na trilha sonora do polêmico “A Última Tentação de Cristo”, de Martin Scorsese. Ah, é casado com a dançarina do ventre brasileira Serena.

“Khusara” na verdade é de Abdel Halim Ali Shabana, nascido em 1929, o que deu até um rolo na época, já que os detentores dos direitos da música ficaram meio putos com o sample do Jay-Z…

Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante: 5 bandas vermelhas que vão ferver seu sangue

O vermelho tem sofrido um grande preconceito hoje em dia. Tem gente (e até cachorro!) apanhando na rua só por estar vestindo vermelho, o que é uma coisa horrível. Vermelho é uma cor tão importante pra música, poxa! Lembrem-se do Red Hot Chili Peppers. O disco “Red” do King Crimson. O Simply Red. O disco “Red” da Taylor Swift. Os “red albums” do Weezer e do The Game. As roupinhas de Jack e Meg White no White Stripes.

Tá, não foram todos grandes exemplos, mas enfim: vamos a cinco bandas que conheci recentemente e fazem jus à força que a cor vermelha sempre representou. Ou você acha que o líder dos Power Rangers, Changeman, Maskman e todos tokusatsus era vermelho por acaso?

Red Boots
Gênero: Vermelho-sangue

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O duo de Rio Grande do Norte é formado por Luan Rodrigues (guitarra, voz) e Gil Holanda (Bateria) e em 2014 lançou o disco “Touch The Void”, que não deve nada pras bandas de stoner internacionais. O primeiro disco, “Aracnophilia”, de 2011, também vale a ouvida.

Blood Red Shoes
Gênero: Vermelho-diabo (vestindo Prada)

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Outra dupla, desta vez vinda de Brighton, na Inglaterra. Formada por Laura-Mary Carter (vocal, guitarra) e Steven Ansell (bateria, vocal), a banda já lançou quatro discos: “Box of Secrets” (2008), “Fire Like This” (2010), “In Time to Voices”(2012), e “Blood Red Shoes” (2014), além de vários EPs e vinis 7″. O nome foi tirado de um musical de Ginger Rogers e Fred Astaire e o som é o velho rock alternativo com pitadas de grunge, garage e punk.

Red Fang
Gênero: Vermelho-Bloody Mary

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O quarteto de Portland, Oregon, passeia entre o heavy metal e o stoner rock sem abaixar o volume em nenhum momento. Formada por Bryan Giles, Aaron Beam, David Sullivan e John Sherman, a banda existe desde 2005 e lançou três discos: “Red Fang” (2009), “Murder the Mountains” (2011) e “Whales and Leeches” (2013). Os clipes da banda são em sua maioria divertidíssimos, o que ajudou a popularizar ainda mais o som dos americanos.

Russian Red
Gênero: Vermelho-União Soviética

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Apesar do nome, a cantora Lourdes Hernández, codinome Russian Red, veio da Espanha. Chamada de “a Feist da Espanha”, Russian Red escreve sempre em inglês e está na ativa desde 2007. Já lançou três discos: “I Love Your Glasses” (2008), “Fuerteventura” (2011) e “Agent Cooper” (2014), disco que a trouxe ao Brasil, onde se apresentou no festival No Ar Coquetel Molotov, no Recife, e no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

A Tribe Called Red
Gênero: Vermelho-urucum

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O trio canadense A Tribe Called Red faz música eletrônica que mistura elementos de hip hop, reggae, moombahton e dubstep, sempre com muita percussão na mistura. Formada pelos DJs Ian “DJ NDN” Campeau, Tim “2oolman” Hill e Bear Witness, a banda define seu som como “powwow-step” e já lançou dois discos: “A Tribe Called Red” (2012) e “Nation II Nation” (2013).

O grafiteiro Ricardo Tatoo fala de Ratos de Porão, Cavalera, stencil, capas de discos, SPFW e música, muita música

545722_482319995116431_1464404408_nRicardo Tatoo tem 43 anos e já fez muita coisa relacionada à música e arte. Formado em programação visual, foi um dos primeiros artistas a atuar com o “stencil-graffiti” no Brasil. Seu trabalho já esteve em galerias de arte e intervenções públicas no Brasil e na Europa.

Foi o responsável pela linguagem visual de marcas como Cavalera e Harley-Davidson. Além disso, criou capas para discos de bandas como Inocentes, Rodox, Nitrominds, Sepultura e Cordel do Fogo Encantado, entre muitas outras. A mais atual é “Século Sinistro”, elogiado disco de 2014 do Ratos de Porão.

Através do projeto Arte Ataque Oficina, Tatoo também ministra oficinas de graffiti em faculdades, ONGs e centros sócio educativos, sempre usando a linguagem da arte de rua como instrumento de transformação social  e valorização da diversidade cultural brasileira.

Conversei com Tatoo sobre sua carreira, sua passagem de sucesso pela grife Cavalera, seu trabalho com o grafitti e a relação constante de todos seus trabalhos com a música:

– Eu sei que seu trabalho principal é a arte urbana e o grafite. O quanto disso está relacionado à música?
Meu trabalho se afinou com a música quando fui diretor de arte da marca streetwear Cavalera, de 1998 a 2005. Lá conheci e parcerei com grandes nomes da música: a banda Inocentes, Iggor Cavalera, Rodolfo Abrantes, Cássia Eller, Marky Ramone, Bruce Dickinson, TSOL, Agent Orange, Tihuana, Dudu Nobre, Ice Blue, Grinders, Nitrominds, Cordel do Fogo Encantado… A marca patrocinava bandas como estratégia de marketing e essa parceria me acrescentou um grande mergulho na arte e música. Estes citados são apenas alguns, sendo que com alguns tenho grande afinidade até hoje e outros apenas de passagem.

– Você já trabalhou bastante no meio musical. Fale um pouco de suas experiências.
Fiz boas parcerias com bandas e isso me enriqueceu muito de cultura. Quando conheci Iggor Cavalera e sua postura de protesto, em 1998, consegui enfim canalizar minha insatisfação com as mazelas deste mundo caótico e transformar em arte de protesto. Eu e Iggor fizemos algumas parcerias na arte urbana, grafitando o bar Sarajevo (SP), por exemplo. Iggor me convidou para fazer a capa do segundo álbum do Sepultura com o Derrick Green no vocal, “Nation”, onde criei o logo pentagrama com o clássico logo “S” e os desenhos iniciais. Depois destes layouts, o artista urbano Sheppard Farey enfim desenvolveu a capa.

Outro grande parceiro da mesma época é o Clemente (Inocentes). Trabalhávamos juntos e na época ele me convidou pra fazer a capa do histórico álbum “Garotos do Subúrbio”, relançado em CD na época. Grande honra, pois tem as músicas que mais gosto até hoje. Eu e Clemente nos tornamos grandes amigos e até hoje produzo as capas dos álbuns dos Inocentes, contabilizando uns 9 álbuns mais ou menos (perdi a conta!) e algumas estampas de camisetas. Atualmente estou criando a capa do próximo EP em vinil que sairá este ano ainda.

Fiz o logo da banda pós-Raimundos do Rodolfo Abrantes, o Rodox. Minhas estampas “TV Kills” foram parte integrante da bandas no álbum e apresentações.

Várias outras parcerias se formaram. Um dos grandes é André Alves, do Statues on Fire e ex-Nitrominds, para quem fiz artes para cartazes e capa de CD. O punk, o rock e a sua característica cultura do faça-você-mesmo, me proporcionam trabalhar com pessoas que desde sempre nadaram contra a maré e arregaçam as mangas muito antes desta facilidade tecnológica de hoje em dia. Atitude e protagonismo real.

– A capa do disco “Século Sinistro” (2014) do Ratos de Porão é sua. Qual foi a ideia pra criar essa capa?
Esta história é massa: em outubro de 2013 eu estava em Cianorte (PR), ministrando uma palestra e oficinas sobre arte urbana e graffiti stencil, quando recebi uma mensagem insana do João Gordo, que até então não conhecia (fora nas dezenas de shows que assisti). Na mensagem ele comentava sobre uma série de artes que fiz para um álbum split onde o Ratos de Porão cantaria Sepultura e Sepultura cantaria Ratos de Porão. De fato a arte ficou muito boa, em 2000 mais ou menos, mas não rolou por causa da mulher do Max Cavalera que deu uma de Yoko Ono e barrou o projeto. É o que sei sobre a não realização do split.

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Enfim, estava em Cianorte e a mensagem dizia: “Salve seu Tatoo, tudo bem? A arte do split RxDxPx Vs. Sepultura é realmente sua? Tenho esta arte no meu banheiro e sempre que tô cagando fico olhando pra ela. Daí surgiu a ideia: Você quer fazer a capa do próximo álbum do Ratos?” (risos)

Uma vez uma garota queria comprar um quadro meu pra por no banheiro dela e eu me ofendi. Disse que pro banheiro ela poderia comprar aqueles quadros com chimpanzé escovando os dentes, jogando sinuca… e no fim, mordi a língua. De todos os trabalhos com bandas, este é de longe o mais relevante e importante para mim e foi inspirado num momento de reflexão no trono.

A concepção total foi obra do João Gordo. Fui o decodificador, mas o cara é gente boa demais, e muito esclarecido. Sugeri que a arte fosse feita em uma grande tela de canvas e de usarmos a técnica do graffiti stencil. Expliquei que o graffiti no Brasil começou com o estilo stencil, no final dos anos 70, e sua origem vem de referências do movimento punk de protesto europeu e dos álbuns de heavy metal, assim a arte ganharia alma e sairia do pasteurizado digital. Como o álbum foi gravado analogicamente, isto é, ao vivo e sem aquele retoque de protools e etc, o João acatou a ideia: fomos além do layout digital e a arte que ele aprovou virou uma tela de +- 9 x 2,5m ao todo, contando capa, contra capa e fundo para as letras das músicas.

10499352_1012759255405833_7779136306767506852_o– Na sua série “Heróis do Brasil”, você compara Luiz Gonzaga a Elvis.
A ideia do Gonzagão ser o Elvis é apenas uma brincadeira no estilo Pop Art. Por que valorizar apenas a cultura estrangeira? Às vezes uma paródia vale como reflexão.

– Quais são suas bandas preferidas?
São muitas, entre bandas, artistas solo e grupos de rap…
Brasil: Ratos de Porão, Inocentes, Autoramas, Sabotage, Flicts, Polara, RZO, De Menos Crime, GOG, Gonzagão, Garotos Podres, Zefirina Bomba, Devotos, o Rappa, Agrotóxico, Nação Zumbi, Dead Fish e Questions.
Gringos: Ramones, Red Hot Chili Peppers, John Frusciante, AC/DC, Atari Teenage Riot, Rob Zombie, Turbonegro, Motorhead, Mudhoney, Descendents, Bad Religion, Face to Face, Kiss, Fugazi, Monster Magnet, Misfits, Rasta Knast, Husker Dü.

– A música inspira seus grafites?
Musica definitivamente é alimento da arte. Sem trilha sonora não existe inspiração. Em todos os álbuns que fiz a capa, obrigatoriamente preciso ouvir o som do álbum. O legal disso é ouvir os sons em primeira mão, muitas vezes no momento da gravação, no estúdio.

– Já foi convidado pra criar mais capas de discos este ano?
Sim. Atualmente estou produzindo o novo EP dos Inocentes e o CD da banda Guerrilha. Já fiz Cordel do Fogo Encantado, Flicts, RDP, Inocentes, Nitrominds/D.Sailors.., preciso lembrar, são muitos!

10612796_948579311823828_5879596926075091768_n– Você já trabalhou na Cavalera. Qual era seu trabalho lá?
Era diretor de arte. Entrei quando a marca tinha dois anos de vida e estava em vias de falência por causa de separação de sociedade. Ao assumir a direção, decretei a arte da Fênix, que já existia como uma estampa da série brasões como logotipo oficial e assim a marca ganhou identidade e literalmente decolou.

Comecei como diretor de arte de ninguém, pois só eu desenhava para a marca. Mais tarde tive uma equipe de arte com uns 15 designers, no auge da produção da marca. O carro chefe era e ainda é estamparia em camisetas. Também fazia vitrines, cenários de desfiles, campanhas, tags, adesivos, catálogos, campanhas fotográficas, convites para desfiles, dirigia o conceito das trilhas sonoras de desfile, que teve DJs como Kid Vinil, DJ Zegon (Planet Hemp e Tropkillaz), Iggor Cavalera, DJ Marky, DJ Patife, Edu Corelli, entre outros. Minha direção com estas feras do som era dar total liberdade e botar peso no som. (risos) Bom demais.

Também criava os temas das coleções junto da equipe de estilo, e o que mais precisasse. Carregar cenário, varrer… Vestia a camisa de corpo e alma. Com certeza foi o auge da minha carreira quando trabalhava no sisteminha de funcionário de empresas e etc, pois aliar música e arte é o sonho de todo artista.

– Você tinha muitos contatos ligados à música naquela época, certo?
Muitos. Difícil é lembrar quando se vivencia. Recebi as bandas TSOL e Agent Orange na loja Cavalera, pois como citei, a marca patrocinava bandas com suas roupas como estratégia de marketing. Este era o momento áureo da minha carreira, pois ganhava ingresso para qualquer show que quisesse. Qualquer show mesmo. Era só ligar pra secretária do dono da marca e dizer qual show e que rádio patrocinava que ela retornava perguntando se eu queria camarote ou pista. Lógico que a resposta era pista. No caso do show do TSOL e Agent Orange, rolou camarote (gentileza das bandas), e logo na primeira música o vocal do Agent Orange me reconheceu e me cumprimentou. São bobagens boas de se viver.

Viajar pra Nova Iorque e Califórnia com Ice Blue (Racionais MCs) a trabalho também foi algo absolutamente inusitado. Cabaço que sou, fiquei com meio medo dos rolês que fizemos. Deixei de ir em algumas festas com Blue porque era só mano quente. Eu com essa cara de latino não encarei as mais roots. (risos)

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Conhecer Bruce Dickinson, Marky Ramone, Cássia Eller, recebê-los na fábrica e tratar diretamente com eles, quebrando aquela imagem de que personalidades famosas são seres de outro mundo e sim pessoas de verdade, valeu como lição de vida.

Uma passagem marcante na Cavalera era o momento de apresentar a coleção da marca para o Iggor, que leva o nome da marca. Como ele é muito ligado às artes e comportamento, toda coleção era passada pela aprovação dele antes de ser produzida. Pra quem não acompanha a moda, assim como eu era, vale entender que de 6 em 6 meses as marcas fazem uma coleção nova, isto é, todo semestre é criada uma série de roupas e acessórios de acordo com um tema pré estabelecido. Na minha época os temas eram insanos, tal como realismo fantástico, novelas antigas (deboche da tevê), medidas de segurança, motocross e etc.

Depois que a equipe de criação, que era uma equipe de ouro, desenhava as roupas e eu as estampas e o Iggor voltava das turnês mundo afora, rolava uma reunião de apresentação dos desenhos da coleção. Nas reuniões os estilistas explicavam tudo que rolou. O tema, os desenhos das roupas, eu falava das estampas, e por aí vai. Frequentemente ele via tudo calado e só falava: “Legal. Legal. Legal”, na tentativa de encurtar a reunião. Aí a reunião acabava, todos saíam da sala e eu ficava pra gente conversar informalmente, sobre as turnês, som, arte de protesto… papo furado. Mas na real, aquela hora era a hora que ele se sentia a vontade de dizer o que realmente achava de verdade da coleção. Não precisa dizer que moda tende ao lado fashion. Afinal, é moda. Aí ele falava: “Cara, como vou vestir estas roupas? Sou baterista! Não dá pra usar estas roupas modernas!” Aí ele explicava sua opinião e eu “traduzia” pra equipe de estilo. Fazia um pente fino com ele e repassava pra equipe.

O massa da Cavalera é a ligação da moda com a música. O momento mais legal da minha carreira. Muita música e liberdade total para criar. Nos eventos do São Paulo Fashion Week, a Cavalera era a marca mais esperada. Fazíamos cenários malucos, convites malucos e trilhas sonoras insanas! Igualmente os convidados para assistir os desfiles também eram pra lá de inusitados.

Uma vez, na coleção “Realismo Fantástico”, um dos convidados foi o mutante Arnaldo Baptista. Pode não parecer, mas o mundo da moda é um lugar de muito trabalho sério e grande responsabilidade, pois esses eventos são como grandes circos. Muita gente trabalhando, desde faxineiros a eletricistas, técnicos de som, costureiras, seguranças, celebridades, etc. Nessa maluquice toda, o Arnaldo e sua esposa, Lucinha, ficaram meio deslocados, já que chegaram antes do evento, durante a montagem. Foi um dos momentos mais gratificantes de estar nesse meio da moda. Consegui encaminhar minha parte do trabalho e fiquei com Arnaldo batendo papo furado. A luz e simplicidade dele é encantadora. Ele achou tudo lindo, as pessoas lindas, as luzes… Existe algo de especial nele que dá pra identificar nas músicas e entrevistas antigas. O modo de falar. No fim das contas consegui assistir o desfile ao lado dele, Lucinha e da Sonia Abreu, a primeira DJ do Brasil, lendária pelo seu programa “Músicas do Quarto Mundo”.

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– Você já teve alguma banda?
Eu me contento como fã. Até hoje gosto de ir perto do palco e pogar. Só mosh que não faço mais. Tô velho.
Não sei tocar instrumento algum. Só tinta mesmo.

O que andei ouvindo – 24 a 30/03

Cypress Hill – Peguei o primeirão do Cypress Hill essa semana pra ouvir. Muito bom. A trinca de abertura já mostra do que os caras eram capazes: “Pigs”, “How I Could Just Kill a Man” e “Hand On The Pump”. Clássico.

Ice-T – Se você acha que a mistura de rap e rock que assolou o fim dos 90s e o começo dos 00s veio puramente do Run-DMC tocando com o Aerosmith, precisa ouvir o discurso de Ice-T antes da paulada “Body Count” no disco “Original Gangster”.

Aerosmith – Ouvi bastante o “Pump”, um dos discos que reergueu a banda de Steven Tyler nos anos 80 depois de uma longa decadência no fim dos 70s.

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