Crush em Hi-Fi

Música, trilha sonora, CDs, discos, DVDs, mp3, wmas, flac, clipes, ruídos, barulho, sonzera ou como quer que você queira chamar.

Arquivo para a categoria “soul music”

Os maravilhosos samples obscuros que Moby usou em seu disco “Play”, de 1999

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Em 1999, Moby lançou seu elogiado disco “Play”, o quinto de sua carreira. O álbum chamou a atenção por ter todas as canções licenciadas pelo artista para utilização em comerciais e trilhas sonoras. Ou seja: Moby dominou as paradas e aparecia inclusive nos intervalos comerciais.

Vale a pena garimpar atrás dos samples que Moby usou nas músicas. Muitos deles saem diretamente de gravações antigas e obscuras de soul, blues, gospel e jazz.

“Natural Blues”, lançado como single em 2000 acompanhado por um divertido clipe em animação, foi um dos maiores hits do disco.

Vera Hall gravou “Trouble So Hard” em 1959 no disco “Sounds of The South”. Nascida em 1902 no Alabama, Vera era uma cantora de Folk que cresceu em Livingston e ganhou exposição nos anos 30 com sua voz poderosa.

“Bodyrock”, hit que virou single em 1999 e apareceu até em trilha de Fifa Soccer, veio do finalzinho de “Love Rap”, de 1980, de Spoonie Gee and The Treacherous Three. Você ouve a letra aos 5:32 da música.

“Find My Baby”, último single do disco, foi lançado em fevereiro de 2001, com um clipe cheio de bebês superstars.

A voz do hit veio de “Boy Blue”, um blues incrível de Joe Lee’s Rock, lançado em 1959 pela Atlantic Records.

O mega-hit deprê “Why Does My Heart Feels So Bad” saiu em novembro de 1999 e fez sucesso com mais um clipe de animação que conquistou os espectadores da Mtv.

De onde veio a voz calejada e cheia de dor? The Banks Brothers and The Greater Harvest Back Home Choir, em “He’ll Roll Your Burdens Away”, lançada em 1963. Mesmo a voz “de mulher” que rola na música do Moby vem dessa música, em uma versão com o pitch alterado.

A colaboração com Gwen Stefani “South Side” saiu em 2000 e difere um pouco do restante do álbum, se aproximando mais de um single pop.

A bateria da música vem do The Counts. Você pode ouví-la na música “What’s Up Front That Counts”, de 1971 (aos 6:40):

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Como Fatboy Slim montou “Praise You” com um soul de 1975 e uma faixa de ensaios de piano

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Em 1998, o hit “Praise You”, de Fatboy Slim, dominava as rádios brasileiras. Um refrão repetitivo, um piano que gruda na cabeça e um clipe divertido fazem deste single um dos maiores sucessos de Norman Cook. Está presente em “You’ve Come a Long Way, Baby”, disco de maior sucesso do DJ.

A letra e voz vêm de “Take Yo’ Praise”, música de Camille Yarbrough lançada em 1975 em seu primeiro disco, “The Iron Pot Cooker”. Um soul funky de encher os ouvidos de qualquer um:

Já o piano que permeia toda a música saiu de um ensaio. Sim, do trecho de um ensaio de Hoyt Axton and James B. Lansing Sound Inc., que começa inclusive com risadas na faixa e contém interrupções. Esta jam, “Balance & Rehearsal”, está no disco “Sessions”, de 1973.

O trecho que Fatboy Slim usou começa aos 2min42seg desta faixa:

Londrinos do newstargazers querem salvar a sua alma da perdição da indústria musical

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Uma mistura de rockabilly, garage e soul está sacudindo a cena underground de Londres. Formada por Almirante Stargazer (vocais e guitarra), Nacho Heres (baixo), David “Mr. Zoom” Zomeño (teclado) e Rosa Lombas (bateria), o newstargazers quer dominar o mundo e em breve se tornar uma nova referência da cena rocker. Não sou eu que estou dizendo, o próprio Almirante me falou isso!

Inspirada em nomes como Otis Redding, The Rezillos, Del Shannon e The Gories (especialmente o The Gories), a banda une a sujeira do garage rock, a energia do soul e o ritmo do rockabilly em um som dançante e divertido. Conversei com o band leader Almirante Stargazer sobre a cena underground londrina, sonhos com William Shatner e como a indústria musical pode roubar a sua alma:

– Como a banda começou?

Eu sou amigo do Nacho desde a faculdade. Estávamos sempre tocando em bandas diferentes e pensando em tocarmos na mesma. Eu estava vivendo em Madrid em 2013, mas pensando em um novo começo para minha vida. Nacho estava vivendo em Londres e eu decidi ir pra lá também e dar uma chance! Formamos a banda com a ajuda do fabuloso David Zoom e um monte de bateristas diferentes. Depois de três bateristas, ficamos com a talentosa Rosa Lombas, a mais simples e poderosa baterista de todos os tempos! Depois de ensaiarmos por um ano, a banda ficou pronta. Começamos a tocar em Londres com um ideia clara: estamos dando nossa cara para o rockabilly para levá-lo a uma nova dimensão.

– Quais as suas principais influências musicais?

Del Shannon, Gene Vincent, Johnny Kidd, Otis Redding, Johnny Burnette, The Remains, The Rezillos, The Gories, The Gories THE GORIES!!! Aliás, nós chegamos a falar do The Gories?

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– Pode me falar do que já lançaram até agora?

Temos um EP independente chamado “Monster Songs for Mutant Hearts”. Queremos gravar um novo EP logo, talvez o título possa ser “Mutant Songs for Monster Hearts”. Ainda não sei, mas uma coisa é certa: teremos mais material bom em breve!

– Você acha que o Youtube e a internet em geral ajudam a divulgar bandas pelo mundo?

É possível que o Youtube esteja ajudando novos artistas, mas na verdade você sempre precisa de boas músicas. Se você não tiver boas músicas, está fora. newstargazers só fazem hits. Duvidam? Vão ao nosso Soundcloud, irmãos e irmãs!

– Como é o processo criativo de vocês?

O processo criativo é bem simples; William Shatner, Mick Collins e Del Shannon vêm me ver em meus sonhos e me ensinam como fazer a música. Depois, Nacho escreve as letras. Todas são sobre as aventuras dos newstargazers. Mr. Zoom adiciona seus lindos arranjos de teclado e Rosa coloca sua mistura de sua linda e melódica voz e bateria simples e poderosa. Nós não temos como falhar com esse sistema, Sir!

– Se vocês pudessem fazer cover de QUALQUER música, qual seria?

Nós tocamos algumas músicas do Del Shannon e The Gories. “Keep Searchin’” e “Thunderbird ESQ” estão entre elas. Talvez no próximo show a gente toque apenas músicas desses deuses do rock’n’roll!

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– Como você definiria o som do newstargazers?

Nosso som é uma mistura de rockabilly rápido, garage sujo e black soul. Isso é o guia newstargazers para fazer músicas dançantes que soam poderosas.

– O que vocês acham das músicas que estão sendo lançadas hoje em dia?

A música é sempre um conceito livre. O problema aparece quando a indústria quer fazer hambúrgueres com música. Quando você é criança, você não tem proteção da indústria. Você acaba ouvindo coisas muito comerciais. Se você tiver a boa sorte de ter bons amigos com bom gosto musical, está salvo. Se não tem essa sorte, sua alma está amaldiçoada. Mas não se preocupe, newstargazers vai salvar suas almas!

– Onde vocês gostariam de ver sua carreira em 10 anos?

É bem possível que sejamos uma referência do novo rock’n’roll.

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– Fale quais bandas novas chamaram sua atenção recentemente.

Bandas novas? O que é isso? Os newstargazers apenas ouvem The Gories e Del Shannon, o resto não é excitante e perigoso o suficiente para nós! De qualquer forma, às vezes ouvimos outras coisas… Mr. Zoom gosta de uma banda chamada Black Rebel Motorcycle Club. Nacho é fã do Oh!Gunquit e MFC Chicken, talvez as duas melhores bandas da cena underground de Londres. Rosa está ouvindo bastante o novo disco dos Raveonettes. Às vezes ouço a banda revolucionária V8ford. Você pode ouvir a música deles aqui: http://www.viruk.com/v8ford/ Ah, não sei se falei pra você de duas bandas muito boas: The Gories e Del Shannon

Ouça as músicas do newstargazers no Soundcloud dos caras:

“Good Times”, a linha de baixo do Chic que praticamente TODO MUNDO já sampleou

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“Good Times” é uma das músicas mais perfeitas para o sample. O groove do baixo da canção do Chic era usada desde os tempos mais primórdios nas turntables, servindo como uma base incrível para rappers despejarem sua verborragia. A música foi lançada em 1979, na efervescência das “block parties” de Nova York que ajudaram a pavimentar o caminho do rap como estilo musical.

Quantas músicas samplearam a linha de baixo incrível de Bernard Edwards? Por volta de 150, mas não dá pra saber exatamente. O mais famoso som que usou o sample foi, sem dúvida, “Rappers Delight”, da Sugarhill Gang, lançado no mesmo ano. No começo, Nile Rodgers foi contra o sample, e a Sugarhill Gang, em vez de brigar, preferiu se acertar: deram total crédito aos caras, e Rodgers e Edwards aparecem nos créditos como autores da música. Foi um dos primeiros raps a estourarem nas paradas e até hoje rola muito bem em festas.

Aqui no Brasil, uma das mais populares músicas que usam o baixo do grupo de Nile Rodgers é “2345meia78”, sucesso de Gabriel, o Pensador no disco “Quebra-Cabeça”, de 1997. Gabriel escreveu a música “meio na brincadeira” em 1996 e ela se tornou um hit, ficando em 17º lugar entre as músicas mais tocadas de 1997. Telefones com o número do título (234-5678) acabaram sendo vítimas de inúmeros trotes depois de seu lançamento:

Ah, e lógico que rolou o dito “primeiro rap do Brasil”, o clássico “Melô do Tagarela”, cantado por ninguém menos que Miéle. O som saiu em um compacto simples em 1980, e na verdade é uma versão de “Rappers Delight”.

Alguns dizem que o Queen “se inspirou” (ou chupinhou mesmo) o Chic com “Another One Bites The Dust”. Não dá pra negar que sim, é parecido… Bernard Edwards falou para a NME: “Bom, aquela música do Queen aconteceu porque o baixista (John Deacon) passou algum tempo com a gente em nosso estúdio. Mas tudo bem. O que não está tudo bem é que a imprensa começou a falar que a gente plagiou eles! Dá pra acreditar? ‘Good Times’ saiu mais de um ano antes, mas era inconcebível para esse pessoal que músicos negros podiam inovar desse jeito”.

Bom, não parou por aí. Vamos a alguns dos sons que também usaram “Good Times” como base:

O “Robot Rock” do Daft Punk veio diretamente do funk da Philadelphia no fim dos anos 70

Uma das grandes músicas do disco “Human After All” do Daft Punk, lançado em 2005, “Robot Rock” tem um riff que gruda na cabeça mais rápido do que você pode dizer “cucamonga”. É ouvir uma vez e sair cantarolando o riff feito pela dupla francesa o resto do dia.

Um vocoder com os dizeres “robot rock” permeiam a música, enquanto Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo tocam como um power duo no clipe:

A música é praticamente toda derivada de “Release The Beast”, da banda Breakwater. A banda de funk e soul veio da Philadelphia e foi formada em 1971, formada por Gene Robinson, James Gee Jones, Linc ‘Love’ Gilmore, Steve Green, Vince Garnell, Greg Scott, John ‘Dutch’ Braddock, e Kae Williams, Jr. “Release The Beast” está no segundo disco do grupo, “Splashdown”, de 1980. Afaste os móveis e dance aí!

Músicas que podiam ser temas de Bond, James Bond… mas não são

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Você nem precisa ser fã das aventuras do agente 007 pra gostar muito das músicas que são lançadas a cada novo filme de James Bond. Aliás, o lançamento da nova música-tema da série é tão aguardada quanto o filme em si. Afinal, normalmente fazer o tema para Bond é quase que garantia de sucesso, além de ganhar uma enorme exposição imediata.

O que faz de uma música um típico tema digno de James Bond? Bom, se formos seguir o que a maioria dos filmes possui, três coisas são muito importantes: orquestra, uma guitarra quase surf music e um certo clima de mistério/ação. O som não necessariamente precisa compilar os três elementos, mas pelo menos dois deles precisam estar presentes para que exista um “clima” Bond. Neste caso, um nítido escorregão foi o de Madonna, com a música eletrônica “Die Another Day”, que não tinha nada a ver com o que se espera de um tema para o bem vestido espião. Escorregada esta que fez a música ficar bem longe da lista dos grandes sucessos musicais da cinessérie.

Pois bem: as “músicas Bond” já fazem parte da cultura pop tanto quando o número 007 e as Bond Girls. Graças a isso, muitas bandas e artistas criam canções explicitamente inspiradas no clima e no formato típico do personagem de Ian Fleming. Listei aqui algumas que não fariam feio abrindo um filme do inglês (principalmente no lugar de “Die Another Day”, que desperdício de música…)


Muse – Supremacy

“Supremacy” foi muito comparada aos temas de Bond, sendo que muitos fãs inclusive queriam que a música fosse a abertura de “Skyfall”. Rumores dizem que a canção foi escrita pensando em fazer parte do filme de 2013, mas nada foi confirmado. O baterista Dominic Howard comentou sobre as comparações, dizendo que “’Supremacy’ tem aquela vibe Bond – um pouco na linha de ‘Live and Let Die’”.


The Rubens – My Gun

Esta tem todo um clima que se encaixaria perfeitamente na abertura de Bond. A guitarra calcada em surf music, o crescendo no meio da música, e até a letra. Inclusive o clipe de “My Gun” alude à obra de Ian Fleming, o que leva a crer que a canção foi criada com 007 em mente. Uma bela homenagem, aliás.


Green Day – Espionage

O Green Day compôs “Espionage” para a trilha do primeiro filme do espião inglês com os dentes peculiares Austin Powers, de Mike Myers. Como a película é uma bela tiração de sarro em cima do personagem inglês, a música não poderia ser diferente. A guitarrinha surf music de Billie Joe Armstrong com a orquestra comendo solta revelam a influência dos temas clássicos de Bond.


Janelle Monáe – BaBopByeYa

Sintam a orquestra. O ritmo cadenciado. O clima de mistério e sensualidade. Sim, parece muito com as clássicas músicas-tema de Bond de Shirley Bassey, “Goldfinger”, “Diamonds Are Forever” e “Moonraker”. Se realmente fosse um tema de 007, provavelmente seria o mais longo, com quase 9 minutos de duração. Se Monáe disser que não se inspirou em “Bond music” pra criar essa, ela está mentindo.


Johnny Cash – Thunderball

Essa aqui não foi tema de Bond por um triz. Cash criou esta pérola para o tema de “Thunderball”, que acabou ficando com Tom Jones. O homem de preto teve sua música substituída aos 45 minutos do segundo tempo. “Mr. Kiss Kiss Bang Bang”, cantada por Dionne Warwick, também foi considerada para tema do filme, o que indica que escolher a versão de Tom Jones não foi uma escolha unânime. Imagina só um filme de Bond com trilha do Cash. Só imagina.


Blondie – For Your Eyes Only

O mesmo caso que rolou com Cash: a canção do Blondie foi limada do filme lá no meio da produção. Os produtores preferiram a canção interpretada por Sheena Easton (sim, eu também me perguntei ‘quem?’) no lugar da música da banda new wave. É isso mesmo: preferiram Sheena Easton (quem?) à Debbie Harry. Ah, esses produtores…


Madonna – Frozen

Esta aqui é mais uma bronca do que uma candidata. Porra, Madonna. “Frozen” se encaixaria perfeitamente como tema de Bond. A orquestra, o mistério, a batida… Seria lindo. Aí te dão a oportunidade de criar uma música pro 007 e você aparece com “Die Another Day”? Sério? Você pode mais que isso, Madge. De verdade. “Frozen” abrindo um filme da série seria muito mais bonito de se ver.


Florence and the Machine – Seven Devils

Feche os olhos. Imagine aquele comecinho de um filme novo de James Bond. Imaginou? Agora dá play na música. Combinou? Sim, eu te falei que combinava. A voz de Florence Welch e a batida desta música do disco “Ceremonials” casam direitinho com a série. Até o nome fica bom como nome do filme. “007 and the Seven Devils”, imagina só.


 Michael Bublé – Cry Me a River

A versão de Michael Bublé para “Cry Me A River” tem tanta cara de Bond que você pode encontrar diversas montagens colocando a canção na abertura de “Quantum of Solace”. E não fica nada mal, viu. A orquestra dominando e a guitarra cheia de slides, além da grande voz do rapaz, casam direitinho do que se espera do espião.


 

Duffy – Rain On Your Parade

Uma grande canção “retro-soul-pop” de Duffy que originalmente seria tema de “Quantum of Solace”. No fim, acabaram escolhendo “Another Way to Die”, com Jack White e Alicia Keys. Não importa: a música de Duffy continua incrível e merece ser ouvida. As cordas dão todo o clima misterioso que um filme do personagem exige.


 

Você, fã do personagem de Ian Fleming, lembra de alguma outra música que a cairia como uma luva na trilha sonora de um filme de James Bond? Deixe sua sugestão aí nos comentários!

Músicas para embalar os seus domingos e esquecer das segundas

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Domingo. Um dos dias mais odiados da semana. Não pelo domingo em si, mas por preceder o primeiro dia útil, ele é até mais triste que a inevitável segunda. E por este motivo, é um dos dias com grandes músicas dedicadas a ele. E já que os sentimentos destinados ao primeiro dia da semana não são dos melhores, o mesmo não se pode dizer das canções.

E se seu domingo está sem graça e precisando de uma trilha sonora, deixa comigo.


Faith No More – Easy

Sim, a versão original dos Commodores é incrível, mas a trupe de Mike Patton fez uma versão que me diz muito mais e passa melhor aquele sensação “dominical” que é a intenção aqui. Segundo Lionel Richie, que escreveu a música, ela “se aplica a qualquer pessoa que vive em uma pequena cidade do Sul dos EUA. Pequenas cidades do sul ficam mortas à partir das 23:30 de sábado. Então eu meio que tive que pensar em minhas próprias experiências – de Lionel Richie de Tuskegee, Alabama, onde não há coisas como festas que vão até às 4 da manhã.


 Titãs – Domingo

Acho que, pra mim, esta é a música que mais simboliza este dia tão preguicento. Paulo Miklos fala sobre tradições do domingo brasileiro, como a presença inevitável de Sílvio Santos com sua risada característica na TV (o que acabou atrapalhando sua veiculação via Rede Globo, que não queria citações ao rival) e quase tudo fechado. A música deu nome ao oitavo disco dos Titãs, lançado em 1995.


Queen – Lazy On A Sunday Afternoon

Esta ode à preguiça saiu no disco “A Night At The Opera”, de 1975, e fala basicamente de como o interlocutor ama a preguiça de um domingo à tarde. Curtinha.


David Bowie – Sunday

A faixa que abre o disco “Heathen”, de 2002, marca o retorno de Tony Visconti, que produziu muitos dos discos clássicos dos anos 70. Como o Bowie nunca tentou explicar esta letra, fica difícil querer definí-la. Dê uma ouvida e tente descobrir o que o camaleão quis dizer.


Sonic Youth – Sunday

O primeiro e único single do disco “A Thousand Leaves” trazia Macaulay Culkin em seu clipe. O ator andava meio sumido depois do sucesso de “Esqueceram de Mim”. Segundo o próprio Thurston Moore, o riff principal foi “emprestado” da música “Skeleton” da banda Helium, uma de suas preferidas.


Stone Temple Pilots – Naked Sunday

Sim, domingo é um bom dia pra ficar peladão em casa, porém a música não fala sobre isso. A faixa do disco “Core” fala sobre fé e espiritualidade, perguntando a Deus porque deveríamos confiar nele quando o fim chegar depois de tudo que passamos aqui na Terra. É, uma bad trip pesada do Scott Weiland.


Velvet Underground – Sunday Morning

Esta foi escrita por Lou Reed num domingão por volta das 6 horas da matina. Andy Warhol sugeriu que ele escrevesse sobre a sensação que rola quando o efeito do coquetel de drogas que o rapaz tomava estava passando. Reed não deixou que Nico cantasse essa: ele mesmo cantou, imitando ela.


Oasis – Sunday Morning Call

A primeira música com Noel Gallagher nos vocais desde “Don’t Look Back In Anger” saiu no disco “Standing In The Shoulder Of Giants” e é, novamente, uma balada. A música é sobre pessoas (que Noel não quis citar, mas se desconfia que ele fala de Kate Moss) que apareciam em sua porta de manhã, bem loucas. O clipe é inspirado no filme “Um Estranho No Ninho”.


Jefferson Airplane – Young Girl Sunday Blues

Do terceiro disco do Jefferson Airplane, “After Bathing at Baxter’s”, saiu esta pérola psicodélica dançante. Uma música um pouco mais alegrinha para o seu domingo.


Video Hits – Silvia 20 Horas Domingo

A versão da banda gaúcha Video Hits para a música da fase psicodélica de Ronnie Von é incrível. Diego Medina e sua trupe imprimem uma felicidade próxima à do B-52’s à canção, deixando-a com cara de domingão feliz. Tio Ronnie deve ter ficado orgulhoso dos pupilos. Pena que a banda durou tão pouco…


Tim Maia – Um Dia de Domingo

O vozeirão do rei do soul brasileiro vai bem com qualquer domingo. Faz de conta que ainda é cedo.


Ângelo Máximo – Domingo Feliz

Uma pérola do brega que eu adoro. Essa é pra deixar qualquer domingo feliz. Deixe o preconceito de lado e cante com o Ângelo Máximo que hoje é, sim, o seu dia.

Michael Jackson: o rei do pop e seus amigos

Não me incomoda o título que Michael Jackson criou para si mesmo. Não dá pra discutir muito que o cara foi, realmente, o “rei do pop”. Aliás, um dos criadores do pop como o conhecemos hoje (para bem e para mal). Mas além de sua discografia quase impecável (pelo menos até “Dangerous”), Michael também realizou ótimas parcerias com seus muitos amigos artistas. Conheça algumas das melhores (e algumas inexplicáveis). Sham’on:

State of Shock (com Mick Jagger)

Esta aqui na verdade não é solo do Jacko, sendo uma parceria dos Jacksons (ex-Jackson 5) com Mick Jagger, dos Rolling Stones. Originalmente, essa música foi uma das que Jackson gravou com Freddie Mercury (junto com “Victory” e “There Must Be More To Life Than This”, que veremos em breve). O motivo de terem regravado com Jagger no lugar de Mercury nunca foi revelado.

Say Say Say (com Paul McCartney)

A duplinha já havia gravado “The Girl Is Mine” em “Thriller” de Jackson, e fizeram esse dueto para “Pipes Of Peace”, de McCartney. A música ficou em primeiro lugar por seis semanas nas paradas americanas e o clipe é um clássico oitentista (e seu enredo foi zoado devidamente no Piores Clipes do Mundo, quando o Marcos Mion ainda tinha graça) com a participação da eterna companheira de Paul, Linda McCartney, segurando vela para o dueto.

All In Your Name (com Barry Gibb)

A parceria de Michael Jackson com um terço dos Bee Gees é uma baladinha meio mixuruca, se formos considerar os dois talentos unidos aqui. Apesar de ter sido gravada em 2002 e lançada em 2011, a música poderia muito bem fazer parte de qualquer coletânea de baladinhas oitentistas das mais babadas. Vale ouvir pela curiosidade, apenas, o que é uma pena.

Get It (com Stevie Wonder)

Apesar de ter dois gênios em ação, “Get It” não é uma das melhores parcerias desta lista. Dançante (e bem oitentona), a música saiu em 1987 no disco “Characters” de Wonder. Como eram os anos 80, tudo é muito cheio de sintetizadores 80s e o piano matador de Stevie mal é ouvido.

There Must Be More To Life Than This (com Queen)

O dueto de Michael e Freddie pode não parecer bacana nas primeiras audições, mas ele meio que cresce em você. Aí o refrão fica na cabeça. Lógico que não é nada inesquecível como “Thriller” ou “Bohemian Rhapsody”, mas é uma baladinha até que simpática.

Watzapwitu (com Eddie Murphy)

É estranho o que eu vou dizer, mas é verdade: a improvável parceria com Eddie Murphy é um dos melhores duetos desta lista. “Watzapwitu” foi lançada em 1993 no terceiro disco do Tira da Pesada, “Love’s Alright”. Sim, é um R&B genérico dos anos 90, mas emula bem o que estava sendo produzido naquela época e tem um refrão fácil e chicletudo.

Somebody’s Watching Me (com Rockwell)

Acho que esta é a minha preferida de todas as parcerias que Michael Jackson já fez (rivalizando, talvez, com as ótimas participações de Eddie Van Halen e Slash em algumas de suas músicas). Lançado pela Motown em 1984, “Somebody’s Watching Me” é o single de estreia de Rockwell. É um one hit wonder sensacional com o refrão cantado por ninguém menos que Jacko, falando sobre o sentimento de paranoia. Nota 10.

This Time Around (com Notorious B.I.G.)

Esta aqui faz parte do disco HIStory, a auto-homenagem de Jackson a si mesmo. A curiosidade é a participação de Notorious B.I.G., que faz um pequeno verso no meio da música. No mais, é um daqueles R&B típicos de Jacko nos anos 90 e poderia muito bem estar no meio de Dangerous, de 1991.

What More Can I Give (com Beyonce, Celine Dion, Hanson, Ricky Martin, Usher, Nick Carter, *NSync, Mariah Carey, Santana, Gloria Estefan, Shakira, Maya, Tom Petty e mais)

A tentativa pós-11 de setembro de reproduzir “We Are The World” de Michael não foi das mais bem sucedidas, mas vale a curiosidade de ver MJ junto com artistas pop mais atuais, como Beyoncé, Backstreet Boys, Mariah Carey e Usher em uma daquelas músicas cheias de participações buscando ajudar a uma causa qualquer. Foi lançada em 2001 e ganhou uma versão diferentes, com artistas latinos, chamada “Todo Para Ti”.

We Are The World (com Cindy Lauper, Billy Joel, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Willy Nelson, Tina Turner, Ray Charles, Stevie Wonder, Steve Perry, Lionel Richie e mais)

Preciso realmente falar dessa aqui? Lançada em 1985 com o intuito de angariar doações para a África, “We Are The World” juntava muitos dos grandes artistas dos 80s (só não sei onde foi parar a Madonna, que Cindy Lauper substituiu com louvor) em 7:14 minutos de melodia que gruda na cabeça que ganhou três Grammys e muitos outros prêmios.

O sample de “Vida Loka II” dos Racionais

Eu adoro pesquisar por conexões em músicas. Quando sai disco de covers, vou correndo ouvir as versões originais (normalmente, acabo gostando mais delas). Hoje, fui atrás do sample de “Vida Loka – Parte II” dos Racionais MC’s, do disco “Nada Como Um Dia Após o Outro Dia”, de 2002.

O som que permeia todas as rimas deste clássico da trupe de Mano Brown é “Theme From Kiss Of Blood”, da Ray Davies Orchestra, de 1976. De onde tiraram esse som?

“KL Jay conta que Mano Brown produziu a faixa sozinho, e descobriu o sample (“triste, triste”, na opinião do DJ) quase ao acaso. “Ele encontrou o disco [Os Detetives] jogado num quintal. Colocou para ouvir e falou, ‘é essa’. Você vê, os diamantes às vezes estão na lama.” O tal disco era uma coletânea de temas de séries policiais interpretados pela Button Down Brass com participação do trompetista Ray Davies (homônimo do líder do Kinks). Só que a faixa escolhida para o sample, “Theme from Kiss of Blood”, era de um seriado inexistente, tinha sido composta pelo próprio Davies e foi colocada sorrateiramente na seleção – até que Brown a desenterrasse para ser a trilha sonora de motoboys a boys brasileiros” [Fonte]

O sample incrível de “Crazy In Love” da Beyoncé

De tempos em tempos, vou contar aqui o segredo de algumas grandes canções da música. Muitas delas se utilizam de samples e inspirações em outras grandes músicas. E, cara, acho que não sou só eu que me divirto pra caramba ouvindo a inspiração de um hit. Ou sou?

Vou começar com um sample sensacional presente no arrasa-quarteirão “Crazy in Love”, da Beyoncé.  Este sample é o responsável pela explosão que é a introdução deste hit, aquele que faz as pessoas gritarem ~uuuuuuuuuhhhh, minha músicaaaaaa~ na pista de dança.


“Are You My Woman (Tell Me So)”, do grupo de soul The Chi-Lites, de Chicago, possui todo o balanço que você já conhece via Queen B, mas com muito mais funk injetado. O som de 1971 é uma delícia de se ouvir.

Já pensei em discotecar essa música aqui em São Paulo, mas acho que eu seria linchado por fãs da Beyoncé esperando ouvir “Crazy In Love”…

 

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