Crush em Hi-Fi

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Alf, ex-Rumbora, prepara seu primeiro disco solo no esquema de crowdfunding e não descarta uma reunião do Rumbora

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Alf não veio do planeta Melmac ou animou as manhãs da Globo com dublagem de Orlando Drummond, mas como seu xará alienígena, também é teimoso. O ex-Rumbora se mantém na ativa com um projeto de crowdfunding para lançar seu primeiro disco solo, depois do fim do projeto Supergalo e do lançamento de singles como “O Sol Saiu”, em 2013.

“Desde que me entendo por gente a música move minha vida. É minha primeira memória, quando aos dois anos de idade pegava a vitrola de brinquedo da minha irmã e ouvia apaixonadamente os discos da casa. É com o que, desde sempre, me comunico, me reinvento, acho meu lugar no mundo e sou salvo todos os dias”, conta na página do crowdfunding.

“O novo disco contará com 8 músicas inéditas pinçadas entre várias que compus nesses anos de muita dedicação e de bônus, um EP digital com as 3 canções que lancei em 2013 (“O Sol Saiu”, “Guarde Um Lugar” “Pra Onda Boa Me Levar”), clipes e muitas outras recompensas para quem se aventurar nessa comigo”, explica o músico.

Para colaborar com o crowdfunding do Alf e receber o novo trabalho em sua casa, basta ir à página do projeto: http://www.kickante.com.br/campanhas/alf-tenha-o-novo-disco-em-primeira-mao

Conversei com Alf sobre o crowdfunding, sua carreira e o papel do rock no cenário musical brasileiro atual:

– Você está fazendo um crowdfunding para o lançamento de seu primeiro disco solo. O que vai rolar nesse disco?

Comecei esse processo entre o fim de 2010 e o começo de 2011. Me enfurnei no meu home-studio e experimentei várias possibilidades e influências de coisas que ouço desde criança até hoje. A atmosfera é noturna com atenção especial à batidas tribais e hipnóticas, grooves maliciosos, riffs maldosos, melodias que contassem uma história e letras inspiradas em amor, sexo, psicodelia e poesia.

– Pelo que li, algumas músicas vão ser gravadas no Estúdio Costella, do Chuck Hipolitho. Sempre vejo ótimas bandas irem gravar por lá. O que o Estúdio do Chuck tem de especial?

O astral é demais. É um lugar muito à vontade e as coisas fluem numa naturalidade muito boa. Além do Chuck ser um grande parceiro. O astral de lá é diretamente ligado à pessoa dele e a forma desprendida como trabalha.

– Você gravou todo o disco sozinho ou tem participações de outros músicos?

Gravei as prés em casa no esquema das músicas que lancei em 2013, mas vamos regravar tudo com todas as válvulas, tambores e microfones que temos direito. Vou tocar boa parte dos instrumentos, mas dessa vez vou ter amigos muito especiais participando em algumas canções. Iuri Rio Branco e Pedro Souto que tocam comigo, por exemplo. Devem rolar algumas surpresas também.

– Qual a sua opinião sobre esse sistema de crowdfundings? Ele ajuda bandas e artistas independentes a construírem sua carreira?

Acho o crowdfunding uma idéia incrível. Uma relação direta com quem admira seu trabalho e acredita nele. E uma solução muito saudável pro momento que vivemos.

– Qual é o papel do rock na cena musical brasileira hoje em dia?

Infelizmente, o rock hoje em dia, em sua maioria, está de coadjuvante. É um estilo que precisa de fãs verdadeiros que se interessam em acompanhar a carreira dos artistas (e não suas vidas) e mergulhar no universo que está sendo explorado. Com a rapidez e avalanche de informação em que vivemos tudo fica na superfície. Os 15 minutos de fama os quais o Andy Warhol profetizou. Talvez isso mude. Me parece um grande deslumbre, mas o tempo é o senhor de tudo.

– Quais são suas principais influências musicais nesse disco?

É um caldeirão maluco onde cabem a psicodelia e as trilhas sonoras dos anos 60, os riffs e grooves dos anos 70, o minimalismo, neopsicodelismo e futurismo dos anos 80 e a música brasileira tribal e percussiva.

– Qual a sua opinião sobre a febre da música em streaming?

É muito prático, né? E a gente gosta de praticidade. Por isso as coisas caminharam pra onde estão. O desafio é transformar a experiência em algo mais envolvente. Acho legal porque, ao menos, existem as discografias. As pessoas ficam sabendo qual o disco tem tal música. Tem biografias, fotos. Essas informações estavam se perdendo pelo caminho. Poderiam ter encartes inteiros, letras. O pacote completo. E pagarem melhor os artistas.

– Você já passou por grandes bandas do rock nacional, como Câmbio Negro, Rumbora, Raimundos e Supergalo. O que cada banda te trouxe de experiência?

No Câmbio Negro pude externar a minha base de baixista altamente influenciado pela música negra norte-americana como o funk e o soul e viver o hip-hop que também é muito importante na minha formação. O Rumbora trouxe a realização de fazer uma banda com 4 grandes amigos de infância e tocar o coração de muita gente de uma forma que ressoa até hoje. Tomamos a liberdade de explorar todo e qualquer tipo de música que nos interessasse e foi de um aprendizado sem preço. Nos Raimundos tive a honra de fazer parte de uma entidade do rock brasileiro e girar o Brasil inteiro (além de uma tour nos EUA) com grandes amigos numa estrutura ultra-profissional. No Supergalo o desafio foi tentar ser o mais direto possível nas composições e explorar os novos tempos através de tournées por todo o Brasil, Argentina e Europa em formato totalmente independente. Mais uma vez, com grandes amigos.

– Existe a possibilidade de uma reunião do Rumbora?

Uma hora a gente consegue coordenar as agendas.

– Já me falaram que quando o Rodolfo saiu dos Raimundos, chegou a ser falado que você assumiria o posto. É verdade? Existiu esse convite?

Não. Desde o começo incentivei o Digão a meter as caras. O convite foi feito para tocar o baixo quando o Canisso saiu, o que acabou acontecendo de 2002 à 2007.

– Quais bandas e artistas independentes você acha que o Brasil deveria conhecer e ainda não conhece?

Tem muita coisa boa por aí e não é de hoje. Quem acompanha tá ligado, mas o Brasil todo deveria conhecer. Tem pra tudo que é gosto. Do folk ao pesado. Rios Voadores, Sexy-Fi, Boogarins, Far From Alaska, Camarones Orquestra Guitarrística, The Neves, The Baggios, Galinha Preta, Optical Faze, Rocca Vegas, Darshan, Scalene, Talma & Gadelha, Astros, Nevilton e bandas como Cascadura e Vespas Mandarinas que já tem seu espaço mas mereciam estar em outro patamar.

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