Crush em Hi-Fi

Música, trilha sonora, CDs, discos, DVDs, mp3, wmas, flac, clipes, ruídos, barulho, sonzera ou como quer que você queira chamar.

Electric Parlor continua apostando na longa vida do rock’n’roll dos 70s: “Queremos dominar a porra do mundo!”

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Não, o rock não morreu. Ah, e o rock setentista continua também muito vivo e bem de saúde, sim senhor. O Electric Parlor, formado em Los Angeles em 2012, faz um som que parece diretamente vindo de 1975, quando o rock ainda não usava tantos sintetizadores e o autotune ainda era um sonho na imaginação de algum músico sem talento.

Formado por Monique Alvarez (vocais), Zachary Huling (bateria), Kris Farr (guitarra) e Josh Fell (baixo), a banda busca tocar rock’n’roll em seu estado mais puro no volume mais alto que conseguirem. Com um vocal feminino muito competente e um instrumental que mistura Sabbath com Zeppelin e bebe da fonte bluesy que ambas bandas adoram, o Electric Parlor só quer sair tocando pelo mundo e espalhando o rock por aí.

Conversei com a banda sobre rock, os anos 70, Los Ângeles e como a internet facilitou a propagação da música:

– Como a banda começou?

O Electric Parlor começou em um anúncio procurando músicos na Craigslist. Monique cresceu aqui (em Los Angeles), mas o resto de nós veio de outras partes do país. Com o desejo mútuo de começar uma banda de rock’n’roll, fomos para a internet encontrar músicos com a mesma ideia. Depois de vários desencontros com músicos, jams de improviso e histórias dignas de Spinal Tap, trombamos uns com os outros e a conexão musical entre nós era inegável.

– Então, vocês estão tentando “trazer o rock and roll de volta”. Isso implica que o rock and roll estava morto?

Não, não realmente. Ele mudou, evoluiu, mas nunca morreu. Na verdade, pra nós nunca foi realmente sobre trazer nada de volta. Esta é apenas a nossa interpretação do rock’n’roll e de como nós acreditamos que ele deve soar. Nos primeiros dias do rock’n’roll, ele existia às margens da sociedade como uma mistura de blues, soul e outros elementos de raiz com muita atitude e angústia. Era tão contra-cultura quanto o movimento hippie ou o movimento dos direitos civis que aquele período de renascença realmente permitiu que florescesse. Esse rock’n’roll dos primórdios é o que realmente nos inspira, porque inegavelmente há uma convicção, energia e algo muito genuíno sobre ele.

– Eu amo que suas músicas são calcadas no rock dos anos 70. Você acha que os anos 70 são a melhor década para o rock?

Em termos de rock’n’roll puro e sem alterações, sim! Mas isso é muito subjetivo, para ser honesto. Talvez ele atingiu o pico na década de 70, havia tantos artistas incríveis que surgiram durante essa década. No entanto, achamos que definitivamente devem ser homenageados muitos dos artistas de 50 & dos anos 60 que construíram essa base. No fim das contas, é muito subjetivo e realmente depende de como você define o gênero.

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– Quais são as suas principais influências musicais?

Cara! Há tantos para a lista… Todos nós temos algumas influências em comuns do rock dos anos 60 e 70, tais como Creedence Clearwater Revival, Black Sabbath, Led Zeppelin, etc. Mas todos nós também temos o nosso estilos e influências individuais que nos influenciaram. Monique curte bastante acid rock e garage rock, Zach gosta um pouco mais de indie mais rock contemporâneo, Kris ouve Americana depois faz jams com Josh com algumas das coisas doom de John Entwistle. É bem variado. Mas todos os diferentes elementos ajudam a criar algo único, ainda que com foco nos velhos blues, soul e rock’n’roll.

– Como é o seu processo de composição?

Tudo começa com uma pequena ideia ou pedaço. Pode ser qualquer coisa, desde uma batida, uma melodia vocal, letra, riff de guitarra ou baixo. Dai, fazemos uma jam sobre aquilo até que se transforma em uma música ou uma viagem musical de oito minutos. Nós preferimos o último (risos). Às vezes, a música fica pronta rapidamente e às vezes leva meses. Tentamos não forçar nada.

– Lady Gaga está cantando com Tony Bennett. Rihanna tocando com Paul McCartney. A música pop está voltando aos dias pré-autotune?

Se a internet foi para músicos financeiramente falando é discutível. Mas ela tem sido muito benéfica para expor música que talvez nunca teria tido chance sem as grandes gravadoras. Como tal, há tanta concorrência e achamos que as pessoas estão começando a ver um pouco da natureza hipócrita de alguns do mundo da música pop. Auto-tuning, ghost writers, lip synching… Há tanta coisa que você pode tomar como exemplo. Achamos que esses músicos mais velhos fazendo parcerias com músicos de hoje são uma boa maneira de mostrar o talento tanto dos novos como dos antigos. Afinal, todo grande músico ou artistas aprecia a história da música e aqueles que vieram antes deles.

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– Como você se sente sobre a música que está sendo lançada hoje em dia?

Há um monte de música ótima sendo lançada a cada semana, cada mês. A única coisa é que você tem que se esforçar para encontrá-las. Somos alimentados na boca com a merda das músicas do top 40, e é fácil para sentar e deixar que fique grudada em sua cabeça e achar que é uma boa música. Mas há muuuuito muito mais por aí! Músicos de verdade, que escrevem suas próprias canções e tocam seus próprios instrumentos. Blogs, como a seu, são ótimos lugares para encontrar novas músicas também, e espalhar a palavra.

– Então, vocês são de LA. Como é que a cidade dos anjos influencia suas músicas?

Bom, LA definitivamente nos ajuda a não nos importarmos muito com as coisas. Há uma tonelada de outras bandas aqui, é um lugar bonito e louco. Nós absolutamente amamos LA. Mas você não pode ficar entantado e sempre comparar-se a todos os outros ao seu redor. Você tem que confiar em seu som e não realmente se preocupar com o que os outros vão pensar ou dizer. É definitivamente um estado de espírito, algo de superioridade; uma autoconfiança de que você tem que pensar que tem para realmente se encontrar. Zero fucks to give. Achamos que você pode ouvir um pouco disso em algumas das músicas.

– Estou conhecendo um monte de bandas novas que tocam um som inspirado no rock/power pop dos 70s. Os anos 70 estão voltando?

Quem sabe? Acho que o que o importante é que você seja você mesmo e use o que quer vestir e seja quem você quer ser, porque isso é exatamente o que você é, e você não está tentando ser ou soar como alguém ou alguma coisa. Pegue suas influências e faça algo de novo para o mundo a partir disso, não apenas reproduza.

– A cultura do “álbum” está morta? Será que as pessoas só ouvir singles hoje em dia?

A melhor coisa sobre o vinil é que te obriga a sentar e ouvir o álbum inteiro. Artistas faziam um álbum e era como um livro, cada música é como um capítulo e uma fotografia que mostra como eles eram como banda naquele momento. Era ótimo em inspirar a imaginação também. Porém, os singles sempre foram glorificados. Uma ou duas faixas do álbum que iriam chamar a atenção de massa e tocar no rádio. Achamos que a internet criou um meio que permitiu que o single seja obtido facilmente sem ter que comprar todo o álbum. Isso é uma coisa boa ou ruim? Quem sabe? É discutível, sendo que ambos os lados têm pontos válidos. Nosso álbum de estréia é uma história, uma viagem que é ranzinza, angustiada, agressiva e às vezes até alegre. Ele captura nosso momento, tudo o que aconteceu para criar nossos sons. E nós amamos essa mentalidade quando se trata de escrever e gravar um álbum. Em LA, e muitos lugares em todos os EUA, você verá uma nova tendência de toca-discos, novos, que estão sendo vendidos em alguns pontos hipster. Você vê álbuns contemporâneos, grandes bandas de nome e menores indies também, tudo sendo lançado em vinil agora, e ir à lojas de discos caçar registros antigos ainda é um hobby de muitas pessoas. Então, nós definitivamente não diríamos que esta cultura morreu.

– Quais são os próximos passos do Electric Parlor?

Dominar a porra do mundo com rock’n’roll! (Risos) Não, mas sério, nós adoraríamos fazer uma turnê pelo mundo e tocar onde e quando quiséssemos, para sempre. Nós queremos fazer parte dos melhores.

– Quais novas bandas chamaram a atenção de vocês recentemente?

Existem várias bandas modernas que tiveram efeitos incríveis em nós – de gêneros diferentes, claro. Nós realmente gostamos de bandas como os Black Keys, Alabama Shakes, Rival Sons, Kadavar, Blues Pills, Electric Wizard, Radio Moscow… apenas para citar algumas. Estamos sempre felizes de ouvir qualquer tipo de música. A chave é abrir a mente e só daí determinar o que você gosta, e não o contrário.

Ouça o som do Electric Parlor aqui: http://www.electricparlormusic.com/

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