Crush em Hi-Fi

Música, trilha sonora, CDs, discos, DVDs, mp3, wmas, flac, clipes, ruídos, barulho, sonzera ou como quer que você queira chamar.

Wesley Willis, o ex-mendigo popstar esquizofrênico

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Wesley Willis é um caso de artista experimental de estilo peculiar e obras que não são compreendidas tão facilmente. Um ex-mendigo que virou popstar, compositor de letras extraordinárias e bases maravilhosas. Tá, não é bem assim.

Wesley era um mendigo que vendia seus desenhos bizarros e tocava suas músicas com uma base pré-programada em seu tecladinho tosco, cantando qualquer letra que viesse à sua cabeça por cima. Até que o pessoal do Smashing Pumpkins “descobriu” o cara e deu um toque para Jello Biafra, ex-Dead Kennedys. Resultado: os discos do gordinho bizarro foram produzidos e lançados pela Alternative Tentacles.

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Wesley tinha o estranho costume de cumprimentar os outros com uma cabeçada, por isso possuía uma constante mancha preta na testa, consequência do bate-cabeça de “olá”.

As músicas? Bom, todas se pareciam muito umas com as outras, tendo nomes singelos como “Fuck You”, “Eat That Mule Shit” e “Suck A Cheeta’s Dick”, entre outras. Willis dizia que a música “calava a boca dos demônios em sua cabeça”. A estrutura das canções era simples: quatro versos formavam uma estrofe, e em seguida o refrão, que geralmente era o nome da música repetido quatro vezes (sempre quatro vezes). E no final, um comercial de alguma loja, com seu slogan.

Willis tinha a peculiar mania de homenagear quem ele admirava com músicas. Foi daí que saíram canções como “Nirvana”, “Alanis Morissette”, “Alice In Chains”, “Superchunk”, “Arnold Schwarzenegger”, “Dave Grohl”, “Steve Albini” e“Jar Jar Binks”, entre outras. Quase todas praticamente eram iguais, mudando apenas o nome da banda/artista (ou seja, o refrão) e as declarações sobre o homenageado em questão nos versos.

O artista tinha alguns temas recorrentes, como a obesidade (“I’m Slimming Down”, “I’m Sorry That I Got Fat (I Will Slim Down)”), subir no ônibus (“Get On The Bus”, “Get On The City Bus”), bater em super-heróis (“I Whipped Superman’s Ass”, “I Wupped Batman’s Ass”), matar seu pai (“I Killed Your Daddy After Midnight”, ”I Killed Your Daddy Yesterday”), sexo oral (“Suck a Cheetah’s Dick”, “Suck My Dog’s Dick”) e até a auto-referência (“Walter Willis Shabazz”, “Wesley Willis” e “The Wesley Willis Fiasco”).

Em 2002, ele descobriu ter esquizofrenia crônica (e fez uma música sobre isso, “Chronic Schizophrenia”), doença que o matou em 2003, tirando do planeta o talento musical incompreendido e experimental.

Willis teve seu impacto na cultura pop. Por exemplo: o som que vinha junto do Winamp (“It really whips the llama’s ass!”) foi tirado diretamente de sua música “I Wupped a Llama’s Ass”. No filme Super Size Me de Morgan Spurlock, “Rock and Roll McDonald’s” é uma das canções principais, e até Katy Perry o cita nominalmente na canção simple, no trecho “You’re such a poet. I wish I could be Wesley Willis.” Ah, e ele inspirou um personagem, Milan, que apareceu em algumas edições da revista da Mulher Maravilha, da DC Comics, com cabeçada de cumprimento e tudo.

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Vida longa a Wesley Willis!

Rock on in London
Rock on in Chicago
Johnny Rockets
It’s the original hamburger

(texto originalmente publicado no blog Contraversão)

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